Os primeiros laboratórios de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Vacinas, instalado no BH-TEC (Parque Tecnológico de Belo Horizonte), devem ser instalados até o fim de 2026. A novidade foi anunciada nesta segunda-feira (16) durante o evento que marcou a conclusão da primeira fase das obras do complexo científico. A solenidade contou com a presença da ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, que afirmou que o centro já se consolida como um dos principais polos de pesquisa da área no país. “Depois de dez anos de tantas soluções de pesquisa e da competência de ter se instalado e interagido com outras instituições, ele já chega fazendo parte e se consolidando entre os grandes centros”, disse a ministra.
O Centro Nacional de Vacinas foi projetado para integrar pesquisa, desenvolvimento e produção piloto de imunizantes em uma estrutura considerada inédita no país.
A cerimônia também reuniu a reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Goulart Almeida, professores da UFMG que fazem parte da coordenação do CT Vacinas e representantes do Governo de Minas Gerais.
Primeira fase concluída
A etapa finalizada contemplou a estrutura básica do complexo científico, incluindo dois blocos principais: um prédio voltado à pesquisa e desenvolvimento e outro destinado à planta piloto para produção de lotes clínicos de vacinas.
De acordo com a professora da UFMG Santuza Teixeira, uma das coordenadoras do CTVacinas, a próxima fase do projeto será dedicada à instalação da infraestrutura científica e tecnológica necessária para o funcionamento dos laboratórios.
A previsão é que os primeiros laboratórios de pesquisa e desenvolvimento estejam instalados até o fim de 2026 e comecem a operar no início de 2027. A planta de produção de lotes clínicos deve ser finalizada ao longo do mesmo ano.
Produção de vacinas experimentais
Segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, a planta de produção de lotes clínicos representa um avanço inédito no Brasil, por permitir a fabricação de imunizantes ainda em fase experimental.
Hoje, a produção desse tipo de lote costuma ser feita no exterior. A nova estrutura permitirá que vacinas em fase de testes clínicos sejam produzidas no próprio país, acelerando o desenvolvimento de novos imunizantes. O complexo também contará com biotério, laboratórios de biossegurança nível 3 e uma planta piloto de produção.
Dez anos de pesquisa
O avanço das obras ocorre no mesmo ano em que o CTVacinas completa dez anos desde a primeira reunião de seu conselho científico. O grupo começou em 2016 com um pequeno conjunto de pesquisadores e atualmente reúne cerca de 80 profissionais entre pós-doutores, estudantes e técnicos.
Entre os projetos desenvolvidos pelo centro está a SpiN-TEC, vacina contra a Covid-19 desenvolvida integralmente no Brasil e que chegou à fase de testes clínicos em humanos.
Pesquisas para vacinas contra malária, leishmaniose e doença de Chagas também estão em andamento. O grupo também investe no desenvolvimento de vacinas de RNA e registrou recentemente, junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), um teste rápido para hepatite desenvolvido no próprio centro.










