Greve dos garis em BH: Ministério do Trabalho conduz reunião hoje entre empresa, prefeitura e trabalhadores

21/01/2026 às 08h08 - Atualizado em 21/01/2026 às 09h40
(Reprodução/Redes sociais)

Representantes dos trabalhadores da limpeza de BH, da prefeitura e da empresa terceirizada Sistemma Serviços Urbanos se reúnem na manhã desta quarta-feira (21) para negociar o fim da greve dos garis em BH. A reunião, organizada pela Superintendência Regional do Ministério do Trabalho, será na sede da contratada, no bairro São Gabriel, na região Noroeste da capital mineira.

Segundo Carlos Calazans, superintendente regional do Trabalho em Minas, as negociações devem começar a partir das 8h. “Os garis vão se reunir na porta da empresa, organizar a pauta deles e, em seguida, se reúnem com a empresa na assembleia. De repente, lá mesmo a greve pode ser suspensa”, disse em entrevista ao BHAZ.

A empresa Sistemma opera em Belo Horizonte com cerca de 500 funcionários. Desses, 300 aderiram à greve, reivindicando melhores condições de trabalho. Entre as demandas, estão o pagamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em dia, o fim de jornadas consideradas exaustivas e a oferta de um plano de saúde que funcione de forma efetiva. Os trabalhadores também denunciam que o estado de conservação dos caminhões de coleta coloca os garis em risco durante o trabalho.

Caso as partes não cheguem a um acordo nesta reunião, uma nova negociação será marcada na sede do Ministério Público do Trabalho ainda hoje, no período da tarde.

Em nota, a Sistemma Serviços Urbanos disse que considera o movimento “irregular” e “sem legitimidade sindical”. De acordo com a empresa, medidas judiciais foram adotadas junto ao Tribunal Regional do Trabalho. “Também já foram acionadas as instituições policiais responsáveis pela apuração dos fatos. Paralelamente, a SLU – Superintendência de Limpeza Urbana foi imediatamente comunicada e tem atuado de forma conjunta com a empresa para restabelecer, com a máxima brevidade, a normalidade da prestação dos serviços”, completa o texto. Leia o posicionamento na íntegra abaixo.

Trabalho dos garis em pauta

Carlos Calazans afirmou que pretende aproveitar a greve para ampliar o debate sobre as condições de trabalho dos garis em Belo Horizonte. Ele disse ficar “muito incomodado” com o modelo atual de coleta na capital, especialmente pelo esforço físico exigido dos trabalhadores. “Eu fico muito incomodado em Belo Horizonte, com tanto morro, com tanta subida e descida, os garis correndo atrás do caminhão de lixo e pendurados no para-choque”, afirmou.

O superintendente também destacou os riscos à saúde, que se intensificam em períodos chuvosos. “Em época de chuva, igual é agora, machucam muito, machucam o joelho demais, machucam os membros inferiores”, disse.

Para ele, a discussão vai além da greve e envolve a necessidade de repensar o modelo de coleta e garantir direitos básicos. “Eles não têm plano de saúde, imagina, não têm plano de saúde. O mínimo que a prefeitura podia exigir é que devia ter um plano de saúde pra eles”, completou Calazans.

Greve dos garis em BH

Os profissionais protestaram na sede da empresa, no Anel Rodoviário Celso Mello Azevedo, no bairro São Gabriel, próximo à PUC Minas. Tales Marcelo Alves, influenciador conhecido como Gari Gato de BH, que representa os trabalhadores, diz que o valor do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não estaria sendo depositado em dia.

Além disso, os trabalhadores denunciam férias cortadas, falta de um convênio médico, jornadas exaustivas e caminhões em péssimo estado de conservação, “quase quebrados”.

Tales conta que não há previsão de retorno ao trabalho e que isso só vai ocorrer quando todos os pedidos forem atendidos. “Vamos ficar parados por, pelo menos, três dias, pois antes disso, não dá para resolver todas as nossas reivindicações”, relata.

O profissional afirma que a maioria dos caminhões está prestes a quebrar, com parafusos soltos, deixando os ‘baús bambos’ e pneus carecas. “É uma exploração do trabalho do funcionário para cumprir o contrato estabelecido com a SLU (Superintendência de Limpeza Urbana), que não faz nada pela classe também.” 

Em nota, a PBH diz que está em dia com todas as obrigações contratuais junto à empresa. Já a prestadora do serviço, a Sistemma Serviços Urbanos, ainda não retornou ao contato do BHAZ.

Nota da Sistemma Serviços Urbanos na íntegra

A Sistema Serviços Urbanos, empresa responsável pela execução dos serviços de limpeza urbana do Lote 2 do município de Belo Horizonte, informa que foi surpreendida, na manhã de ontem, 19 de janeiro de 2026, por um movimento paredista repentino e irregular ocorrido em sua garagem operacional, no exato momento em que as equipes deveriam iniciar as rotas de coleta.

De forma objetiva, a empresa esclarece que o movimento não possui legitimidade sindical. Tanto o sindicato representativo dos coletores quanto o sindicato representativo dos motoristas se manifestaram, informando que não convocaram, não conduzem e não reconhecem a mobilização como greve da categoria.

Trata-se, portanto, de um movimento ilegal, que não observou as exigências legais aplicáveis a serviços públicos essenciais, como é o caso da limpeza urbana. A legislação determina a necessidade de comunicação prévia mínima de 72 horas, o que não foi respeitado, caracterizando flagrante irregularidade. A empresa foi surpreendida no momento da saída dos caminhões, comprometendo a continuidade de um serviço essencial à população. Também não foi mantido o contingente mínimo indispensável à preservação das condições básicas e ininterruptas da prestação do serviço público essencial, em desacordo com as normas legais vigentes.

Além disso, a empresa identificou a atuação de terceiros sem qualquer vínculo empregatício com a Sistema Serviços Urbanos e sem legitimidade sindical, que vêm incitando o movimento e disseminando informações inverídicas. Um dos indivíduos identificados é trabalhador vinculado a outra empresa que atua em lote distinto da cidade, não possuindo conhecimento da realidade operacional, contratual ou trabalhista desta empresa, tampouco autoridade para influenciar seus colaboradores.

Observa-se ainda que esse mesmo influenciador tem adotado postura de amplificação pública do conflito, por meio de redes sociais e manifestações externas, circunstância que aparenta extrapolar a preocupação legítima com eventuais reivindicações trabalhistas e assumir contornos de exploração midiática e política do episódio. Registra-se, como fato público e notório, que se trata de pessoa com histórico de participação em processos eleitorais anteriores, o que reforça a percepção de tentativa de inflar artificialmente a situação para obtenção de projeção pessoal.

Essas condutas são especialmente graves, pois podem induzir trabalhadores ao erro, expondo-os a riscos trabalhistas, inclusive à possibilidade de desligamentos, além de gerar prejuízos diretos à continuidade de um serviço público essencial, afetando toda a população de Belo Horizonte.

Diante da gravidade dos fatos, a empresa já adotou todas as medidas judiciais cabíveis, com o devido acionamento do Tribunal Regional do Trabalho, que já está ciente da situação e analisa o caso. As instituições policiais responsáveis pela apuração dos fatos também foram acionadas. Paralelamente, a SLU – Superintendência de Limpeza Urbana foi imediatamente comunicada e tem atuado de forma conjunta com a empresa para restabelecer, com a máxima brevidade, a normalidade da prestação dos serviços.

A Sistema Serviços Urbanos ressalta que a maioria de seus trabalhadores não demonstra interesse em aderir ao movimento, mas se encontra amedrontada diante de pressões e do receio de retaliações por parte de indivíduos que se colocaram à frente dessa mobilização irregular.

A empresa reitera que o movimento é ilegal, que os serviços devem ser retomados imediatamente e que está adotando todas as providências necessárias para mitigar os impactos à população e solucionar a situação de forma célere, responsável e, sempre que possível, por meio do diálogo, respeitando os direitos de seus trabalhadores.

Com mais de 30 anos de atuação no setor de limpeza urbana, operando desde 1991 em diversas cidades e capitais do país, a empresa reafirma seu compromisso histórico com a legalidade, a responsabilidade social, a proteção de seus colaboradores e a prestação contínua e qualificada de serviços públicos essenciais à sociedade.”

Isabella Guasti

Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022 e também de reportagem premiada pelo Sebrae Minas em 2023. Vencedora do prêmio CDL/BH de jornalismo 2024.
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