Alice Martins Alves morreu após ser espancada ao sair de um dos locais que gostava de frequentar para se encontrar com amigos. Frequentadora da Savassi, na região Centro-Sul de BH, a mulher de 33 anos é lembrada com respeito e carinho por clientes, funcionários e donos de bares e lanchonetes.
Dois ex-garçons de uma rede de pastelaria da região estão entre os suspeitos do crime. Testemunhas contaram que eles teriam ido atrás dela para cobrar uma dívida de R$ 22.
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Pelas redes sociais, internautas se recordaram da presença de Alice na região e comentaram que ela nunca se envolveu com problemas.
“Alice sempre frequentou o bar. Ela sempre tomava uma ou duas cervejas. Ela nunca deixou de pagar ou deixou alguma conta aberta. Sempre que ela ia ao banheiro, ela pedia para um garçom ficar de olho na bebida que ela estava consumindo. A gente recebe com tristeza [essa notícia] e querendo justiça. Eu acho que independente do desfecho, é uma vida que se perde”, disse ao BHAZ o empresário Jonathan Henrique, proprietário do John John Bar.
Veja o depoimento do comerciante:
Sem se identificar, funcionários da própria rede onde os suspeitos trabalhamo contaram que Alice era freguesa frequente e já saiu do bar outras vezes sem pagar por relapso ao estar sob efeito de álcool. De acordo com os trabalhadores, ela voltava para pagar depois.
Funcionários da pastelaria prestaram depoimento nesta semana. O inquérito do caso que começou a ser investigado como transfobia ainda segue em andamento sob sigilo.
O crime
O ataque ocorreu na avenida Getúlio Vargas, na madrugada de 23 de outubro. Segundo o boletim de ocorrência, Alice Martins Alves saía de um bar onde estava com amigos, quando foi agredida por um homem. Outros dois que estavam com o agressor teriam observado a cena e rido da situação.
Segundo a família, após a agressão, Alice foi atendida na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e, depois, foi para casa. O pai a encontrou no quarto já com várias lesões pelo corpo e sentindo muitas dores. Devido à gravidade do quadro, ela foi a um hospital particular. O espancamento causou fraturas nas costelas, perfuração intestinal e uma úlcera no estômago da vítima.
A vítima registrou um boletim de ocorrência, no dia 5 de novembro. Nele, ela informou que não conhecia o trio e não houve nenhum tipo de discussão ou atrito antes do espancamento. Alice morreu no último domingo (9), 17 dias após a sessão de espancamento.
“Parece que ela estava pressentindo que algo ia acontecer. Tinha três meses que ela não estava saindo de casa. Eu falei para ela dar uma volta porque tinha muito tempo que ela estava em casa e acontece isso”, contou Edson Alves, pai de Alice, no velório da filha.
“Será que uma transsexual não tem direito a viver em paz? Agora eu perdi uma grande parceira e amiga. Uma companheira de filme e de tomar uma cervejinha em casa”, desabafou o pai.












