A prisão em flagrante do sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), suspeito de matar a esposa e capitã da corporação, foi convertida em preventiva pela Justiça do estado, nesta quarta-feira (22). Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, foi preso feminicídio nessa segunda-feira (20), após levar a companheira Michelle Leão Azevedo, de 41 anos, para o Hospital Odilon Behrens, onde ela já chegou morta e com diversas lesões pelo corpo.
“A decisão é do juiz Antônio Francisco Gonçalves, da Central de Audiência de Custódia de Belo Horizonte, que entendeu que ‘a segregação cautelar era necessária para a garantia da ordem pública'”, informa o comunicado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
De acordo com a equipe médica, Michelle foi levada ao hospital por volta das 21h35 já em parada cardiorrespiratória e sem sinais vitais. A capitã da Polícia Militar chegou à unidade de saúde com lesões traumáticas por todo o corpo, incluindo traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nos membros, marcas compatíveis com chicotadas e um extenso ferimento na cabeça.
A médica responsável pelo atendimento informou que o quadro era compatível com uma morte ocorrida entre quatro e seis horas antes da chegada à unidade. Diante da gravidade das lesões e das circunstâncias do caso, a Polícia Militar foi imediatamente acionada.
Ainda no hospital, os militares que acompanhavam o companheiro da vítima flagraram o homem descartando uma pequena caixa metálica em uma lixeira do banheiro. No recipiente, foram encontrados comprimidos com características semelhantes ao ecstasy, material apreendido para investigação.
Justiça decreta sigilo no caso
Além de converter a prisão em flagrante em preventiva, a Justiça de Minas Gerais também decretou, nessa terça-feira (21), o sigilo no caso. Dessa forma, fica restrito o acesso público às informações do processo. Segundo o órgão, o intuito da decisão é resguardar os direitos fundamentais, como a intimidade e a vida privada, dos envolvidos.
Casal fez uso de álcool e drogas ilícitas
Em depoimento, o suspeito do crime afirmou que o casal havia consumido bebidas alcoólicas e ecstasy durante uma confraternização realizada na residência do casal, na noite de domingo (19). Segundo a versão apresentada por ele, os dois também praticaram atos de violência física consensuais durante uma relação sexual.
O policial alegou ainda que, horas depois, Michelle teria caído da escada da casa, sofrido um corte na cabeça e recusado atendimento médico. Ainda segundo o sargento, o casal teria adormecido. Ao acordar à noite, ele diz que percebeu que ela não respondia aos estímulos, decidindo, então, levá-la ao hospital.
Durante a perícia realizada no apartamento do casal, foi apreendido um cabo de madeira quebrado que, segundo avaliação preliminar, pode ter sido utilizado para agredir a vítima. Também chamou a atenção dos investigadores o fato de as roupas de cama estarem lavadas e ainda molhadas dentro da máquina de lavar. O celular do suspeito e a substância encontrada no hospital também foram recolhidos para perícia.
Eduardo Abner recebeu voz de prisão e foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O caso será investigado pela Polícia Civil.
Em nota, a defesa do sargento da PM disse que “é imprescindível que se aguarde a conclusão das investigações e dos laudos periciais, evitando-se qualquer julgamento precipitado. O caso ainda está em fase inicial de apuração, e todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes”.










