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Vorcaro esteve à frente de hotel luxuoso nunca inaugurado no Centro de BH

24/11/2025 às 10h25
(Reprodução/Google Street View)

Preso pela Polícia Federal na última semana, o empresário Daniel Vorcaro tem conexão com um espaço bem conhecido pelos belo-horizontinos. O mineiro esteve à frente do projeto de um hotel luxuoso no Hiper-Centro da capital mineira. O empreendimento, que deveria ter ficado pronto em 2014, no entanto, nunca recebeu clientes, mesmo já com uma fachada espelhada e suntuosa que chama atenção de quem passa pela região.

A iniciativa foi pensada para a Copa do Mundo de 2014, que teve Belo Horizonte como uma das cidade-sede. Daniel se envolveu com o projeto já que grupo Multipar, fundado pelo pai dele, foi o responsável por desenvolvimento do empreendimento.

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A proposta era inaugurar ali, no baixo Centro de BH, uma unidade da rede Golden Tulip. Na época, Daniel Vorcaro, na condição diretor-executivo da Multipar, chegou a dar entrevistas detalhando o que era esperado da nova aposta do mercado imobiliário da capital.

O anúncio era de 405 apartamentos de luxo, de 40m², quatro suítes presidenciais, uma suíte real, um centro de convenções com mais de 4.000 m², auditório com capacidade para 1000 pessoas, salas de reuniões, restaurantes, spa, heliponto, além de fitness center, piscina e área de lazer. Tudo distribuído em uma torre de 37 andares.

O espaço escolhido era um prédio abandonado. O edifício chegou a ser reformado para se transformar no hotel, mas o projeto não foi concluído. Apesar disso, ele é listado até hoje no site da Multipar.

Há alguns anos, especulou-se a possibilidade de uma grande rede hospitais assumir o prédio e instalar uma unidade no local, mas nada avançou até hoje.

Prisão

A Polícia Federal deflagrou uma operação, na última segunda-feira (21), contra um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos atribuídos ao Banco Master. Segundo as investigações, a instituição, até então dirigida por Daniel Vorcaro, teria criado papéis sem lastro ou com informações fraudulentas que eram apresentados como ativos legítimos. A prática configuraria crimes como gestão fraudulenta, falsidade documental, gestão temerária e organização criminosa.

A apuração, iniciada em 2024 a partir de uma requisição do Ministério Público Federal (MPF), identificou uma estrutura organizada dentro do banco para sustentar o esquema, envolvendo dirigentes e colaboradores. Os títulos suspeitos chegaram a ser vendidos a outra instituição financeira e, após fiscalização do Banco Central, teriam sido substituídos por novos ativos sem a devida avaliação técnica.

A PF cumpriu sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em vários estados. A detenção do executivo ocorreu poucas horas depois de um consórcio anunciar a compra do Banco Master, em um negócio que previa aporte imediato de R$ 3 bilhões com participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos. A transação ainda dependia de aval do Banco Central e do Cade, mas foi cancelada pelos interessados.

Após a prisão, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores da instituição, diante das irregularidades apontadas pela investigação.

Pablo Nascimento

Jornalista formado pela PUC Minas e pós-graduado em produção digital pelo Uni-BH. Focado na cobertura de cidades, passou por redações de TVs e portal de notícias. Como repórter, conquistou prêmios com reconhecimento estadual e nacional, em diferentes plataformas. Preza por unir precisão da informação à produção de conteúdo multiplataforma.
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