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‘Nunca vi nada assim’: delegado descreve fazenda de maconha de alta tecnologia em Minas Gerais

16/07/2026 às 18h34
maconha cultivo minas gerais

“Em 25 anos de Polícia Civil eu não me recordo de ter visto fazendas com plantio de maconha de grande proporção e com estrutura tecnológica como essas no Interior de Minas Gerais”, afirma o delegado Rodrigo Bustamante, chefe do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc).

Cinco operações da Polícia Civil de Minas Gerais nos últimos meses desvendaram um ousado esquema de tráfico de drogas no Estado. Desta vez, grandes latifúndios foram descobertos com milhares de pés de maconha, algo inédito em Minas Gerais.

Em menos de um mês, a PCMG desarticulou quatro estruturas de cultivo do entorpecente espalhadas por diferentes regiões do estado, apreendeu cerca de 1,8 tonelada da droga e localizou um plantio com aproximadamente 30 mil pés.

Segundo Bustamante, o que chama atenção é que se trata de estrutura do porte de “fazendas ricas do agronegócio de Goiás. A metodologia é de primeiro mundo”. Para se ter ideia, o sistema de irrigação é feito remotamente usando a rede de internet da Starlink, empresa do homem mais rico do mundo, Elon Musk.

Para enganar policiais e não gerar suspeitas nas cidades-sede das fazendas, o plantio da maconha era mesclado com o de outros cultivos, como milho, algodão e arroz. “A gente percebeu que entre 95% e 98% das terras eram arrendadas por ‘laranjas'”, diz o delegado.

Se, por um lado, as fazendas eram altamente tecnológicas, por outro, os trabalhadores eram submetidos a situação de trabalho precária. “Nós encontramos eles se alimentando de miojo e biscoito água sal. A estrutura física é parecida com a de extração ilegal de terras raras na Amazônia”, afirma Bustamente.

As investigações, ainda em andamento, indicaram que os grupos envolvidos no plantio da droga em Minas Gerais são originários da Bahia e de Pernambuco, estados onde há histórico de plantio de maconha no Brasil. “A gente acredita que seja o mesmo grupo. Agora estamos investigando quem financia os grupos. Se o PCC, o Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro… Não achamos que deve ser um grupo da América do Sul”, afirma o delegado, ressaltando que no caso da maconha trata-se de uso dentro do território, diferente da cocaína que é vendida para o exterior.

O delegado diz ainda acreditar que se trata de um mesmo grupo responsável pelo plantio nas diferentes cidades mineiras. Isso porque o maquinário, a estrutura e a configuração encontrados nas fazendas são idênticos.

No rastro da maconha

A investigação aponta também para a participação de pessoas com conhecimento avançado em agronomia, dada a necessidade de especialização para o plantio, irrigação e outros mais para o cultivo em cidades do Vale do Jequitinhonha.

A investigação teve início a partir do sequestro de uma pessoa. Em 26 de maio, equipes das delegacias de Araçuaí e Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha, faziam levantamentos sobre um sequestro em Coronel Murta quando encontraram, na zona rural de Virgem da Lapa, uma plantação com os 30 mil pés de maconha. A descoberta escancarou a existência de uma organização criminosa com raízes fincadas em diferentes regiões do estado.

Em 4 de junho, a operação Erva Daninha levou os policiais à zona rural de Grão Mogol, no Norte de Minas, onde uma segunda estrutura foi desmantelada. No local, cerca de 1,8 tonelada de maconha em fase de preparação para distribuição foi recolhida e incinerada.

Seis dias depois, em 10 de junho, um terceiro ponto surgiu na zona rural de Porteirinha: mais 100 quilos de droga já prontos para comercialização, além de fertilizantes, equipamentos de produção e outros materiais foram encontrados.

Uma semana depois, em Unaí — a mais de 500 km de onde tudo começou —, foi identificada uma quarta fazenda de plantio ilegal da droga.

Segundo o delegado, entre os presos estão pessoas voltadas para a logística e distribuição, outras para conhecimento técnico.

Asafe Alcântara

Coordenador de mídias digitais e repórter, no BHAZ, desde setembro de 2021. Atualmente concilia como repórter na Record TV Minas. Jornalista graduado pelo UNI-BH, com experiência em redações de veículos de comunicação, como RedeTV! BH, TV Band Minas, TV Alterosa, TV Anhanguera (afiliada Globo GO), TV Justiça e CNN Brasil.
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