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Filho que decapitou a mãe em BH será submetido a exame de sanidade mental

25/06/2026 às 14h57
Filho que decapitou a mãe em BH será submetido a exame de sanidade mental
Decisão é da Justiça de Minas Gerais e foi proferida nesta quinta-feira (25). (Reprodução/Redes Sociais)

A Justiça de Minas Gerais determinou, nesta quinta-feira (25), que o homem, de 27 anos, acusado de decapitar a própria mãe, Jussara Maria Rodrigues, de 54, seja submetido a uma avaliação de sanidade mental. O crime ocorreu no apartamento onde a família morava, no bairro Nova Cachoeirinha, na região Noroeste de Belo Horizonte, no último domingo (21). O suspeito está detido em uma unidade prisional psiquiátrica na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma vez que já havia sido diagnosticado anteriormente com esquizofrenia.

A decisão é da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Belo Horizonte. Na determinação, a magistrada ordenou, com urgência, que a unidade prisional onde o investigado está custodiado providencie seu encaminhamento para a realização do exame pericial de sanidade mental, marcado para a próxima segunda-feira (29), às 9h.

Ainda de acordo com o documento, a instauração do incidente de sanidade mental atende a um pedido da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que contou com parecer favorável do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Apesar de instaurar o incidente de sanidade mental, a magistrada não suspendeu o inquérito policial, já que o suspeito está preso e é necessário dar continuidade às investigações dentro do prazo favorável.

Filho afirma que ‘ouviu uma voz’ que ordenou o crime.

A Justiça de Minas Gerais converteu, nessa quarta-feira (24), a prisão do suspeito em preventiva. Durante interrogatório na audiência de custódia, ele afirmou ter “ouvido uma voz ordenando que matasse a mãe”.

No interrogatório, o homem relatou que mantinha uma “relação difícil” com a mãe. Afirmou ainda que, desde a chegada dela à residência, na noite de sábado (20), até o momento do crime, não houve discussão ou agressão física entre ambos, esclarecendo que “o conflito ocorreu internamente consigo mesmo”.

Ele também relatou que não faz uso de medicação, apesar de ter sido orientado anteriormente a se submeter a tratamento psiquiátrico, recomendação que não seguia. Segundo o suspeito, ele foi diagnosticado com esquizofrenia quando morava em Portugal e já havia apresentado surtos psicóticos, mas afirmou que nunca tinha agredido ninguém.

Ainda durante a audiência, o suspeito relatou que vivia com a mãe havia cerca de um ano, desde que retornou de Portugal. No país europeu, segundo ele, morava com amigos e fazia uso frequente de drogas. Apesar disso, afirmou que não havia consumido entorpecentes nas semanas que antecederam o crime.

Conforme o homem, embora não tivesse ocorrido nenhuma discussão, ele foi até o quarto da mãe decidido a matá-la, movido por um sentimento de vingança que atribuiu a uma suposta negligência materna. Ressaltou, porém, que a mãe jamais lhe deixou faltar nada e que era ela quem arcava integralmente com as despesas da residência, enquanto ele estava desempregado.

Após o crime, ele tomou banho e foi dormir. As agressões teriam ocorrido no domingo (21), por volta das 5h, e toda a ação durou cerca de cinco minutos. O suspeito afirmou que chegou a cogitar acionar a polícia, mas decidiu não fazê-lo. Ele declarou estar arrependido mais pelo fato de ter matado a mãe do que pela possibilidade de ser preso.

Entenda

De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), que atendeu à ocorrência por volta das 9h, na última segunda-feira (22), vizinhos sentiram falta da vítima havia três dias e acionaram os militares. Ao chegarem ao local, encontraram o filho da mulher, de 27 anos, dentro do apartamento. Ele confessou o crime.

Os policiais encontraram a porta do apartamento trancada e um completo silêncio no interior do imóvel. Foi preciso arrombar a porta e, ao entrarem, encontraram o suspeito sentado na sala, sem camisa. O corpo da vítima estava em um dos quartos. O rapaz teria usado uma faca para cometer o crime.

A PM informou que o suspeito demonstrou frieza ao falar sobre o que fez. Uma vizinha teria escutado a mãe suplicar pela vida ao dizer: “Não faz isso não, filho, eu te amo!”. Esta teria sido a última frase dita pela vítima. O suspeito teria retornado de Portugal há cerca de seis meses e vinha tentando obrigar a mãe a sair do apartamento.

O filho confessou aos policiais que matou a própria mãe. Além de ser decapitada, a vítima sofreu múltiplas perfurações pelo corpo. Uma equipe da perícia da Polícia Civil esteve no local e a causa e as circunstâncias do crime serão investigadas.

O homem foi detido pela PMMG e encaminhado ao Hospital Odilon Behrens, onde recebeu atendimento.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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