A mãe da capitã da Polícia Militar Michelle Leão Azevedo, de 41 anos afirmou, em depoimento, que a filha mantinha um relacionamento que considerava abusivo com o também militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, suspeito de matar a policial. Segundo Margery, o casal tinha uma relação marcada por controle psicológico e por comportamentos que, na avaliação dela, demonstravam influência excessiva de Eduardo sobre Michele.
De acordo com o relato, Eduardo exercia forte influência sobre a filha, que atendia às determinações dele. Margery afirmou ainda que o relacionamento entre os dois foi marcado por separações e reconciliações ao longo de aproximadamente sete a oito anos.
A mãe contou que tinha um compromisso marcado com Michele nessa segunda-feira (21) e que, às 10h05, a filha atendeu uma ligação falando em voz baixa e informou apenas que não poderia comparecer ao encontro. Depois disso, Margery disse que enviou diversas mensagens ao longo do dia, mas não recebeu respostas.
Segundo o depoimento, Eduardo também teria tratado de forma agressiva Richard, ex-companheiro de Michele e pai do filho dela. Por causa disso, a criança tinha costume de ficar sob os cuidados da avó materna, em vez de ficar na residência da vítima. Margery afirmou ainda que passou a suspeitar do consumo de drogas por Michele após o início do relacionamento com Eduardo, acreditando que o comportamento teria ocorrido por influência dele. Ela esclareceu, porém, que a filha nunca relatou diretamente sofrer ameaças ou agressões.
Segundo a mãe, a filha Melissa contou que Michele dizia considerar Eduardo uma pessoa narcisista e que tentava encerrar o relacionamento, mas ele não aceitava a separação. Ainda conforme o relato, Melissa teria informado que Michele contou sobre um episódio em que Eduardo teria empunhado uma faca durante uma discussão.
Relatos de controle e humilhações
Ainda de acordo com o depoimento, Margery afirmou que Eduardo diminuía Michele e a submetia a situações de humilhação. Segundo ela, o militar dizia que a companheira deveria se sentir privilegiada por tê-lo ao lado e a chamava de “vagabunda” de forma reiterada.
A mãe da capitã relatou também que, há cerca de três anos, após uma discussão entre o casal, Eduardo teria permanecido em frente à residência da família aguardando Michele, em um comportamento que ela classificou como insistente, controlador e obsessivo.
Sargento alegou que a vítima recusou atendimento médico após cair de uma escada
Ainda de acordo com o depoimento do sargento Eduardo, registrado no boletim de ocorrência, a capitã Michelle teria caído da escada da residência do casal por volta do meio-dia, sofrendo um corte profundo na cabeça e lesões na boca. O sargentoo afirmou que prestou os primeiros socorros, controlou o sangramento, deu banho na companheira e a colocou para descansar. Segundo ele, ela recusou atendimento médico por estar constrangida com o estado em que se encontrava após o consumo de drogas.
O militar alega que os dois dormiram durante toda a tarde e que, somente por volta das 21h, percebeu que ela não respondia aos estímulos, decidindo levá-la ao Hospital Odilon Behrens, na região Noroeste de BH.
Durante a perícia realizada no apartamento do casal, foi apreendido um cabo de madeira quebrado que, segundo avaliação preliminar, pode ter sido utilizado para agredir a vítima. Também chamou a atenção dos investigadores o fato de as roupas de cama estarem lavadas e ainda molhadas dentro da máquina de lavar. O celular do suspeito e a substância encontrada no hospital também foram recolhidos para perícia.
Policial militar já estava morta quando chegou ao hospital
A capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michelle Leão Azevedo, de 41 anos, foi deixada morta no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite dessa segunda-feira (20). Segundo o boletim de ocorrência, a oficial apresentava lesões traumáticas por todo o corpo, incluindo traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nos membros, marcas compatíveis com chicotadas e um extenso ferimento na cabeça. O principal suspeito do crime é o companheiro dela, o também policial militar, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, que foi preso e permanece, agora, em uma unidade da Polícia Militar.
De acordo com a equipe médica, a capitã Michelle chegou ao hospital por volta das 21h35 já em parada cardiorrespiratória e sem sinais vitais. A médica responsável pelo atendimento informou que o quadro era compatível com uma morte ocorrida entre quatro e seis horas antes da chegada à unidade. Diante da gravidade das lesões e das circunstâncias do caso, a Polícia Militar foi imediatamente acionada.
Ainda no hospital, os militares que acompanhavam o companheiro da vítima flagraram o homem descartando uma pequena caixa metálica em uma lixeira do banheiro. No recipiente, foram encontrados comprimidos com características semelhantes ao ecstasy, material apreendido para investigação.
Em nota, a defesa do sargento da PM disse que “é imprescindível que se aguarde a conclusão das investigações e dos laudos periciais, evitando-se qualquer julgamento precipitado. O caso ainda está em fase inicial de apuração, e todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes”.










