A subtenente Juliana Vittoria Gonçalves da Silva, reconhecida como a primeira mulher trans da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), anunciou sua aposentadoria nesse domingo (30), encerrando uma trajetória de 31 anos na corporação. A despedida foi feita por meio das redes sociais, onde relembrou sua carreira e dedicou a conquista à família, à ancestralidade e à comunidade trans.
Em um vídeo publicado no Instagram, Juliana classificou a aposentadoria como o fechamento de um ciclo marcado por desafios, resistência e orgulho pela farda. Ela destacou que sua permanência na instituição representa a importância de abrir espaço para que pessoas trans ocupem diferentes profissões. “Pessoas transgênero precisam apenas de oportunidade” afirma.
A policial dedicou o momento à mãe, que completa 90 anos em 2026, e relembrou a história de sua família. “Dedico essa minha conquista à minha mãe, mulher preta que foi funcionária doméstica. Dedico também a toda a minha ancestralidade: homens, mulheres e crianças que foram transportados em navios negreiros de forma desumana. Foram quase quatro séculos de sofrimento e tortura. E também a todas as mulheres trans e travestis que foram mortas, assassinadas e impedidas de resistir.”
Símbolo de representatividade na PMMG
Juliana Vittoria entrou para a Polícia Militar há 31 anos e fez sua transição de gênero durante a carreira, tornando-se a primeira mulher trans reconhecida na história da PMMG. Ao longo dos anos, passou a ser uma referência de representatividade dentro da corporação, participando de debates sobre diversidade e defendendo a inclusão de pessoas trans no serviço público.








