Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estão recrutando adolescentes de todo o Brasil para um estudo que pretende investigar como os ambientes familiar, escolar, comunitário e digital influenciam o acesso e o consumo de bebidas alcoólicas entre jovens de 12 a 19 anos.
A iniciativa faz parte do projeto Juventudes, Álcool e Influências Ambientais (Jaia), desenvolvido pela Escola de Enfermagem da UFMG. O levantamento será realizado por meio de um questionário on-line, anônimo e autoaplicável, que leva cerca de 15 minutos para ser respondido.
O estudo surge diante de um cenário preocupante. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) mostram que cerca de 28% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos relataram ter consumido bebidas alcoólicas recentemente.
Segundo a coordenadora da pesquisa, professora Mariana Carvalho de Menezes, do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG, compreender a realidade vivida pelos adolescentes é fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas de prevenção.
“Nossos objetivos são caracterizar o ambiente comunitário de venda de bebidas alcoólicas ao redor de escolas brasileiras segundo a dependência administrativa (pública ou privada) e características socioeconômicas; descrever a percepção dos estudantes sobre o ambiente comunitário, domiciliar e digital; avaliar o comportamento de compra e consumo de álcool, a percepção de normas sociais relacionadas ao uso e sua associação com violência, além de aspectos de gênero e raça/cor; e caracterizar a oferta e a publicidade de bebidas alcoólicas em aplicativos utilizados pelos estudantes”, explica a pesquisadora.
Quem pode participar
A pesquisa é destinada a adolescentes de 12 a 19 anos, matriculados em escolas públicas ou privadas de qualquer região do país.
O questionário pode ser respondido na própria escola, quando a instituição participa do estudo, ou de forma remota, pela internet. A participação é anônima e, além de contribuir para a produção científica, ajudará os pesquisadores a compreenderem como diferentes contextos sociais, familiares e digitais podem facilitar ou dificultar o acesso às bebidas alcoólicas.
O projeto é desenvolvido em parceria com pesquisadores de diversas instituições brasileiras e conta com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Saúde.
Entre os resultados esperados estão a produção de evidências científicas para subsidiar políticas públicas de prevenção ao consumo precoce de álcool, incluindo propostas para restringir a venda de bebidas alcoólicas nas proximidades de escolas, regulamentar a publicidade e a oferta de álcool em ambientes digitais e ampliar ações educativas voltadas a crianças e adolescentes.









