Apenas dois meses após assumir a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, o advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou o posto. O anúncio da decisão veio um dia após a Polícia Federal (PF) rejeitar a primeira proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro. José Luis seria o responsável por atuar na construção desta proposta.
De acordo a apuração do jornal O Globo, a decisão de deixar a defesa do dono do Banco Master foi tomada após um acordo entre ele e Vorcaro. José Luis Oliveira Lima havia entrado no caso em março com a missão de cuidar, justamente, da delação do banqueiro. O defensor tem experiência na área do direito penal empresarial, atuando em casos como a Operação Lava Jato ao defender o empresário Léo Pinheiro, da OAS.
Veja também
Nessa quinta-feira (21), Daniel Vorcaro teve a primeira tentativa de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal (PF). As informações repassadas pelo acusado seriam insuficientes e não estavam alinhadas com o que a PF apura desde 2024, quando a emissão de títulos de crédito com rendimentos acima do mercado começou a ser questionada pelo Ministério Público Federal (MPF). O material recolhido, principalmente, nos telefones celulares dos investigados contém mais detalhes do que o que foi apresentado como proposta e delação.
O relator do inquérito, o ministro André Mendonça, recebeu a decisão da PF. Já a Procuradoria-Geral da República (PGR) resolveu dar uma nova chance para que o banqueiro. A expectativa é de que Daniel Vorcaro e seus advogados refaçam a proposta, apresentando novas provas e relatos sobre o esquema criminoso. A decisão final, no entanto, será do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Pai de Vorcaro também busca por delação
Preso desde o dia 14 de maio, durante uma ação que integrou a 6ª fase da Operação Compliance Zero, o pai de Daniel Vorcaro, o empresário Henrique Vorcaro, também busca um acordo de delação premiada. Ele passou a ser investigado como um dos “operadores financeiros” do grupo conhecido como “A Turma”. A apuração da PF mostra que Daniel Vorcaro fez depósitos na conta bancária do pai, que usaria esse dinheiro para administrar o grupo. Segundo o relatório policial citado no processo, esse braço operacional era formado por policiais e ex-integrantes das forças de segurança, responsável por ações de intimidação e obtenção clandestina de informações.
Mensagens interceptadas mostram que o custo de manutenção dessa estrutura chegava a R$ 400 mil mensais. Em diálogos ocorridos em janeiro de 2026, Henrique foi cobrado por atrasos nos pagamentos pelo líder operacional do grupo, o policial federal aposentado Marilson Roseno. Em resposta, Henrique assegurou que enviaria os valores “imediatamente” assim que recebesse recursos.
Henrique Vorcaro está preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte e teria sofrido um surto nessa quinta-feira (21), ao ficar sabendo que a Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo filho dele.
O BHAZ entrou em contato com o advogado José Luis Oliveira Lima, que não respondeu aos questionamentos.









