Policial atira em homem durante confusão em lava-jato em Santa Luzia e vítima tem morte cerebral

Joaquim Aleixo Sabino
Joaquim Aleixo Sabino deixa duas filhas, de 2 e 5 anos (Reprodução/Redes sociais)

Um homem de 30 anos teve morte cerebral depois de levar um tiro de um policial militar, nesse sábado (22), em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte. O PM, que foi preso, teria disparado em Joaquim Aleixo Sabino durante uma confusão no lava-jato da família da vítima.

O irmão de Joaquim, Alexandre Teixeira dos Santos, chegou ao local cinco minutos após o tiro. Segundo ele, o policial militar, que estava de folga, estava alterado e atirou quando a vítima estava de costas. Procurada, a PM informou que o agente estava de folga e à paisana e que o caso será acompanhado pela Corregedoria (leia abaixo).

Ao BHAZ, o irmão diz que Joaquim “nunca bebeu, nunca fumou, nunca se envolveu em confusão”. O homem de 30 anos teve morte cerebral confirmada por médicos do hospital João XXIII neste domingo (23). Ele trabalhava em uma mineradora e deixa duas filhas, de 2 e de 5 anos.

A versão do policial

De acordo com registro da Polícia Militar, o policial de 37 anos contou que havia contratado o serviço de polimento de carro no lava-jato de um dos irmãos da vítima. Segundo ele, ficou combinado que o carro estaria no local na tarde de ontem.

Conforme relato do militar, quando ele chegou ao lava-jato, encontrou Joaquim, que informou que o dono do estabelecimento não estava no local. O policial questionou a vítima sobre o paradeiro do carro, e, segundo ele, Joaquim não teria gostado do tom do questionamento.

Os dois, então, teriam começado a discutir até que passaram para agressões físicas. O próprio policial militar ligou para o 190 solicitando uma guarnição no local, mas ele disse que levou um soco na testa e um chute na perna.

Ainda conforme relato do militar à polícia, ele não teria conseguido se desvencilhar da briga e atirou em Joaquim. Após o disparo, o PM teria dito à atendente que precisava de socorro, mas os próprios vizinhos da vítima prestaram o auxílio necessário.

O policial foi preso e encaminhado à Central Estadual do Plantão Digital. A Corregedoria da Polícia Militar acompanha a ocorrência.

Família e testemunhas

O lava-jato do irmão de Joaquim fica na garagem da casa da mãe deles, no bairro São Benedito. Um sobrinho da vítima, filho do dono do estabelecimento, estava no local no momento do disparo.

À Polícia Militar, testemunhas disseram que o autor estava respondendo de forma agressiva antes de iniciar uma discussão exaltada. Os dois teriam trocado socos e o policial teria avisado que ia atirar, antes de efetuar o disparo.

Alexandre Teixeira dos Santos, que chegou ao local minutos depois do tiro, disse que o policial era despreparado e tinha sinais de embriaguez ou uso de drogas. Ainda segundo ele, o militar teria se recusado a fazer exame toxicológico após cometer o crime.

Ao BHAZ, o irmão de Joaquim explicou que o policial teria pedido ao dono do lava-jato, outro irmão, que o carro fosse deixado na rua abaixo do estabelecimento, em frente à casa de um conhecido do militar.

No entanto, o autor foi direto para o lava-jato e não encontrou o veículo nem o dono. Ainda segundo Alexandre, testemunhas disseram que o homem tentou invadir a casa da família. Joaquim teria tentado impedir a entrada do policial no imóvel quando os dois começaram a discutir.

“O policial atirou nele pelas costas, a bala entrou na nuca e saiu pela testa. Quando eu cheguei lá, ele apontou a arma para mim, e não queria deixar ele ser socorrido”, relata Alexandre Teixeira dos Santos.

‘Só um milagre’

Joaquim Aleixo Sabino foi socorrido pelos vizinhos e levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) São Benedito, em Santa Luzia. De lá, ele foi encaminhado ao hospital João XXIII, em Belo Horizonte.

Neste domingo, Alexandre foi informado pelos médicos de que o irmão havia sofrido morte cerebral. “O médico disse que agora é só um milagre. Não deu esperanças. Se um milagre acontecer, ele ainda fica em estado vegetativo”, lamenta.

O que diz a PM?

Procurada pelo BHAZ, a Polícia Militar de Minas Gerais informou que “o policial militar estava de folga e à paisana” e que o caso foi registrado pelo 35º Batalhão e é acompanhado pela Corregedoria da instituição.

“O policial militar foi preso em flagrante delito e conduzido à delegacia de plantão da Polícia Civil para adoção de providências cabíveis e apuração dos fatos”, diz a nota (leia na íntegra abaixo).

Nota da PM na íntegra

A respeito da ocorrência que resultou na morte cerebral de um homem, a partir de um fato que se deu no bairro São Benedito, em Santa Luzia, neste sábado (22/01), a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) esclarece que o policial militar estava de folga e à paisana e que o evento foi registrado pelo 35º BPM, com acompanhamento da Corregedoria da instituição. O policial militar foi preso em flagrante delito e conduzido à delegacia de plantão da Polícia Civil para adoção de providências cabíveis e apuração dos fatos.

Edição: Giovanna Fávero
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde 2019 e graduanda em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagens premiadas pelo Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021.

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