O antigo Hospital Maria Amélia Lins, no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte, vai dar lugar a um novo Instituto de Oftalmologia da Santa Casa BH. A instituição vai investir R$ 5,8 milhões na reforma do prédio, que vai concentrar serviços de oftalmologia atualmente espalhados pelo complexo hospitalar.
A instituição venceu o edital de cessão do imóvel lançado pela Fhemig e pretende iniciar os primeiros atendimentos no espaço em dezembro. A nova estrutura terá ambulatório, pronto-socorro e bloco cirúrgico, com previsão de 120 cirurgias oftalmológicas a mais por mês, além de mais de 170 pequenos procedimentos mensais. A diálise peritoneal também será transferida para o local, com expectativa de abrir 47 novas vagas a partir de abril.
O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, destaca que o Hospital João XXIII conseguiu absorver a demanda do Hospital Maria Amélia Lins. Antes do fechamento da unidade, o João XXIII realizava cerca de 800 cirurgias ortopédicas por mês. Em agosto, esse número chegou a 1.105 procedimentos, um total de 305 cirurgias a mais no período.
Próximos passos
A mudança também deve liberar salas no prédio principal da Santa Casa para outros atendimentos. A instituição prevê ampliar em 40 consultas mensais a oferta de saúde auditiva e realizar 400 exames de ultrassom a mais por mês, elevando a capacidade total para mais de 3.600 exames mensais. Também estão previstos estudos para ampliar cirurgias de otorrinolaringologia e implantes cocleares.
A previsão é que a reforma dure cerca de três meses. O prédio, que antes abrigava serviços de ortopedia de baixa complexidade, passou a ser discutido para uma nova finalidade após a transferência das atividades para o Hospital João XXIII. Segundo o governo estadual, a mudança permitiu aumentar a produção de cirurgias ortopédicas da rede Fhemig de pouco mais de 200 para mais de 400 por mês.
A decisão de transformar o espaço em um centro de oftalmologia levou em conta as filas de espera da rede municipal de saúde. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, a ortopedia deixou de ser um dos principais gargalos de Belo Horizonte, enquanto a oftalmologia apresenta uma demanda maior por atendimento especializado.
Para o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, a mudança busca atender justamente essa demanda. “A vocação apresentada hoje atende a uma necessidade epidemiológica real do município e da nossa macrorregião como polo de saúde”, afirmou.
Disputa judicial marcou futuro do hospital
O futuro do Hospital Maria Amélia Lins vinha sendo discutido desde o início de 2025, quando o bloco cirúrgico da unidade foi fechado e os atendimentos ortopédicos foram transferidos para o Hospital João XXIII. Na época, a Fhemig informou que a medida fazia parte de uma reorganização da rede.
O hospital realizava cerca de 200 cirurgias ortopédicas por mês. Segundo informações apresentadas no processo judicial, a redistribuição dos serviços entre unidades da Fhemig permitiu aumentar a produção para mais de 400 cirurgias mensais.
A mudança foi questionada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que entrou com uma Ação Civil Pública para contestar a transferência dos serviços. Em julho deste ano, a Justiça chegou a determinar a reabertura integral do HMAL e a retomada das atividades interrompidas.
A decisão, porém, foi suspensa em agosto pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), após recurso apresentado pelo Estado e pela Fhemig. O entendimento foi de que cabe ao governo definir a organização dos serviços públicos, desde que não haja ilegalidade, e que a manutenção da liminar poderia afetar a continuidade dos atendimentos já realizados pela rede.
Com a decisão, a reorganização promovida pelo Estado foi mantida e o prédio passou a ter outro destino. A Santa Casa venceu o edital de cessão da Fhemig e assumirá o espaço para a implantação do instituto de oftalmologia.
“Para nós, o ponto de partida não foi simplesmente a estrutura física do prédio, mas compreender toda a real necessidade da população para verificar qual seria a melhor forma de atuar”, afirmou o provedor da Santa Casa BH, Roberto Otto.
A subsecretária de Promoção e Vigilância à Saúde de Belo Horizonte, Thaysa Drummond, também destacou a parceria entre o município, o Estado e a instituição para definir a nova utilização do espaço.










