As investigações da nova sexta fase da Operação Compliance Zero detalharam o funcionamento de uma sofisticada organização criminosa liderada por Daniel Vorcaro, que se estruturava em dois braços operacionais complementares: “A Turma” e “Os Meninos”. Sob a gerência de Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, esses núcleos atuavam para neutralizar desafetos e proteger os interesses do grupo por meio de táticas que mesclavam coação física, infiltração em órgãos públicos e crimes cibernéticos, segundo a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
“A Turma”: O braço presencial e policial-informacional
O núcleo denominado “A Turma” tinha como foco principal a atuação no mundo físico e a obtenção de inteligência estatal. Liderado operacionalmente pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, o grupo era especializado em ameaças, intimidações presenciais e levantamentos clandestinos.
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Para isso, contava com o apoio de agentes da ativa, como Anderson Wander da Silva Lima, que realizava consultas indevidas no sistema e-Pol da Polícia Federal para fornecer dados sigilosos sobre investigações em curso.
Além da infiltração policial, “A Turma” possuía conexões com o crime local, exemplificadas pela participação de Manoel Mendes Rodrigues, apontado como liderança do grupo no Rio de Janeiro e ligado ao “jogo do bicho”.
Esse braço teria sido responsável por episódios de violência, como as ameaças de morte proferidas contra ex-funcionários de Daniel Vorcaro em Angra dos Reis, utilizando grupos de homens para exercer pressão física e moral. O financiamento desse núcleo era robusto, com indícios de repasses mensais de cerca de R$ 400 mil, operados por Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel e preso nesta quinta-feira pela Polícia Federal.
“Os Meninos”: A ofensiva digital e tecnológica
Enquanto “A Turma” agia nas ruas, o núcleo “Os Meninos” formava o braço tecnológico da organização, com um perfil voltado para o ambiente virtual. Sob a liderança de David Henrique Alves, o grupo é apontado como responsável por arregimentar operadores com perfil hacker para executar ataques cibernéticos, invasões telemáticas e o monitoramento digital ilegal de alvos de interesse da organização.
A principal função de “Os Meninos” era o que a investigação descreve como a neutralização de críticas e o monitoramento de alvos no plano digital, incluindo a derrubada de perfis em redes sociais de pessoas que se opunham ao grupo.
David Alves operava por meio da empresa Bipe Software Brasil Ltda., utilizada para dar aparência de legalidade aos pagamentos recebidos, estimados em R$ 35 mil mensais por integrante. Auxiliares como Victor Lima Sedlmaier e Rodrigo Pimenta davam suporte técnico e logístico, chegando a utilizar documentos falsos e infraestrutura de internet para as ações do grupo.
A eficácia da organização residia na sinergia entre os dois grupos: o que “Os Meninos” vigiavam e neutralizavam na internet, “A Turma” intimidava presencialmente ou monitorava via sistemas oficiais, diz a decisão de Mendonça com base em investigação da PF.
Diante da periculosidade demonstrada e da capacidade de destruição de provas digitais, o ministro André Mendonça decretou a prisão preventiva dos principais líderes e operadores de ambos os núcleos, visando interromper o fluxo de crimes e a rede de influência que persistia mesmo após as fases iniciais da operação.








