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PBH quer impedir volta às aulas presenciais no Colégio Militar

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Prefeitura não descarta envolver a Justiça nas medidas (Moisés Teodoro/BHAZ + Reprodução/Streetview)

O Colégio Militar de Belo Horizonte já confirmou que vai retomar as atividades presenciais a partir da próxima semana, mas a decisão não agradou o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da PBH (Prefeitura de Belo Horizonte). Em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (18), o secretário municipal de Saúde Jackson Machado garantiu que a prefeitura fará o que for necessário para impedir o retorno das aulas.

Machado explicou que houve tentativas de diálogo com a instituição de ensino, mas sem sucesso. “Nós tivemos ainda hoje uma conversa tentando impedir o Colégio Militar de retomar as aulas, mas eles estão irredutíveis. E a prefeitura vai tomar todas as medidas necessárias e possíveis para impedir que essa volta aconteça”, pontuou.

De acordo com o secretário, a situação da pandemia na capital ainda está longe de ser o ideal para a retomada das atividades escolares. “Os indicadores internacionais mostram que para que as atividades presenciais no ensino médio voltem, [é recomendado] que haja de 5 a 20 casos por 100 mil habitantes e, para ensino fundamental, que esse número seja menor do que 5. Em Belo Horizonte esse número hoje está em torno de 160 por 100 mil habitantes. Ou seja, estamos muito longe”, explicou Machado.

E as escolas particulares?

O secretário municipal de Desenvolvimento e Gestão, André Reis, que também estava presente na coletiva, não descartou a possibilidade de envolver a Justiça para tentar barrar a retomada das aulas – e enfatizou que a postura será a mesma com outras escolas que tentem retomar as atividades num futuro próximo: “Isso inclui a possibilidade de judicialização sim, e esse debate não é só com o Exército, mas com qualquer escola privada. Pode ser que a gente vá tomar sim essa decisão”.

O comitê da PBH também pontuou que a pressão de parte dos pais e alunos para a retomada das atividades não será levada em consideração na tomada de decisões. “A posição desse comitê é de que a vida é muito mais importante do que qualquer outra atividade. Enquanto os números não forem adequados – e eu acho muito pouco provável que a gente consiga num espaço curto de tempo – não é hora de voltar. E se a gente pensar bem, o ano letivo já quase acabou. Voltar escola pra fechar em dezembro de novo realmente não faz sentido”, avaliou o secretário de Saúde.

Por outro lado, os especialistas explicaram que, se a cidade quiser garantir uma retomada segura no próximo ano letivo, as discussões precisam começar desde já – e incluir mais do que apenas pais e alunos. “É um debate extremamente delicado. Se a gente quiser voltar em fevereiro, a gente precisa começar a construir um consenso agora entre pais, professores, sindicato, alunos e outros trabalhadores envolvidos no retorno”, concluiu o infectologista Unaí Tupinambás, que também integra o comitê.

Entenda o caso

Na última quarta-feira (16), o Colégio Militar comunicou aos alunos que as aulas presenciais na unidade da capital mineira serão retomadas na próxima segunda (21). A volta das atividades, ordenada pelo Exército Brasileiro, desafia as medidas de combate à Covid-19, e é contestada por especialista, autoridades de saúde, alunos e familiares de estudantes. Todos concordam que a medida é insegura e autoritária.

Ainda ontem (17), o diretor do colégio, Regis Rodrigues Nunes, confirmou a decisão e explicou que as atividades serão retomadas em esquema de revezamento: as aulas do ensino médio serão às segundas, quartas e sextas e as do ensino fundamental, às terças e quintas. Com isso, os alunos terão pouco menos de 20 dias de aula até o fim do ano letivo. A decisão gerou confusão na comunidade escolar e deixou alunos insatisfeitos (veja aqui).

O BHAZ tentou contato com a Depa (Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial), entidade que coordena os colégios militares em todo o país, mas não conseguiu contato. Tão logo haja uma resposta, esta reportagem será atualizada.

Giovanna Fávero

Editora no BHAZ desde março de 2023, cargo ocupado também em 2021. Antes, foi repórter também no portal. Foi subeditora no jornal Estado de Minas e participou de reportagens premiadas pela CDL/BH e pelo Sebrae. É formada em Jornalismo pela PUC Minas e pós-graduanda em Comunicação Digital e Redes Sociais pela Una.

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