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Parque Lagoa do Nado fica fechado por tempo indeterminado após rompimento de barragem

14/11/2024 às 06h50 - Atualizado em 14/11/2024 às 10h03
Barragem se rompeu no Parque Lagoa do Nado, na Região da Pampulha, em BH (Reprodução/Redes Sociais)

O Parque Municipal Lagoa do Nado, no bairro Itapoã, na região Norte de BH, permanecerá fechado por tempo indeterminado para reconstrução da lagoa que dá nome ao local. Na tempestade dessa quarta-feira (13), uma barragem que represava água se rompeu no local e será preciso reconstruir toda a estrutura.

Logo após o rompimento, peixes e cactos que compõem a lagoa foram recolhidos e serão alocados em outros espaços, segundo a prefeitura. Os patos que habitam o lago não foram afetados e conseguiram escapar para as margens da lagoa. Equipes da Fundação Municipal de Parques vão fazer estudos para verificar a extensão do dano causado.

Segundo o presidente da Fundação de Parques, Gerson Leite, dada a condição do parque, a vegetação do local serviu com esponja para absorver a água e, por esse motivo, ela não chegou a atingir vias próximas.

Segundo o secretário de Obras, Leandro Pereira, o alagamento na avenida Álvaro Camargos, em Venda Nova, em que pessoas fizeram uma corrente humana para salvar quem estava ilhado, não tem relação com o rompimento da barragem do Parque Lagoa do Nado.

“A lagoa do parque serve como bacia de preservação, ela contribui para que a água não chegue na Álvaro Camargos. O que foi observado hoje foi uma chuva muito extrema, o que acabou ocasionando o alagamento na avenida. o rompimento da barragem foi posterior a ocorrência dos alagamentos”, destacou o subsecretário em entrevista coletiva à imprensa na noite de ontem, após o temporal.

Veja vídeos de como ficou a Lagoa do Nado após a chuva:

Vídeos recebidos ao BHAZ mostram um cenário de destruição no local. Postes de iluminação, barranco e parte da ponte que existiam no ponto foram levados pelas forças das águas, assim como vegetação local.

Militares fazem vistoria no local

Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG), pelo menos quatro viaturas e cerca de 12 militares realizam vistorias no local.

Engenheiros da prefeitura e equipes da Sudecap (Superintendência de Desenvolvimento da Capital) e das Defesas Civil municipal e estadual também foram mobilizadas para avaliar os danos e monitorar a situação.

Para auxiliar na segurança, a Guarda Civil Municipal está realizando a gestão do trânsito nas proximidades do parque.

Parque tem 311 mil metros quadrados

O Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado tem uma área de aproximadamente 311 mil metros quadrados e foi implantado em 1994, segundo dados da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica de BH.

O local conta com uma infraestrutura composta por biblioteca, sala multimeios, teatro de bolso, teatro de arena, quadras poliesportivas, pista se skate, campo de futebol, pista para caminhadas e viveiro de mudas. Diversas atividades culturais são realizadas no parque.  

A vegetação do parque é composta por espécies do Cerrado e por uma Mata Ciliar que circunda a lagoa. Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais identificaram no local cerca de 130 espécies de árvores, sendo 75% nativas, com destaque para o ipê, aroeira branca, urucum, jatobá, barbatimão, quaresmeira e goiaba brava. 


A fauna conta com aves como pica-pau, biguá, coruja, frango d’água, anu, alma de gato, trinca ferro e mamíferos, como mico-estrela, gambá, esquilo-caxinguelê, tatu, morcego, além de lagartos, cágados, anfíbios e peixes. 

Temporal em BH

Em duas horas, Belo Horizonte registrou mais de 70 milímetros de chuva na tarde desta quarta-feira (13). O resultado foram alagamentos nas regiões da Pampulha e de Venda Nova.

Apesar da condição, segundo o secretário de Obras e Infraestrutura de BH, Leandro Pereira, o cenário poderia ser mais crítico: “A função da caixa de contenção foi cumprida. Ela serve como reservatório, e, se não tivesse aquela infraestrutura toda, a água estaria na pista de rolamento”, disse em entrevista coletiva horas depois da chuva cessar sobre a bacia da avenida Vilarinho.

Venda Nova foi a região mais afetada pela chuva. Ao todo, choveu 74,4 milímetros em duas horas. O resultado foi que a bacia de contenção extravasou pela primeira vez desde que foi construída.

História da Lagoa do Nado

Tropeiros e mercadores vindos da Bahia e do Norte de Minas Gerais começaram a utilizar a região de Venda Nova como entreposto comercial, no final do século XIX, em meio às rotas para o Curral Del Rey, Sábara e Rio de Janeiro.

Nas paradas, os grupos aproveitavam para descansar, lavar as roupas e tomar banho às margens da lagoa do parque, inicialmente chamada de “córrego do Nado”.

Até a década de 1960, a lagoa ocupava uma parte da Fazenda Engenho Córrego do Nado, pertencente à família de Américo René Giannetti, ex-prefeito de Belo Horizonte. À época, apenas a família e os amigos do então gestor municipal podiam ter acesso à área.

Quando os moradores começaram a utilizar a Lagoa do Nado

Ainda na década de 1960, os bairros da região começaram a ser ocupados. Com a urbanização da cidade, a Fazendinha Janete, como era chamada, começou a ficar abandonada. Até que, já no começo da década de 1970, crianças e jovens locais começaram a usufruir a área para lazer.

Em 1973, um decreto indicou a desapropriação da área para a “construção de um parque ou qualquer obra de interesse público”. Porém, em 1981, um decreto estadual desapropriou o local para destiná-lo à construção de um conjunto habitacional.

Diante da situação, a comunidade que morava nas redondezas começou a se mobilizar a favor da construção do Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado. Nesse contexto, nasceu a ACELN (Associação Cultural Ecológica Lagoa do Nado), ONG que liderou a criação do parque.

Festa da Lagoa do Nado

A ACELN promoveu a primeira Festa da Lagoa do Nado, em 1982, com cursos, oficinas, shows e debates. O objetivo era estimular que a população apoiasse a criação do parque. Desde então, todos os eventos da associação passaram a ter caráter de manifestação.

Foi então que, no ano de 1984, uma lei municipal autorizou a compra do terreno por parte da PBH (Prefeitura de Belo Horizonte) para a construção de um parque público. Porém, o parque acabou sendo inaugurando somente 10 anos depois, em 1994.

A infraestrutura do Parque Lagoa do Nado espelhava paisagem e biodiversidade conservadas, formação e difusão cultural, educação ambiental, lazer contemplativo e práticas esportivas.

Fauna e flora

Pesquisadores da UFMG identificaram cerca de 130 espécies de árvores, sendo 75% nativas, com destaque para o ipê, aroeira branca, urucum, jatobá, barbatimão, quaresmeira e goiaba brava. 


Dentre os animais, habitam o local aves, como pica-pau, biguá, coruja, frango d’água, anu, alma de gato, trinca-ferro e mamíferos, como mico-estrela, gambá, esquilo-caxinguelê, tatu, morcego, além de lagartos, cágados, anfíbios e peixes. 

Editado por: Sinara Peixoto

Redação BHAZ

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