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Após arranhão, lutador de jiu-jítsu desenvolve infecção bacteriana em academia de BH e passa a usar bengala

02/07/2026 às 19h14
(Imagens cedidas ao BHAZ)

Após sofrer um pequeno arranhão na canela durante um treino de jiu-jítsu, Lucas Jonas da Mota, de 30 anos, adquiriu uma infecção em uma academia. Com a evolução da infecção, Lucas precisou interromper a rotina de treinos e passou a utilizar uma bengala para conseguir andar. De acordo com a médica Adriana Franca Araújo, casos como esses são relativamente comuns, já que o grande fluxo de pessoas favorece a concentração de microrganismos nesses espaços, tornando essenciais os cuidados para evitar contaminações.

No caso do designer gráfico e lutador de jiu-jítsu, o ferimento aconteceu no dia 18 de junho, durante um treino. A lesão era pequena e não chamou atenção no primeiro momento, mas dias depois, ele começou a apresentar febre recorrente, sensação de queimadura e dificuldade para caminhar. “O único lugar que fui além do trabalho foi a academia. A médica me explicou que esse tipo de situação pode acontecer quando existe um machucado e há contato com microrganismos”, relata.

Apesar do episódio, Lucas afirma que sempre teve o hábito de higienizar os aparelhos antes de utilizá-los. Mas, mesmo assim, acabou contraindo a infecção. “Quando eu pisava, parecia que tinha uma garrafa de água balançando dentro da perna. Ela inchou muito, ficou quente e a pele ganhou uma aparência parecida com queimadura. O inchaço ainda é o que mais demora para passar”, conta.

Transmissão

Segundo a médica Adriana França Araújo, academias são ambientes de circulação de microrganismos como qualquer outro local frequentado por muitas pessoas. A diferença é que o grande fluxo de usuários, aliado ao calor e à umidade, favorece a permanência de vírus, fungos e bactérias em superfícies compartilhadas. “Nosso corpo é coberto por microrganismos e, mesmo após o banho, eles continuam presentes, apenas em menor quantidade. Toda vez que o suor fica em um aparelho, colchonete ou tatame, parte desses microrganismos permanece ali e pode ser transmitida por contato”, explica.

Ela ressalta que a transmissão acontece principalmente pelas mãos. “A pessoa encosta no equipamento e depois leva a mão ao rosto ou a uma região onde existe uma lesão na pele. Quando há uma quebra dessa barreira natural, como um corte ou arranhão, a infecção pode se desenvolver.”

Nos esportes de contato, como jiu-jítsu e judô, o risco à saúde exige atenção redobrada. Isso porque pequenos ferimentos são comuns durante os treinos e podem servir de porta de entrada para bactérias. Além disso, a proximidade entre os atletas favorece a transmissão de vírus respiratórios, enquanto fungos costumam ser mais frequentes em áreas úmidas, como os chuveiros.

A médica destaca, que o contato com esses microrganismos nem sempre resulta em infecção e que o risco aumenta quando a pessoa apresenta baixa imunidade ou quando existe uma lesão na pele.

Como prevenir

Mesmo que não seja possível esterilizar completamente os equipamentos de uma academia, algumas medidas ajudam a reduzir o risco de contaminação. A especialista orienta higienizar os aparelhos antes do uso, utilizar álcool nas mãos até a secagem completa, tomar banho após os exercícios, usar chinelos nos vestiários e chuveiros e evitar compartilhar garrafas de água ou objetos de uso pessoal.

Outra recomendação é evitar frequentar a academia quando estiver doente. “Além de permitir que o organismo se recupere, essa atitude diminui a chance de transmitir vírus e outros agentes infecciosos para as demais pessoas”, afirma.

Ainda em recuperação, Lucas espera voltar à rotina de treinos o quanto antes. Enquanto isso, diz que pretende usar a própria experiência como alerta para que outras pessoas redobrem os cuidados com qualquer ferimento, por menor que pareça.

Isadora Vianna

Estudante de jornalismo pela PUC Minas e estagiária do BHAZ desde fevereiro de 2026. Atuou na redação da Record Minas e na comunicação interna do Grupo Valence

Isadora Vianna

Email: [email protected]

Estagiária do BHAZ

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