Nesta semana, quatro casos de feminicídio, dois consumados e dois tentados, explicitaram o aumento de casos de violência contra a mulher em Belo Horizonte. Na última década, 177.258 mil casos foram registrados na capital mineira, um aumento de 7,63% de 2016 a 2025. No mesmo período em Minas, foram 1.466.100 de casos, sendo que somente BH representa 12,09% desse total. Stifanie Firmino Silva, de 35 anos, assassinada em sua casa, a capitã da PM Michele Leão Azevedo, de 41 anos, levada já morta para o hospital, uma mulher de 31 anos que sobreviveu após ser arremessada da sacada de um imóvel pelo companheiro e uma idosa de 64 anos agredida pelo marido no bairro Serra, fazem parte dessa estatística.
Dados da Secretária de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que, em 2016, Belo Horizonte registrou 17.982 casos de violência doméstica e familiar contra a mulher e, em 2025, foram 19.139, um aumento de 6,43%. As ocorrências são diversas e tratam de ameaça, lesão corporal, agressão, vias de fato, descumprimento de medida protetiva, injúria, estupro de vulnerável, difamação e abandono de incapaz. Ao todo, são 213 formas de violência que podem ser categorizadas.
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Nos últimos 10 anos, os casos de BH representam 47,38% dos 374.120 casos contabilizados em toda a Região Metropolitana. Em outras palavras, praticamente 1 em cada 2 casos registrados na região ocorreu na capital.
De 2016 a 2025, as cidades de Minas registraram juntas 1.466.100 de casos de violência contra a mulher. Em 2016, esse número era de 145.750 mil casos.
Mortes violentas x Feminicídios
Na contramão da queda das mortes violentas intencionais em Minas Gerais, que caiu de 3.219 em 2024 para 2.770 (-13,95%) em 2025, o número de feminicídios teve alta no período, passando de 169 para 177 (+4,73%), segundo o Anuário Brasileiro da Segurança Pública de 2026, divulgado nesta quinta-feira (23).
Entram na estatística de mortes violentas intencionais os homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.
Em uma década, os casos de feminicídio tiveram alta de 32,08%, passando de 134 para 177. Em 10 anos, foram 1.585 casos.
Segundo dados da Sejusp, até junho de 2026, a capital já registrou 21 casos de feminicídios. Desse total, 15 foram classificados como tentativas de feminicídio e seis como feminicídios consumados.
Caso Stifanie – mulher encontrada morta em apartamento no bairro Camargos
Stifanie Firmino Silva, de 35 anos, foi encontrada morta na segunda-feira (20), dentro do apartamento onde morava, no bairro Camargos, na região Oeste de Belo Horizonte.
Imagens de segurança registraram o momento em que André Junior Silva de Carvalho, de 24 anos, suspeito do crime, deixou o imóvel com malas e mancando. Ele foi preso nesta terça-feira (21), após se entregar voluntariamente, e confessou o crime.
A Polícia Civil investiga a possibilidade de que o homem tenha saqueado o apartamento da vítima. Após prestar depoimento no Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), André foi levado pelos policiais para reconhecer pertences que teriam sido furtados.
A investigação também apura as circunstâncias da morte, após amigas e vizinhos perceberem mudanças no comportamento de Stifanie antes de ela ser encontrada sem vida.
Caso Capitã da PM – Michelle Leão Azevedo é levada morta ao hospital
A capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michelle Leão Azevedo, de 41 anos, foi deixada morta no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite de segunda-feira (20) pelo seu companheiro.
O principal suspeito do crime é o companheiro dela, o também policial militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, que foi preso e permanece em uma unidade da Polícia Militar.
Segundo o boletim de ocorrência, a oficial apresentava diversas lesões traumáticas pelo corpo, incluindo traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nos membros, marcas compatíveis com chicotadas e um extenso ferimento na cabeça.
A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio . A Justiça converteu a prisão do suspeito em preventiva, e o processo tramita em sigilo.
Caso mulher jogada pela sacada no bairro Jonas Veiga
Uma mulher de 31 anos foi socorrida após ser arremessada da sacada de um imóvel pelo companheiro na manhã desta terça-feira (21), no bairro Jonas Veiga, na região Leste de Belo Horizonte.
Segundo a Polícia Militar, a vítima caiu do terceiro para o segundo andar da residência e sobreviveu. Ela foi encontrada pelos militares caída no local, parcialmente despida, com o sutiã rasgado e com intenso sangramento na região da cabeça.
O homem, de 30 anos, foi preso em flagrante por feminicídio tentado, dano qualificado e desacato. De acordo com a PM, uma amiga da vítima relatou que o suspeito teria agredido a mulher com garrafas de bebida alcoólica, além de socos e chutes, antes da queda.
A testemunha também afirmou que tentou intervir e acabou sendo agredida. A vítima foi encaminhada pelo Samu ao Hospital João XXIII, onde permanece internada em observação. A versão dela ainda não foi registrada devido ao estado de saúde.
Caso idosa agredida por marido no bairro Serra
Uma mulher de 64 anos foi agredida pelo marido, de 65 anos, na manhã desta quarta-feira (22), no bairro Serra, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar, o suspeito fugiu antes da chegada dos militares e, até o momento, não foi localizado. A ocorrência foi registrada por volta das 8h10, na rua Ramalhete.
De acordo com o relato da vítima aos policiais, ela foi agredida com socos e chutes no rosto, além de ter sido enforcada e ter a cabeça batida contra a parede e o chão. A mulher apresentou hematomas na face, no pescoço e na orelha. Ela também relatou sentir dores na clavícula esquerda, sem fratura aparente.
Ainda segundo a vítima, o companheiro tem diagnóstico de esquizofrenia, mas se recusa a fazer tratamento e utilizar medicação. Ela informou também que o homem já teria agredido os filhos em outras ocasiões e que vinha sofrendo ameaças recorrentes, temendo pela própria integridade física.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e encaminhou a mulher para o Hospital Ipsemg. A ocorrência foi registrada e encaminhada para as providências da Polícia Civil. Até o momento, o suspeito segue foragido.











