Apesar dos questionamentos feitos pelas Prefeituras de Contagem e de Betim, o Governo de Minas Gerais diz estar confiante com a execução do traçado proposto para o Rodoanel Metropolitano, que promete aliviar o trânsito do Anel Rodoviário de BH. A avaliação foi feita pelo subsecretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade de Minas Gerais (Seinfra), Aaron Duarte Dalla. O membro da gestão Zema, no entanto, admite a possibilidade de “adequações pontuais” no projeto.
“Estamos em diálogo com os municípios e, apesar das dificuldades com Contagem e Betim, estamos em conversas constantes com as lideranças locais. O traçado proposto foi avaliado sob diversos aspectos, como econômicos, financeiros e ambientais, e chegou-se à conclusão de que ele é o que melhor atende a todos esses critérios. Já foram feitas alterações para atender pontos específicos em Contagem e Betim. O traçado do Estado é uma diretriz, mas algumas adequações pontuais já foram feitas. Por exemplo, no bairro Nascentes Imperiais, conseguimos desviar o trajeto para minimizar o impacto sobre áreas vulneráveis. Continuamos abertos a outras adaptações pontuais, e essa possibilidade já foi apresentada às Prefeituras de Betim e Contagem”, declarou.
Dentre os pontos questionados pelos municípios estão possíveis impactos ambientais e sociais, devido a alterações no trânsito em bairros povoados. Questionado sobre o tema, o subsecretário afirmou que todos os reflexos do projeto são monitorados por estudos.
“É importante desmistificar um pouco isso. Não existe impacto ambiental em Várzea das Flores. O impacto está em fase de estudo. Quando se fala impacto ambiental as pessoas falam isso sem mostrar estudos. O território de Várzea das Flores que vai ser cortado é um território de menos de 1% de Várzea das Flores. Os impactos que existem ali vão ter medidas mitigatórias. Caso algum problema aconteça ali, esses problemas não vão ser devidamente endereçados”, comentou Dalla sobre um possível problema apontado pela Prefeitura de Contagem.
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O Rodoanel, segundo Dallas, vai retirar entre 4 mil e 5 mil caminhões da área urbana de Belo Horizonte, o que deve evitar acidentes no Anel Rodoviário. A via vai passar por diferentes cidades da Região Metropolitana. Em agosto de 2022 a empresa italiana INC S.P.A arrematou o projeto por R$ 91 milhões. A empresa será responsável pela obra e administração da via, que terá pedágios instalados.
Durante a entrevista, Dalla também detalhou projetos do Governo em relação a terminais de ônibus na Região Metropolitana, a conexão rodoviária de cidades turísticas com acesso reduzido e o plano de mobilidade para o estado.
Aaron Duarte Dalla é formado em administração pública pela Fundação João Pinheiro, em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e mestre em gestão estratégica pela UFMG. Servidor público desde 2005, Dallas também tem pós-graduação em direito público e passagens pelas Secretarias de Planejamento e de Segurança Pública.
Veja a íntegra da entrevista:
BHAZ: As Prefeituras de Betim e Contagem questionam o traçado do Rodoanel e sinalizam que não vão liberar a licitação sem a revisão dele. O Governo Estadual pretende reavaliar o projeto?
AARON: A gente está muito tranquilo. O Rodoanel é um projeto de grande relevância para a mobilidade urbana também. Ele, junto com o metrô, a gente entende que são os dois projetos transformadores da mobilidade na Região Metropolitana, e o Rodoanel tem uma importância não só para a Região Metropolitana, como também para o Brasil. Muitas das cargas que trafegam no Brasil, seja de norte a sul ou de leste a oeste, acabam passando por Minas Gerais, e o Rodoanel vai tirar muito dessa carga do Anel Rodoviário.
O Rodoanel é uma rodovia que vamos construir, aproximadamente, 70 km e que vai ter essa característica de muito transporte de carga, tirando esses veículos do Anel Rodoviário e reduzindo o número de acidentes. São de 4.000 a 5.000 que a gente tira por dia da área urbana. A gente vem dialogando com os municípios. Realmente, temos alguma dificuldade com Contagem e Betim, mas estamos muito próximos da prefeita, estamos conversando com ela. A gente também vem conversando com Betim. Foi proposto um traçado que foi avaliado sob diversos aspectos, como econômico, financeiro e ambiental, e chegou-se à conclusão de que o traçado licitado é o que melhor atenderia sobre todos esses quesitos. Já foram feitas alterações no traçado para adequar alguns pontos de Contagem e Betim.
O traçado do Estado foi o traçado de diretriz. Algumas alterações foram feitas, por exemplo, no bairro Nascentes Imperiais, onde passaria em cima de diversas casas de pessoas vulneráveis, mas a gente conseguiu fazer um desvio. Hoje, o impacto ali vai ser mínimo. Também fizemos outras adequações. Então, existe possibilidade de adequações pontuais dentro do traçado e isso, inclusive, já foi colocado para os municípios de Betim e Contagem.
BHAZ: A Prefeitura de Contagem afirma que o traçado atual causa impacto ambiental ao se aproximar da represa Várzea das Flores, que abastece a Grande BH, e causa impacto social ao dividir bairros populosos ao meio. A alteração já feita no projeto soluciona esses questionamentos?
AARON: É importante desmistificar um pouco isso. Não existe impacto ambiental em Várzea das Flores. O impacto está em fase de estudo. Quando se fala em impacto ambiental, as pessoas falam isso sem mostrar estudos. O território de Várzea das Flores, que vai ser cortado, é um território de menos de 1% de Várzea das Flores. Os impactos que existem ali vão ter medidas mitigatórias. Caso algum problema aconteça ali, esses problemas vão ser devidamente endereçados.
Os estudos apontam que o Rodoanel tem impacto mínimo em Várzea das Flores. É importante a gente entender que os benefícios desse projeto superam muito qualquer tipo de impacto que exista.
Não existe risco de desabastecimento em Belo Horizonte ou de esvaziamento [da represa] de Várzea das Flores. É importante deixar isso muito claro. Os estudos estão protocolados na Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad) e são públicos. Qualquer pessoa pode acessar. Eles demonstram muito claramente isso que a gente está colocando.
BHAZ: O governo tem valorizado o lançamento de rotas turísticas, como a do queijo, do frango e do vinho. O que temos de projeto para o interior em relação à conexão rodoviária?
AARON: Dentro do Estado, hoje a gente está no sistema intermunicipal. Nós temos uma parceria hoje com a Codemge [Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais] para fazer um estudo mais aprofundado de como a gente pode repensar essas linhas. Hoje, se você for pegar os grandes deslocamentos dentro do Estado, a gente vê que são dos principais polos para Belo Horizonte. Isso é o que pauta o sistema, porém, a gente tem outras linhas que existem. Hoje, temos mais de 750 contratos. Esses contratos, às vezes, têm mais de uma linha.
Muitas dessas linhas não se mostram viáveis economicamente. Então, o que acontece é uma espécie de subsídio cruzado, onde uma linha mais rentável acaba sustentando uma linha menos rentável. A gente vem estudando essa distribuição de linhas para tentar entender melhor como conseguimos enxergar essas linhas de forma agregada para melhorar a prestação de serviço. Obviamente, nisso a gente inclui as rotas turísticas e outros aspectos, como o econômico. Hoje, se você for olhar os motivos de deslocamento, a gente percebe que muitas das pessoas se deslocam para tratamento de saúde ou para estudar, mas também existem muitas pessoas que vêm a Belo Horizonte para passear.
BHAZ: Existem conversas para a construção de outros terminais rodoviários em Belo Horizonte?
AARON: Não. Nós temos discutido vários outros terminais. Temos hoje um estudo para a iniciativa de concessão ou parceria público-privada em terminais. A gente acredita que, até o final do ano que vem, esse estudo vai estar finalizado. Para além disso, fizemos uma parceria com a cidade de Santa Luzia para a implantação de um terminal lá, no valor aproximado de R$ 10 milhões. Nós já assinamos o acordo de cooperação técnica para a implantação desse terminal. O projeto executivo já tinha sido aprovado, então o município está licitando.
Também estamos em fase final de avaliação da implementação de algumas estações na MG-010, que vão melhorar um pouco o trajeto para as pessoas que hoje precisam chegar ao Morro Alto para depois vir a Belo Horizonte. A estação MG-010 vai reduzir um pouco o tempo de deslocamento até o terminal Morro Alto.
BHAZ: O Governo tem o Plano do Uso Racional dos Modais Individuais Motorizados. Em que fase está o projeto?
AARON: O plano de mobilidade tem um planejamento e ações voltadas para a mobilidade ativa, onde a força de deslocamento origina-se da própria pessoa. Temos a previsão de algumas ciclovias para incentivo ao transporte por bicicleta, que eu acho que hoje é o principal projeto nessa área de mobilidade ativa.
Um ponto importante em relação ao metrô é que ele vai ter áreas para guardar a bicicleta. Hoje se fala muito sobre a micromobilidade, que basicamente é o deslocamento de última milha. Existe uma preocupação muito grande com o deslocamento que as pessoas fazem de casa ou do trabalho até o meio de transporte principal, que seria o ônibus ou metrô. O município de Belo Horizonte tem a meta de implantação de ciclovias. Hoje a gente acaba tendo também um pouco de micromobilidade por meio de bicicleta elétrica e monociclo.
Então, o metrô vai ter bicicletário e local de guarda.
BHAZ: Há previsão para renovação da frota dos ônibus metropolitanos?
AARON: Acho importante colocar uma ação nossa, que é um acordo que fizemos agora no âmbito do Tribunal de Contas com o Ministério Público para trocar 800 ônibus. Até o início do ano que vem, vamos colocar aproximadamente 600 ônibus novos no sistema e, no ano que vem, mais 250. Todos esses ônibus são Euro 6, que emitem menos poluentes. Estamos falando da troca de aproximadamente um terço dos ônibus do sistema metropolitano, que tem cerca de 2.400 ônibus. Hoje temos uma idade muito avançada na frota, de quase 11 anos. Com isso, vamos reduzir a idade média para aproximadamente 7 anos, trazendo uma melhoria significativa na qualidade do sistema.










