TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp

Acusado de matar a esposa e forjar acidente vai a júri popular em BH

13/07/2026 às 12h47
homem mata companheira simula acidente MG
À esquerda a vítima Henay Rosa e à direita como ficou o carro após o suposto acidente. (Reprodução/redes sociais)

A Justiça de Minas Gerais decidiu levar a júri popular Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos, denunciado por matar a esposa e forjar um acidente de carro na tentativa de encobrir o crime. O caso ocorreu em 14 de dezembro e foi registrado como um acidente de trânsito na MG-050, em Itaúna, na região Centro-Oeste de Minas Gerais. De acordo com a PCMG, o homem teria assassinado Henay Rosa Amorim, de 33 anos, no apartamento do casal, no bairro Nova Suíça, na região Oeste de Belo Horizonte, e forjou o acidente.

A decisão é da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri, 1º Sumariante da Comarca de BH. O réu foi preso em flagrante em 15 de dezembro de 2025 e, no dia seguinte, teve a prisão convertida em preventiva. Em março deste ano, após a Justiça receber a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a prisão preventiva foi mantida.

Segundo a denúncia do MPMG, Alisson é acusado por feminicídio com as qualificadoras de violência doméstica e familiar, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual.

Investigação

De acordo com investigação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Henay foi morta na madrugada de 14 de dezembro após o casal, que mantinha um relacionamento havia cerca de um ano, se envolver em uma discussão, momento em que Alison teria agredido a vítima. “Ele teria asfixiado Henay e possivelmente provocado traumatismos no rosto e na cabeça”, relatou o delegado João Marcos do Amaral Ferreira, um dos responsáveis pela investigação.

Em seguida, por volta das 4h49, o investigado teria levado o corpo da mulher até o interior do veículo, que horas depois teria sido usado em uma colisão com um ônibus, visando simular um acidente de trânsito.

“Ele desceu do apartamento carregando Henay. Câmeras de segurança constataram que ele a puxava e, nas imagens, é possível ver a mão da vítima completamente inerte. Em seguida, Alison a coloca no banco do motorista”, afirmou o delegado.

Segundo a PCMG, Alison era síndico do prédio e, por isso, tinha não apenas acesso às câmeras de segurança, como também conhecimento dos pontos cegos. No entanto, a corporação destacou que isso não foi suficiente para impedir o registro das imagens que ajudaram a esclarecer o caso.

“O suspeito volta ao apartamento e, minutos depois, retorna com um colchão, possivelmente onde o crime ocorreu. Esse colchão é manipulado e, em seguida, descartado. Não foi possível descobrir o local do descarte, pois ele se recusou a informar”, explicou o João Marcos.

Ainda conforme as investigações, por volta das 5h10, Alison entrou no veículo, sentou-se no banco do passageiro e, com um dos pés, acionava os pedais de freio e acelerador, enquanto uma das mãos controlava o volante. “Câmeras de prédios vizinhos captaram o momento em que é possível vê-lo no lado do passageiro. A cena é muito rápida, porque o veículo estava com insulfilme, inclusive no para-brisa, o que dificultou a verificação interna. No entanto, a janela do passageiro estava aberta, o que permitiu identificar que Alison estava ali”, relatou o delegado.

Atendente relata que mulher estava desacordada

Após sair do prédio, Alison seguiu em direção à região Centro-Oeste do estado, onde, por volta das 5h56, passou por uma praça de pedágio na MG-050. A partir desse ponto, as investigações, inicialmente abertas para apurar um suposto acidente, foram reavaliadas e passaram a tratar o caso como homicídio, segundo a PCMG. Isso porque a atendente relatou ter observado a mulher desacordada no banco do motorista, enquanto o companheiro, com lesões aparentes e em estado de nervosismo, conduzia o automóvel a partir do banco do passageiro, recusando ajuda e deixando o local rapidamente.

“Ali é possível afirmar, em razão dos elementos já esclarecidos, que a vítima estava morta. Nas imagens, percebemos que ela não tem nenhum controle cefálico, o abdômen estufado, as roupas desalinhadas, abertas. Não havia mais reações por parte da Henay”, contou João Marcos.

Dez minutos após deixar o pedágio, no km 90 da rodovia, o investigado lançou o veículo na contramão e colidiu com um ônibus, para forjar um acidente de trânsito e ocultar o feminicídio. Após a batida, a PMMG informou que ele recebeu atendimento médico, fugiu do hospital e retornou ao apartamento. “Alison aproveitou para desconectar uma câmera que havia no local, além de tentar limpar vestígios do crime. No entanto, no dia da prisão em flagrante, foi realizado um levantamento pericial que constatou a presença de sangue no sofá, no chão, na porta e na maçaneta de entrada. O fluido era da vítima”, afirmou o delegado.

Câmera registrou agressões contra a vítima

De acordo com o delegado João Marcos, havia uma câmera na residência do casal que registrou uma série de agressões do investigado contra a vítima. Embora Alison tenha descartado o equipamento, o aparelho enviava frames e capturas de tela das gravações para o celular dele. Esse material foi recuperado após as equipes policiais apreenderem o telefone.

“Vemos a vítima deitada no colchão, que, posteriormente, foi descartado pelo investigado. Há, inclusive, uma gravação do dia 17 de agosto do ano passado que mostra Henay sendo agredida repetidas vezes. Ele a empurra no sofá e passa a desferir golpes e socos na cabeça dela. À época, a vítima registrou ocorrência, e o prontuário médico apontou traumatismo cranioencefálico leve, além de lesões e hematomas pelo corpo, que lhe causaram náuseas e cefaleia durante o atendimento”, explicou.

A PCMG informou ainda que colheu depoimentos de familiares, além de mensagens enviadas por Henay relatando agressões anteriores e prontuários médicos. A necropsia apontou como causa da morte asfixia por constrição cervical externa, com sinais de esganadura, associada a traumatismo cranioencefálico contuso, afastando a hipótese de óbito em decorrência do acidente.

“Havia material genético do investigado sob as unhas da vítima, o que explica as lesões nos braços dele, compatíveis com ferimentos de defesa”, reiterou o delegado.

Investigado foi preso em velório da vítima

Após o suposto acidente, equipes da PCMG passaram a monitorar o homem, que foi preso durante o velório da vítima. Durante o depoimento, o empresário negou crime em uma primeira versão, afirmando que ela teria passado mal no veículo. Depois, ele confessou o feminicídio e explicou a dinâmica do crime.

Segundo os policiais, o homem disse que teria discutido com a companheira na noite anterior, na residência do casal, em BH. Durante a viagem a Divinópolis, o empresário disse que Henay teria começado com agressões, causando arranhões no rosto e braço dele. Ele, então, alegou que se defendeu empurrando a mulher e, após outras discussões, pressionou o pescoço dela com o braço e uma das mãos.

O homem ainda disse que a mulher teria acordado e assumido a condução do veículo até o acidente. No entanto, imagens do pedágio de Itaúna mostram que, cerca de 15 minutos antes, Henay estaria no banco do motorista, aparentemente inconsciente, enquanto o empresário conduzia o veículo a partir do banco do carona.

Com base em todos os elementos coletados, a PCMG concluiu o inquérito e indiciou o investigado por feminicídio qualificado e fraude processual.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
LinkedIn

Mais lidas do dia

Leia mais

Acompanhe com o BHAZ