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Suspeito de sair do apartamento de Stifanie antes de ela ser encontrada morta se apresenta à polícia

21/07/2026 às 14h27
mulher encontrada morta camargos bh
(Reprodução/Redes Sociais)

O suspeito de ter deixado o prédio de Stifanie Firmino Silva, de 35 anos, pouco antes dela ser encontrada morta no apartamento no bairro Camargos, na região Noroeste de Belo Horizonte nessa segunda-feira (20), se apresentou à Polícia Civil nesta terça-feira (21). Vizinhos apontam que o homem teria um relacionamento com a atendente de supermercado.


De acordo com fontes ligadas ao caso, o homem se apresentou voluntariamente depois de ter sido orientado pelos amigos e parentes. Neste momento, o suspeito presta depoimento. Resultados de um laudo do IML (Instituto Médico Legal) são aguardados e, só depois, será decidido se ele aguarda a investigação em liberdade.


[matéria em atualização]

Suspeitas

O sumiço de Stifanie Silva foi percebido por uma das amigas após uma mudança de hábito. Conforme relatos ouvidos pelo BHAZ, ela frequentemente enviava mensagens por áudio, mas nos últimos cinco dias o número dela realizava contato apenas por mensagem de texto, inclusive, usando o pronome masculino para referir a si mesma.

Amigas de Stifanie já havia demonstrando preocupação com a situação emocional dela, mas a suspeita de que algo poderia ter ocorrido surgiu após a mulher supostamente cometer um erro gramatical. “Ela sabia diferenciar ‘obrigado’ de ‘obrigada’”, afirmou uma vizinha que preferiu não se identificar. Diante da estranheza, a amiga enviou um ultimato. “Me manda um áudio para eu ficar mais tranquila. Se você não me mandar um áudio, eu vou chamar a polícia e mandar arrombar”. Após a exigência da prova de vida, um homem foi visto abandonando o apartamento nesta segunda-feira (20).

Thiago Corrêa, vizinho de porta de Stifanie, disse que ela sempre foi muito expressiva. “Sempre escutava ela chegando em casa, mexendo bastante a chave, mandando áudio para alguém… até para mim, as mensagens que ela mandava de vez em quando, ela mandava por áudio, ela gostava muito de falar”, relatou. Ele notou que, desde a última quarta-feira (15), o silêncio no apartamento vizinho era absoluto.

De acordo com o vizinho, ele disse ainda ter cruzado com o suspeito no corredor na manhã desta segunda, por volta das 8h. Ele descreveu o homem como alguém de aparência “apática” e que não demonstrava emoções. “Ele sempre passava, mas não dava um bom dia, não dava um boa tarde, sempre com uma cara bem apática”, disse.

A situação chegou ao limite quando a portaria e os vizinhos, preocupados com o sumiço, decidiram bater à porta de Stifanie. Thiago Corrêa relatou que, ao abrirem as janelas para tentar contato, sentiram um “odor muito forte de decomposição”. A polícia foi acionada e confirmou que o corpo já estava no local há um período de três a cinco dias. “É muito doído… pela maldade da pessoa ficar lá quatro dias com ela lá dentro”, desabafou uma das amigas que acompanhou as buscas.

Stifanie morava sozinha e vivia um momento de fragilidade após a perda recente da mãe e do irmão. Segundo pessoas próximas, ela era diagnosticada com bipolaridade e ansiedade, recebendo assistência constante de membros da igreja onde ela congregava. A mulher teria conhecido o suspeito há cerca de um mês por meio de aplicativo de relacionamentos. No entanto, o casal já havia apresentado sinais de conflito, como uma briga ocorrida no condomínio presenciada por vizinhos.

Entenda

Stifanie Ribeiro Firmino Silva, de 35 anos, foi encontrada morta nesta segunda-feira (20) em um apartamento em no bairro Camargos, na região Noroeste de BH. De acordo com informações preliminares, ela estava de atestado do trabalho desde a semana passada e, por isso, o corpo foi encontrado em estado avançado de decomposição.

Uma vizinha, que preferiu não se identificar, relatou que Stifanie era uma pessoa que enfrentava um quadro de sofrimento psicológico. Conforme contou ao BHAZ, a saúde mental da mulher havia piorado drasticamente após a perda recente da mãe e do irmão, falecido há cerca de dois anos. Em conversas com conhecidos, ela desabafava dizendo que se sentia “sozinha no mundo”. Devido ao estado de vulnerabilidade emocional, a mulher estava afastada do trabalho por 10 dias no momento em que o crime ocorreu.

No último encontro entre as duas, Stifanie percebeu a preocupação da amiga e indagou: “Você tá preocupada comigo, né?”. Diante da confirmação, ela tranquilizou a amiga dizendo que estava “melhor”. A vizinha disse que, na ocasião, deu forças à amiga. “Pega com Deus que isso tudo vai passar, porque é muito difícil”

Segundo informações apuradas pelo BHAZ, haviam boatos no condomínio de que ela estaria recebendo homens no apartamento dela. No entanto, Stifanie negava aos conhecidos, afirmando ser “mentira”. A vizinha classificou o ocorrido como um “feminicídio”, lamentando que, no Brasil, esse tipo de crime muitas vezes fica apenas na estatística.

A Polícia Civil investiga o caso

Pablo Nogueira

Pablo Nogueira é jornalista, formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), com mestrado em Comunicação pela UFMG. Tem passagens pela Rádio Itatiaia, Rádio BandNews, Rede Minas, TV Alterosa, governo do estado, Agência Minas e Centro de Comunicação da Universidade Federal de Minas. Venceu os prêmios de jornalismo CDL, em 2024, MOL, em 2023, e Amagis, em 2022, além de ter sido finalista dos prêmios ABMES, em 2023, CDL, em 2022 e 2023, e C6 Bank, em 2022. É editor do BHAZ.
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