Quem caminha pelas exposições do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas, no campus Coração Eucarístico, na região Noroeste de BH, pode não perceber que está a poucos metros de um verdadeiro “tesouro” científico. Os três andares de exibições permanentes já encantam os visitantes e revelam a história da vida na Terra, mas no bastidores é que está o arquivo com uma das maiores coleções de fósseis do Brasil.
O paleontólogo Luciano Vilaboim, responsável pelo acervo, explica que a universidade cumpre um papel fundamental de preservação desse material, coletado de forma sistemática desde 1970. “Isso é um patrimônio da história natural da Terra. Então, a PUC é a guardiã dos fósseis e esses fósseis têm sido coletados aqui desde a década de 70 e hoje a gente tem uma das maiores coleções do Brasil”, disse.
Organizado em 11 coleções científicas, além de uma reserva técnica e do acervo expositivo, o arquivo de paleontologia do museu tem cerca 69.200 peças. O grande destaque desse acervo é a fauna de mamíferos do Pleistoceno, criaturas gigantescas que viveram entre 1,8 milhão e 11 mil anos atrás. Entre as espécies que compõem o acervo estão preguiças-gigantes terrestres, tigres-dentes-de-sabre, toxodontes e mastodontes, sendo a segunda maior coleção de mamíferos fósseis da América do Sul.
Além desse arquivo pré-histórico, o museu também abriga um acervo neontológico monumental, com mais de 174.520 exemplares científicos de espécies atuais de peixes, aves, mamíferos, anfíbios, répteis, insetos e plantas.
90 milhões de anos
De acordo com o Luciano, recentemente, um fragmento fóssil de dinossauro foi descoberto durante obras de infraestrutura urbana em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Conforme explicou, a região “é uma bacia sedimentar onde, por sorte, animais foram conservados”, sendo relativamente comum encontrar “pedaços” desses animais.
Para o paleontólogo, cada nova descoberta é um acontecimento de extrema importância, dada a raridade desses registros no país: “Tem muito dinossauro descrito no Brasil, mas dinossauro ainda é raro, são cerca de 2 mil espécies. (…) Então, todo dinossauro é importante. Estamos falando agora de um material de 90 milhões de anos”, comentou.
Luciano ainda detalhou os próximos passos com o fóssil recém-chegado. “Primeiro a peça vai ser tratada, vai ser limpa, vai tirar o material em volta dela. Depois, você pode ver se encontra algo de caráter tafonômico, ou seja, o que aconteceu depois que ele morreu, como morreu, tentar descobrir qual que é a espécie, qual que é a família”, explicou.
Veja o vídeo:
Então, anota aí!
Museu de Ciências Naturais da PUC Minas
- Endereço: avenida Dom José Gaspar, 290, Coração Eucarístico
- Funcionamento: Terça-feira a sábado, das 9h às 17h (a bilheteria encerra às 16h)
- Ingressos: R$ 20,00 para a visitação ao Museu; R$ 20,00 para as sessões do Planetário; ou o Combo promocional (Museu + Planetário) por R$ 32,00. Idosos a partir de 60 anos, estudantes, professores, portadores da ID Jovem e pessoas com deficiência (incluindo acompanhante) possuem direito à meia entrada. A entrada é gratuita para alunos e funcionários da PUC Minas, funcionários da Sociedade Mineira de Cultura, membros do ICOM e crianças de até 3 anos
- Mais informações: museu.pucminas.br













