Paralisação de garis deixa cerca de 603 toneladas de lixo sem coleta em BH

20/01/2026 às 13h09
Paralisação de garis deixa cerca de 603 toneladas de lixo sem coleta em BH
Mais de 300 garis interromperam a coleta nas regiões Nordeste, Leste e Noroeste. (Melissa Reis/PBH)

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) iniciou, nesta terça-feira (20), um plano de contingência para minimizar os impactos da paralisação dos garis da Sistemma, empresa terceirizada que faz a coleta de lixo na capital mineira. Mais de cem trabalhadores interromperam a coleta nas regiões Nordeste, Noroeste e Leste na manhã dessa segunda-feira (19), em reivindicação por direitos e melhores condições de trabalho. Segundo o Executivo municipal, a estimativa é de que 602,75 toneladas de resíduos deixaram de ser recolhidas.

A PBH, por meio da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), informou que foram mobilizados 308 garis e 47 caminhões, sendo 38 veículos basculantes e nove compactadores. Eles atuam no recolhimento de lixo nas regionais Leste, Nordeste e Noroeste da cidade.

“Os garis e os caminhões empregados nessa operação são provenientes de outros contratos de prestação de serviços de limpeza urbana, além de recursos próprios da SLU”, disse em nota.

Além disso, o Executivo municipal afirmou que a SLU acompanha as negociações entre os garis e a empresa, além de estar “adimplente com todas as suas obrigações e tomando as providências para a garantia da prestação do serviço essencial à população”.

Entenda

Os profissionais protestaram na sede da empresa, no Anel Rodoviário Celso Mello Azevedo, no bairro São Gabriel, próximo à PUC Minas. Tales Marcelo Alves, influenciador conhecido como Gari Gato de BH, e que representa os trabalhadores, diz que o valor do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não estaria sendo depositado.

Além disso, os trabalhadores denunciam férias cortadas, falta de um convênio médico, pouco efetivo, jornadas exaustivas e caminhões em péssimo estado de conservação, “quase quebrados”.

Tales conta que não há previsão de retorno ao trabalho e que isso só irá acontecer quando todos os pedidos forem atendidos. “Vamos ficar parados por, pelo menos, três dias, pois antes disso, não dá para resolver todas as nossas reivindicações”, relata.

Tales informou que a maioria dos caminhões está prestes a quebrar, com parafusos soltos, deixando os ‘baús bambos’ e pneus carecas. “É uma exploração do trabalho do funcionário para cumprir o contrato estabelecido com a SLU (Superintendência de Limpeza Urbana), que não faz nada pela classe também.” 

Em nota, a PBH diz que está em dia com todas as obrigações contratuais junto à empresa. Já a prestadora do serviço, a Sistemma Serviços Urbanos, ainda não retornou ao contato do BHAZ.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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