Indo de encontro às celebrações do Natal e todo universo de solidariedade que o cerca, o fim do ano é a época que mais animais são abandonados e menos são adotados. Este fenômeno decorre do período de férias, quando muitas famílias viajam e o pet passa a ser visto como um problema.
Larissa Souza da Costa, atuante na ONG Casa dos Dogs 75, explica os motivos: “A soma de férias, viagens, falta de planejamento e orçamento apertado é o principal motivo desse aumento de abandonos que a Casa dos Dogs 75 presencia na prática”, conta.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que, no Brasil, existem mais de 30 milhões de animais abandonados, sendo 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães. Flávia Quadros, presidente da Sociedade Mineira Protetora dos Animais, acrescenta outro fator para esse número aumentar no fim do ano. Ela relata que as fêmeas, tanto dos gatos quanto dos cachorros, se reproduzem mais nessa época do ano. “Como muitos donos não se previnem com castração dos animais, as fêmeas vão parindo em grande quantidade e depois esses animais são abandonados”, explica


Em contrapartida, enquanto o número de abandonos cresce, a de adoção diminui. Com as festas e férias, investir em uma hospedagem externa fica mais difícil, segundo Flávia Quadros. Ela relata que os hotéis para pets ficam cheios e o valor aumenta.
Larissa e Flávia explicam que o abandono causa um impacto profundo no animal, que desenvolve medo, estresse, ansiedade e risco de depressão. Além disso, na rua, o pet enfrenta frio, fome, doenças, atropelamentos e violência.
O abandono de animais é crime previsto na Lei contra Crimes Ambientais nº 9.605/98, em seu Art. 32, com pena de dois a cinco anos, multa e proibição da nova guarda de animais. Além disso, caso ocorra a morte do animal por causa do abandono, que é considerado uma forma de maus tratos, a lei prevê que a pena seja mais severa e aumentada de um sexto a um terço.
O abandono não é apenas ilegal, é uma forma de sofrimento físico e emocional que compromete toda a vida do animal.
Larissa Souza da Costa – ONG Casa dos Dogs 75
Final Feliz
A química Daniela Maia adotou duas gatinhas no fim deste ano em uma feira de adoção da Sociedade Mineira Protetora de Animais. Ela contou que em sua casa já tinham uma gatinha e uma cachorrinha, quando a filha dela percebeu que a felina precisava de companhia.
“A partir daí, ficamos de olho na internet e no Instagram, para acharmos alguma gatinha para adotar. Vimos um post mostrando a gata Maria Clara, e a Marcela, minha filha, se apaixonou por ela. Nos programamos para ir à feira de adoção no sábado cedo e descobrimos que ela tinha uma irmã, a Maria Joaquina”.
A preferência era pela adoção das duas gatinhas juntas. A família se apaixonou pelas duas. Daniela conta que Flávia Quadros levou as gatas até a casa da família, para garantir que seriam recebidas com amor e segurança, além de ensinar para os novos donos como cuidar dos animais.


A mãe de Maria Clara e Maria Joaquina foi resgatada pela Sociedade Mineira Protetora dos Animais (SMPA). Ela estava doente, com suspeitas de esporotricose, e no final da gestação. Ela vivia na rua, sendo apenas alimentada por um protetor que não podia abrigá-la.
+ Câmera flagra mulher abandonando sete filhotes de cachorro na Pampulha, em BH +
No dia seguinte ao resgate, a gatinha deu à luz três filhotinhos saudáveis em segurança e conforto, algo que nunca havia ocorrido antes, já que seus filhotes anteriores morriam após nascerem em locais perigosos, como telhados abandonados.
No evento em que Maria Clara e Maria Joaquina foram adotadas, outras 21 adoções foram realizadas. A mãe está sendo preparada para também encontrar uma nova família.
No mundo tem tantas pessoas que têm coragem de abandonar, de largar, de colocar num saco plástico e jogar no lixo, mas também tem um bocado de gente disposta e querendo ajudar.
Daniela Maia, química e tutora
Pets como presentes de Natal: um alerta
Adotar um pet é uma ação que deve ser realizada de forma responsável e programada. Quando alguém recebe um animal de presente, a adoção é feita por impulso e, segundo Larissa Costa, sem avaliação da rotina, do tempo, da estrutura, do orçamento e da responsabilidade envolvida.
“Ele não pode ser tratado como um objeto que se entrega, se troca ou se devolve. A chegada de um pet deve ser planejada pela própria família que vai cuidar, com consciência sobre vacinas, alimentação, adaptação, espaço, gastos e convivência. Quando a adoção é assumida sem preparo, aumenta o risco de abandono, maus-tratos e sofrimento para o animal”, explica Costa.
A chance de um animal que foi dado de presente ser repassado para frente para alguém que também não tem preparo ou ser abandonado é muito grande, de acordo com Flávia Quadros.

Como ajudar?
Muita gente também contribui com tempo, atuando como voluntário: ajudando em passeios, banho, limpeza, transporte para consultas ou até na divulgação dos animais nas redes sociais. E, por fim, uma ajuda que parece simples, mas é poderosa, é compartilhar campanhas, vaquinhas e perfis de animais para adoção. Muitas adoções acontecem porque alguém viu uma foto repostada, e essa corrente é essencial. No fim das contas, a soma dessas pequenas ações permite que as ONGs continuem resgatando, tratando, cuidando e encaminhando os animais — e cada pessoa pode escolher a forma que melhor se encaixa na sua rotina.
Pequenas atitudes podem causar um grande impacto na vida dos animais abandonados:
- Adote com responsabilidade: Antes de adotar, pense se você tem condições de cuidar do animal por toda a vida dele.
- Denuncie maus-tratos: Se presenciar um caso de abandono ou maus-tratos, denuncie imediatamente para as autoridades competentes.
- Eduque e conscientize: Fale sobre a importância de adotar e de não abandonar animais. Engaje seus amigos e familiares para ajudar na proteção dos animais.
- Apoie ONGs e campanhas de adoção: Colabore com organizações que trabalham para salvar e reabilitar animais em situação de rua.
- Atue como voluntários: ajude em passeios, banho, limpeza, transporte para consultas e participe da rotina das ONGs.
- Ajude a divulgar: Divulgue vaquinhas, feiras de adoção e cartazes de procura-se nas redes sociais.
Locais para adoção
A adoção responsável é uma das principais forma de ajudar um animal e liberar espaço para outros animais serem acolhidos. O BHAZ separou 10 ONGs onde você pode conhecer o seu novo amigo peludo ou ajudar outros animais.
1 – Sociedade Mineira Protetora dos Animais
A Sociedade Mineira Protetora dos Animais (SMPA) é uma entidade sem fins lucrativos e existe desde 1925, com o objetivo de promover o bem-estar e o respeito aos direitos dos animais. O local abriga cerca de 500 cães e 200 gatos à espera de um novo lar.
É possível acompanhar os animais disponíveis para adoção pelo Instagram ou pelo site. Pelo Instagram, são divulgadas feiras de adoção como aquelas em que a Maria Joaquina e Maria Clara foram adotadas. A SMPA recebe doações no pix 18.824.029/0001-31 (CNPJ).




2- Casa dos dogs 75
A Casa dos dogs 75 é uma ONG independente dedicada a cães resgatados e realiza bazares como forma de arrecadação para ajudar os animais.
É possível acompanhar os animais disponíveis para adoção pelo Instagram, além de se oferecer para se tornar voluntário. A ong recebe doações no pix [email protected].



3- Adota BH
O Adota BH é uma plataforma da Prefeitura de Belo Horizonte que permite a adoção e o cadastro de animais. Além de gatos e cachorros, suínos, equídeos, aves e outros animais estão disponíveis para um novo lar. No site, o interessado pode filtrar por categoria, sexo e se o animal é castrado.




4- Instituto Amigos dos Animais
O site foca na adoção, doação e localização de animais na região de Belo Horizonte. A página apresenta um extenso menu que organiza serviços para a adoção de cães e gatos, a possibilidade de doar um animal, e seções específicas para animais perdidos e encontrados.
Além disso, o site promove a integração com ONGs de proteção animal e oferece um blog com artigos sobre cuidados, adestramento e bem-estar dos pets. O conteúdo centraliza-se na apresentação de animais disponíveis para adoção. Os interessados podem acompanhar pelo Instagram ou pelo site.




5- O Lobo Alfa
O Lobo Alfa é um movimento de voluntariado e proteção animal atuante em diversos estados, incluindo Minas Gerais. Existem centenas de protetores, veterinários e pessoas comuns que trabalham anonimamente. O principal objetivo do projeto é resgatar animais abandonados e vítimas de maus-tratos, além de promover a adoção responsável de cães e gatos.




6 – Projeto Cãomer
O Projeto Cãomer foi iniciado no ano de 2015 por uma moradora do bairro Jardim Canadá, Kely Alves, que perdeu um animal por atropelamento e começou a pensar em quem cuidava dos animais abandonados que passavam por essas situações e não tinham ninguém para acolhê-los. Hoje, o Cãomer tem três locais para abrigos e acolhem em torno de 60 animais, entre cães e gatos.
Além do programa de adoção, o site apresenta matérias a respeito de cuidados com animais. Os interessados podem acompanhar pelo Instagram ou pelo site, além de doar pelo pix 32.731.175/0001-65.




7 – Abrigo Balaio de Gato
O Abrigo Balaio de Gato é um projeto independente e voluntário, focado no resgate de cães e gatos abandonados nas ruas de Belo Horizonte. O Abrigo é responsável por providenciar o tratamento veterinário necessário e realizar a adoção responsável dos animais recolhidos. Atualmente, o projeto mantém cerca de 200 animais sob seus cuidados. A organização atua sem recursos governamentais, sobrevivendo exclusivamente graças ao apoio de voluntários, membros da “Sociedade das Patinhas,” apadrinhamentos, e outras colaborações.
Os interessados podem acompanhar pelo Instagram ou pelo site, além de doar pelo pix 53322899/0001-25.




8 – Grupo de Proteção dos Animais
O Grupo de Proteção dos Animais (GPA) implementa ações para minimizar o sofrimento de animais nas ruas e viabiliza adoção de cachorros e gatos abandonados. É possível acompanhar os animais disponíveis para adoção pelo Instagram. O instituto recebe doações por meio do pix 31344465000193(CNPJ)




9 – Buri Dogs
O Buri Dogs é um grupo de proteção animal fundado no bairro Buritis, em Belo Horizonte, que acolhe, cuida e busca adoção para cães abandonados. Desde que iniciaram a atuação em 2019 já tiraram das ruas e encaminharam para adoção mais de 1000 cães.
É possível acompanhar os animais disponíveis para adoção pelo Instagram ou pelo site. O Buri Dogs recebe doações no pix [email protected].
















