De passagem por BH para encerrar o primeiro dia do E Festival, promovido pelo Sebrae-MG entre esta terça (18) e quinta-feira (20), o chef francês Érick Jacquin conversou abertamente sobre as dores e as delícias do empreendedorismo gastronômico. O chef, que recentemente esteve na capital mineira para gravar um episódio do Pesadelo na Cozinha no Café Cultura Bar, comentou a repercussão do caso nas redes sociais e mandou um recado direto aos donos de restaurantes que buscam o estrelato sem o devido esforço: “só quer passar na televisão”.
Em conversa com o BHAZ, Jacquin deixou claro que somente a exposição na mídia não é suficiente, sendo necessária dedicação total ao empreendimento. Ao analisar o comportamento de quem já recebeu a consultoria do Pesadelo na Cozinha, ele destacou a diferença de postura dos participantes. “Tem gente que quer mudar, que quer crescer, que quer se aventurar, que quer de vida nova. E tem outros que só querem passar na televisão e pensam que só passar na televisão vai resolver tudo”, comentou.
Durante a conversa, o chef ressaltou que tanto o telespectador quanto o cliente estão atentos à postura dos proprietários depois das reformas. “O público não é idiota, o público não é cego”, disse. Jacquin também reconheceu que a mídia foi fundamental na trajetória dele, mas destacou que a fama exige uma base sólida. “A TV mudou a minha vida, mas eu trabalhei muito por isso. Então, sem trabalho não existe nada”, contou.
Segundo Jacquin, o sucesso de bares e restaurantes depende exclusivamente da postura de quem comanda o negócio. “Se você sabe plantar bem, a safra é boa. Se você não cuida, a safra não vai ser boa”, comparou. “Tem gente que é muito dedicado, quer essa oportunidade para mudar, para crescer, e tem outros que estão nem aí”, completou.
O Café Cultura Bar, que recebeu uma consultoria de Jacquin neste ano, enfrentava problemas de higiene, além de instalações elétricas perigosas, cozinha desorganizada e cardápio confuso, entre outros. Durante a participação no programa, o bar passou por uma reestruturação completa, incluindo reformas e mudanças nos pratos servidos.
Jacquin e Minas Gerais
Embora esteja em BH pela terceira vez neste ano e demonstre grande simpatia pela cidade, Jacquin descartou, ao menos por enquanto, a ideia de abrir um boteco na capital mineira. O motivo, segundo ele, seria o respeito pela tradição local. “O boteco precisa ser mineiro”, afirmou o chef, brincando que ainda não possui essa “veia mineira”.
Além disso, ele contou que questões práticas e administrativas pesam nessa decisão. “É muito longe [de São Paulo]. E a logística hoje é muito importante, e você perde o trabalho, que é o mais importante de tudo”, disse.
No entanto, Jacquin destacou que tem muita admiração pela culinária local. “Nossa, é gostoso. É muito bom. É regional, é autêntica, é verdadeira”, elogiou. “São as famílias que guardam todo esse patrimônio cultural”, completou. O chef também revelou que tem conexões com a comida mineira, como o fogão a lenha. “Eu cozinho todo fim de semana só a lenha”, contou. Além disso, o francês destacou a excelência dos laticínios produzidos no estado: “todos os queijos são maravilhosos, todos os produtores que têm aqui são muito bons”.












