Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram um cabo híbrido à base de nanotubos de carbono que pode, no futuro, substituir os tradicionais fios de cobre utilizados na condução de eletricidade. A tecnologia, criada em parceria com a Petrobras, tem potencial para reduzir significativamente o peso de sistemas elétricos em setores como a indústria petrolífera e a aviação.
O material foi desenvolvido pelo Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno (CtNano/UFMG) e combina e fibras de nanotubos de carbono com outro material (protegido por propriedade intelectual), formando um cabo híbrido com alta resistência mecânica. Segundo os pesquisadores, a denisdade do novo material é cerca de 20 vezes menor que a do cobre, o que permite produzir cabos muito
A ideia surgiu a partir de uma demanda da Petrobras para substituir os cabos umbilicais utilizados em plataformas de petróleo. Como esses cabos percorrem grandes distâncias até o fundo do mar, reduzir seu peso pode diminuir custos de instalação e facilitar as operações. A tecnologia também pode beneficiar a aviação, já que aeronaves equipadas com fiação mais leve tendem a consumir menos combustível e podem transportar mais carga.
De acordo com o coordenador do projeto e professor do Departamento de Física da UFMG, Myriano Júnior, o objetivo é criar uma alternativa ao cobre, cuja oferta tem se tornado cada vez mais limitada e cara.
“Em vez de fazer o pó de nanotubos, fazemos uma estrutura contínua, na forma de um fio. Trata-se de um cabo híbrido porque ele é uma combinação de um fio de nanotubos com uma outra estrutura, no caso um material isolante. A ideia é que esse fio substitua os fios de cobre, que são os mais usados atualmente”, afirma Myriano.
Até o momento, os pesquisadores já produziram cerca de 40 metros do cabo em laboratório. O próximo desafio é aumentar a condutividade elétrica do material, que ainda é inferior à do cobre. Segundo a equipe, essa etapa é essencial para que a tecnologia possa ser utilizada em larga escala. A patente do cabo está em análise pela Petrobras e pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Além da aplicação em plataformas de petróleo e aeronaves, o cabo híbrido pode ser utilizado em sensores de alta sensibilidade, dispositivos eletroquímicos e componentes eletrônicos.
O projeto foi reconhecido com o Prêmio Inventor Petrobras 2026, concedido a pesquisas que resultam em tecnologias patenteáveis. Para os pesquisadores, o reconhecimento reforça a importância da parceria entre universidades e a indústria no desenvolvimento de soluções estratégicas para o país.










