O homem apontado como principal suspeito do triplo homicídio ocorrido em uma padaria em Ribeirão das Neves, na região Metropolitana de Belo Horizonte, era frequentador do estabelecimento e morava e trabalhava ao lado do local. Segundo a Polícia Civil, ele não possui condenações anteriores nem histórico de prisão, mas tem diversos registros policiais por ameaça, perseguição e ocorrências relacionadas à Lei Maria da Penha.
O crime aconteceu na noite do dia 4 e vitimou três mulheres, entre elas menores de idade. A Polícia Militar foi acionada por volta das 20h40 e, ao chegar ao local, encontrou duas vítimas já sem vida dentro da padaria. Uma terceira mulher foi socorrida pelo Samu, mas também morreu. O local foi isolado para os trabalhos da perícia.
Inicialmente, um adolescente chegou a ser apreendido como suspeito, após relatos e contradições identificadas no momento da abordagem. No entanto, com o avanço das investigações, um segundo suspeito maior de idade, foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, diversos elementos encontrados com ele, como capacete, motocicleta e a arma apreendida, apresentam características compatíveis com os fatos investigados tanto na padaria quanto em uma tentativa de homicídio registrada no dia seguinte em uma oficina mecânica na mesma região.
A polícia informou que ainda não crava a autoria do triplo homicídio, mas considera o homem preso um “grande suspeito”. A prisão em flagrante foi ratificada e houve representação pela prisão preventiva no âmbito das investigações sobre as mortes.
A motivação do crime segue sob apuração. Segundo a Polícia Civil, existem linhas investigativas em andamento, que incluem hipóteses de natureza passional ou patrimonial, mas nenhuma delas foi confirmada até o momento. A corporação afirma que novas diligências e perícias ainda estão em curso e que a qualificação final do crime dependerá da conclusão do inquérito.
Defesa de adolescente alega inocência
O advogado do adolescente, de 17 anos, apreendido no dia 4 de fevereiro, afirmou que não há provas de que ele seja o autor do crime. Em conversa com o BHAZ, Gilmar Francisco classificou a apreensão como o “maior erro judiciário de Minas Gerais” e disse que a família do jovem vem sofrendo ameaças. O pedido de liberdade foi encaminhado ao Ministério Público (MPMG) na última segunda-feira (9), acompanhado de evidências.
“O que inocenta o meu cliente é a ausência de provas. Isso contraria o que a juíza afirmou na decisão, ao alegar que a prova de autoria seria o Boletim de Ocorrência (BO). No entanto, o registro policial não constitui prova. Além disso, não foram apreendidos com ele capacete, roupas ou arma, nem há relato de testemunha que o tenha reconhecido”, disse ao BHAZ.
O advogado também alegou que houve inversão no processo, já que o jovem teria sido apreendido antes da conclusão das investigações. “Na verdade, a família inteira fez o papel da polícia, pois precisou buscar imagens que mostrassem que o meu cliente não estava na padaria. Ou seja, tiveram que investigar e provar que não era o menor para, só depois, os policiais irem atrás do verdadeiro autor. Esse é o maior erro judiciário de Minas Gerais”, afirmou.
A defesa reiterou a versão apresentada pelos familiares do adolescente. Segundo Gilmar Francisco, por volta das 20h30, o jovem saiu de casa e foi até uma mercearia do bairro para comprar bebidas e cigarros para a mãe.
“Ele ainda comprou um hambúrguer, fez um lanche no local e, em seguida, levou os produtos para casa. Esse trajeto teria ocorrido entre 20h28 e 20h42 e foi registrado por câmeras da rua. Já o ataque à padaria, conforme o BO, aconteceu por volta das 20h39”, afirmou.
Relembre o caso
Testemunhas relataram que o autor do crime usava uma touca e um capacete quando entrou no local, que fica no bairro Lagoa, e atirou contra as vítimas. A jovem, de 17 anos, estava no caixa no momento do ataque e foi atingida por dois tiros: um na cabeça e outro no braço. Já a mulher, cliente da padaria, levou dois tiros nas costas.
Emanuely Geovanna, de 14 anos, foi encaminhada em estado grave ao Hospital em Risoleta Neves, em Venda Nova, mas morreu na unidade de saúde. Ela sofreu deu entrada com perfurações na cabeça, no braço direito e na perna.
Ana Júlia, irmã de Emanuely, a estava no local e presenciou o ataque. Em depoimento, ela relatou que o atirador seguiu em sua direção após disparar contra as primeiras vítimas. Ela disse que pediu para não ser morta e que, nesse momento, ele teria feito um gesto de deboche, colocando os polegares nas bochechas e mostrando a língua. Na sequência, fugiu de moto.
Segundo o registro policial, testemunhas relataram que o autor seria o ex-namorado de Nathielly e que ele teria discutido com a vítima por ciúmes antes do ataque. As outras duas vítimas teriam tentado intervir para defender a jovem, momento em que ele teria começado a atirar.










