TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp

Greve em BH: audiência de conciliação entre prefeitura e professores termina sem acordo

02/07/2025 às 17h03
(Cecília Pederzoli/TJMG)

A audiência de conciliação entre professores da rede municipal em greve e representantes da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), realizada nesta quarta-feira (2), terminou sem acordo entre as partes. A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que mediou o diálogo.

O encontro, presidido pelo desembargador do TJMG, Leopoldo Mameluque, contou com a participação do procurador do Ministério Público de Minas Gerais, Júlio Cézar Luciano; da secretária municipal de Educação, Natália Araújo; do secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, Bruno Passeli; do secretário municipal da Fazenda, Pedro Meneguetti; do procurador-geral do Município, Hércules Guerra; da diretora do Sind-Rede, Vanessa Portugal Barbosa; e dos advogados Luciene de Jesus do Nascimento e Luiz Carlos Bittencourt Silva.

Veja também


Conforme o TJMG, as duas partes apresentaram seus argumentos, propostas e contrapropostas, mas não houve consenso.

Os representantes do Sind-Rede afirmaram que uma assembleia geral da categoria deve ser realizada nesta quinta-feira (3), a partir das 14h, para discussão das propostas apresentadas na audiência de conciliação.

Também será marcada uma nova reunião com a PBH, antes da assembleia, para rever os pontos debatidos e encontrar possíveis novas propostas a serem apresentadas aos professores municipais.

Desembargador avalia encontro

Para o desembargador Leopoldo Mameluque, a audiência foi produtiva e avanços foram conquistados, apesar de não se ter chegado a um acordo.

“Logicamente, o sindicato não pode resolver nada sem consultar os membros da assembleia geral. Foi feito um avanço na proposta inicial apresentada, como rodar uma nova folha de pagamento para anular o cancelamento do ponto, além de outras propostas que serão analisadas pela categoria”, afirmou.

Ele ressaltou que o Poder Judiciário estadual está aberto a receber novamente as partes para uma nova reunião conciliatória, caso desejem.

“É interesse de todos que esse impasse se resolva o quanto antes. Estaremos aqui para colaborar de todas as formas possíveis. Sabemos que é sempre melhor que tudo seja resolvido sem a necessidade de imposição, e sim, por meio da conciliação”, disse.

Negociações

A greve foi aprovada no dia 5 de junho. Os profissionais rejeitaram a proposta de reajuste salarial apresentada pelo Executivo Municipal, que ofereceu um aumento de 2,49% aos educadores. O índice, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (SindRede-BH), está abaixo do reajuste do Piso Nacional do Magistério para 2025, fixado em 6,27%.

Na última quarta-feira (25), a administração municipal apresentou uma nova proposta para tentar pôr fim à greve: a quitação, até o final deste ano, das férias-prêmio calculadas e já processadas no primeiro semestre. De acordo com a PBH, um adicional de até R$ 30 milhões será destinado para o cumprimento do plano.

“As férias-prêmio são concedidos a cada cinco anos de trabalho, quando o servidor adquire o direito a três meses de licença remunerada. No caso da Educação, há possibilidade também de recebimento do benefício em espécie”, explicou o executivo em comunicado.

A PBH informou ainda que apresentou outras medidas para tentar um acordo com os trabalhadores. Entre elas, se mantém a proposta de recomposição de 2,49%, que, conforme a prefeitura, recompõe a inflação registrada nos quatro primeiros meses deste ano. “A inflação de 2024 não foi levada em consideração porque o reajuste concedido no ano passado já contemplou todo o índice registrado e ainda houve ganho real nos contracheques”, diz o executivo.

O Município prometeu também a correção inflacionária de 12 meses, ou seja, de maio a abril de 2026. O período corresponde à data-base fixada para o funcionalismo municipal, que é 1º de maio de cada ano. “Além disso, será feita a recomposição escalonada das perdas inflacionárias acumuladas entre 2017 e 2022, medidas pelo INPC [Índice Nacional de Preços ao Consumidor], ao longo dos próximos dois anos”, completa.

Professores rejeitam propostas

Ao BHAZ, a presidente do Sind-Rede/BH, Vanessa Portugal, disse que o plano apresentado pela PBH não atende às necessidades da categoria. “Nós colocamos para a prefeitura que isso era insuficiente, porque desconhecia as perdas anteriores, quanto as perdas relativas às alterações na carreira e às diferenças de recomposição com relação ao piso”, pontuou.

A PBH se comprometeu a nomear 376 profissionais para os anos iniciais e outros professores aprovados em concurso vigente. O número também não foi aprovado pelo sindicato de professores: “É insuficiente para suprir as demandas que estão colocadas na escola. Isso é um ponto importante da nossa greve, mas isso independente da greve é uma obrigação da prefeitura, porque ela tem que garantir que tenha professor nas escolas para atender às crianças”.

Segundo o sindicato, o reajuste de 2,49% desvaloriza os profissionais da educação, mesmo diante do aumento na arrecadação municipal e do repasse ampliado de recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). Além disso, a entidade afirma que os recursos destinados à educação vêm sendo utilizados de forma desconectada das reais necessidades das escolas.

“A educação é tratada como prioridade somente no discurso eleitoral. Depois o que os eleitos fazem com o dinheiro da educação é qualquer coisa. Nós temos um descaso absoluto com a educação na cidade”, diz Portugal.

Outro ponto questionado pelos trabalhadores é a inclusão do vale refeição na proposta de recomposição salarial: “A prefeitura apresenta o vale refeição como se fosse uma recomposição salarial. E nós não estamos substituindo uma coisa pela outra. Salário é salário: incide na carreira, na aposentadoria e a prefeitura de Belo Horizonte tem condições de atender às nossas reivindicações. Vale refeição não é recomposição salarial”.

Isabella Guasti

Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022 e também de reportagem premiada pelo Sebrae Minas em 2023. Vencedora do prêmio CDL/BH de jornalismo 2024.
InstagramLinkedIn

Isabella Guasti

Email: isabella.guasti@bhaz.com.br

Jornalista

InstagramLinkedIn

Mais lidas do dia

TV Alterosa é condenada a pagar R$ 140 mil a Caetano Veloso após apresentador chamar cantor de ‘pedófilo’

tv alterosa condenada pagar caetano veloso

‘Soco no estômago’: Réporter da Globo Minas relata caso de racismo um mês após se mudar para BH

jornalista globo racismo bh

Câmara aprova, em primeiro turno, reajuste para servidores de BH

DJ que tentou ‘arrancar útero’ da ex em BH vai a júri popular

Estudante de 14 anos morre após passar mal dentro de escola do Sesi em BH

Estudante morre após passar mal em escola do Sesi em BH

Leia mais

Acompanhe com o BHAZ