Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram um conjunto inédito de fragmentos de proteínas do parasita plasmodium que pode permitir a criação de uma vacina mais abrangente contra a malária. A descoberta foi publicada na revista Nature no dia 1º de julho. O estudo propõe um imunizante capaz de atuar em diversas fases da doença e proteger contra diferentes espécies do parasita.
Avanço da Fiocruz na vacina contra malária
O estudo mapeou alvos imunes que podem ampliar a proteção do organismo contra o plasmodium. Atualmente, as vacinas disponíveis possuem eficácia parcial e focam principalmente na espécie P. falciparum.
A nova abordagem busca preencher uma demanda da Organização Mundial da Saúde por imunizantes mais eficazes. O objetivo é criar uma proteção que não diminua rapidamente com o tempo.
A abordagem inovadora: linfócitos T CD8
Diferente das vacinas comuns, que focam na produção de anticorpos, a equipe da Fiocruz investigou o papel dos linfócitos T CD8+. Essas células de defesa conseguem localizar e destruir diretamente as células já infectadas pelo parasita.
A pesquisadora Caroline Junqueira, coordenadora do estudo na Fiocruz Minas, afirma que encontrar bons alvos vacinais era um dos principais desafios há mais de 50 anos. O trabalho demonstra que as células T CD8+ são centrais no combate à doença.
Alvos universais e proteínas housekeeping
Os cientistas identificaram 453 peptídeos derivados de 166 proteínas do parasita que aparecem na superfície das células infectadas. A maioria desses fragmentos pertence a proteínas chamadas housekeeping, que são essenciais para a sobrevivência do plasmodium.
Essas proteínas são altamente conservadas entre diferentes espécies e necessárias em todos os estágios do ciclo de vida do parasita. Tal característica torna esses alvos promissores para o desenvolvimento de uma vacina universal.
Resultados dos testes e eficácia
A resposta imunológica foi confirmada em cinco espécies diferentes de plasmodium. Os testes envolveram humanos infectados por P. vivax e P. falciparum, além de modelos animais com primatas e camundongos.
Em modelos animais, a indução de resposta ocorreu em órgãos essenciais como o sangue e o fígado. Alguns desses alvos chegaram a reduzir a carga parasitária nos animais, indicando um efeito protetor real.
Apesar do progresso, a descoberta ainda exige novas etapas de validação e testes clínicos antes de se tornar um imunizante disponível.








