A poetisa mineira Adélia Prado recebeu, na noite dessa terça-feira (18), o Prêmio Camões 2024, em cerimônia realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília. A honraria é considerada a mais alta insígnia da literatura em língua portuguesa. Centro das homenagens, a escritora não compareceu ao evento, mas foi representada pelo filho Eugênio Prado.
Segundo o marido da poetisa, José Prado, a ausência de Adélia se deu em função da idade avançada. Aos 89 anos, a escritora não teria boas condições de saúde para enfrentar viagens longas. Atualmente, ela mora em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, onde nasceu.
O resultado do Prêmio Camões 2024 veio a público ainda em junho do ano passado. A conquista marcou uma semana especial para a autora, considerada a maior poetisa brasileira viva. Uma semana antes, Adélia Prado já havia conquistado o prêmio Machado de Assis, a maior honraria da Academia Brasileira de Letras e uma das mais tradicionais do país.
No parecer da edição, o júri destacou a originalidade da obra de Adélia. “Herdeira de Carlos Drummond de Andrade, o autor que a revelou e sobre ela escreveu as conhecidas palavras: ‘Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo…’, Adélia Prado é há longos anos uma voz inconfundível na literatura de língua portuguesa”, destacou o texto.
Além do filho e representante da escritora, a cerimônia dessa terça-feira contou com a presença do presidente Lula e do presidente de Portugal, Marcelo Rabelo de Sousa. A premiação concede 100 mil euros ao vencedor, sendo um dos maiores valores entre premiações literárias no mundo. A honraria é financiada pela Fundação Biblioteca Nacional, vinculada ao Ministério da Cultura, e pelo Governo de Portugal.
Carreira de Adélia
Mineira de Divinópolis, Adélia Prado tem 89 anos. Na bagagem, além de poetisa, leva os ofícios de professora, filósofa, romancista e contista. Os primeiros poemas foram publicados em jornais da cidade natal e Belo Horizonte.
A leitura de originais de Adélia impressionou o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), que enviou escritos para que fossem publicados como livro, em 1975. Publicado com o nome ‘Bagagem’, o livro de poemas chamou atenção da crítica pela originalidade e pelo estilo.
Com o livro ‘O Coração Disparado’, de 1978, conquistou o Prêmio Jabuti de Literatura, conferido pela Câmara Brasileira do Livro.
Sobre o Prêmio Camões
Criado em 1988, o Prêmio Camões tem o objetivo de consagrar um autor de língua portuguesa que, pelo conjunto da obra, tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural do idioma. O nome é uma homenagem a Luís Vaz de Camões, um dos maiores poetas portugueses.
A vencedora receberá um prêmio de 100 mil euros, o equivalente a mais de R$ 580 mil. O valor é subsidiado igualmente entre as duas instituições que organizam o Camões: o Ministério da Cultura português e a Fundação Biblioteca Nacional, vinculada ao Ministério da Cultura brasileiro.













