Estudantes do curso de Biomedicina de uma faculdade em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, denunciam uma colega de classe que teria desviado cerca de R$ 7 mil de um fundo compartilhado entre a turma. Em conversa com ao BHAZ, as vítimas disseram que o dinheiro seria usado para pagar a Cerimônia do Jaleco, uma festa que celebra o início da jornada acadêmica e profissional dos estudantes da área da saúde.
Em nota conjunta, as pessoas lesadas explicam que a suspeita — que será identificada como ‘V’ nesta matéria devido ao curso das investigações ainda em andamento — estava responsável por organizar todo o evento. “Ela se prontificou a fazer a cerimônia e confiamos nela”, afirma o comunicado. De acordo com a turma, V teria marcado a festa para o dia 26 de fevereiro, mas, às vésperas da data, informou que enfrentava problemas de saúde e precisaria passar por uma cirurgia. Em seguida, ela teria pedido que a comemoração fosse adiada para 5 de abril, o que foi aceito pelos colegas.
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No entanto, pouco antes da nova data, os alunos descobriram que nada havia sido contratado: não havia local reservado nem qualquer fornecedor confirmado. “Foi aí que percebemos o golpe”, relatam. Os estudantes explicam que V teria afirmado que havia conseguido um espaço gratuito com o apoio de um vereador, mas, ao entrarem em contato com o responsável pelo local, foram informados de que ninguém conhecia a suspeita e não existia qualquer contrato ou agendamento em nome dela.
Suspeita cancela a festa
Após descobrirem que nada havia sido contratado, os estudantes começaram a questionar V sobre os contratos, os repasses e o andamento da cerimônia. De acordo com as vítimas, V supostamente disse que estava se sentido pressionada e não iria mais ficar responsável pelo evento, mas também não devolveu o dinheiro dos colegas e passou a evitar contato com os mesmos.
“Em um determinado momento, ela disse que a conta dela estava bloqueada e pediu para que a gente transferisse o dinheiro pra uma conta da irmã dela. Depois de tudo o que aconteceu, começamos a pedir o dinheiro de volta, mas ela bloqueou o telefone e as redes sociais. Tentamos contato com essa irmã dela, que disse que não iria se envolver”, afirma a turma. Após isso, os alunos registraram boletins de ocorrência contra V, aos quais o BHAZ teve acesso.
A reportagem também obteve prints de uma suposta conversa entre os estudantes e V. Nas mensagens, a suspeita afirma estar tratando um câncer na tireoide e propõe uma nova data para a cerimônia. Em um dos trechos, um dos alunos questiona o fato de o local do evento não ter sido agendado e afirma que quer “ajudar a colega, mas também reaver seu dinheiro”. V responde dizendo que teria “bloqueado” a conta que usou para receber os repasses da turma, mas que estaria tentando resolver a situação. Veja abaixo:






O que diz a acusada?
Em conversa com o BHAZ, a mulher acusada de furto pelos colegas disse que de fato estava responsável pela cerimônia, que recebeu o dinheiro da turma e não devolveu por estar com as “contas bloqueadas pela Justiça”. Ela explica que está com um processo em aberto para pagar os honorários de um advogado e, por isso, a Justiça teria bloqueado a conta dela. A reportagem entrou em contato com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais para confirmar a informação, mas não obteve retorno.
Segundo a suspeita, essa não seria a primeira vez que ela se disponibilizou a organizar eventos pra turma, “mas foi a primeira que deu problema”. Além disso, ela conta que teria recebido apenas R$ 4.900 dos colegas e não R$ 7 mil. “O pagamento foi feito em três parcelas, mas não foram todos que pagaram. E o reembolso também seria devolvido em parcelas, mas eu estou com todas as minhas contas bloqueadas e não consigo devolver o dinheiro agora”, disse ela.
Ao ser questionada pela reportagem o motivo de ter adiado a festa, V disse apenas que tomou a decisão por “motivos pessoais” e por estar com “problemas de saúde”, mas não confirmou se estava ou não tratando um câncer de tireoide.
V também enviou prints ao BHAZ de supostas mensagens que estaria recebendo de ameaças para devolver o dinheiro. Em uma das mensagens, o suposto namorado de uma das alunas teria falado que “iria arregaçar” e “descer a madeira” em V caso ela não devolvesse o dinheiro dos colegas. A mulher afirmou que registrou boletim de ocorrência sobre as ameaças que vem sofrendo. A reportagem tentou ter acesso aos boletins, mas a estudante de biomedicina disse que o número que ela recebeu para acessar o B.O. digital está incorreto.
O que diz a irmã da acusada
A irmã de V disse à reportagem que não recebeu nenhuma transferência bancária. “Eu já procurei no meu extrato bancário e não encontrei, elas também não enviaram nenhum comprovante sobre isso”, afirma. Ela conta ainda que vem recebendo acusações sobre um assunto do qual ela não está envolvida. A mulher disse ainda que a irmã é “maior de idade” e “não vai responder pelo ato de outras pessoas”.
“Estou sendo importunada no meu local de trabalho, inclusive nos telefones da empresa, o que tem me prejudicado. Quero muito que essa situação se resolva para todas, mas não posso e não quero fazer parte disso. Minha irmã é maior de idade, não mora comigo e não posso me responsabilizar por ela. Eu, sequer, conheço essas meninas. Sou mãe solo e trabalho para sustentar minha filha, não posso ser responsabilizada pelos atos de outras pessoas”, frisou ela.
A reportagem também entrou em contato com a faculdade e com a Polícia Civil de Minas Gerais. Se as repostas forem enviadas, a matéria será atualizada.











