Luiz Signorelli, autor de inúmeras obras que hoje integram o patrimônio cultural de Belo Horizonte, foi um dos mais proeminentes arquitetos que atuaram na cidade, sobretudo na primeira metade do século XX. Nascido em Cristina (MG), em 1896, o polivalente profissional ítalo-descendente formou-se em arquitetura pela Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (ENBA), em 1925.
Em sua passagem pela então capital do Brasil, Signorelli foi premiado por seus trabalhos tanto na ENBA, em 1925, quanto por suas participações no Salão Nacional de Belas Artes, em 1923 e 1926. Durante a formação acadêmica, teve como colegas de faculdade dois nomes que também alcançariam grande projeção profissional: Lucio Costa, autor do Plano Piloto de Brasília (1957), e Attilio Corrêa Lima, autor do plano urbanístico de Goiânia (1933).

Mudou-se para a capital mineira em 1928, onde montou seu primeiro escritório em sociedade com o colega da ENBA Raul Penna Firme. Juntos, instalaram a empresa R. P. Firme & Signorelli na Avenida Amazonas, n. 336, nas proximidades da Praça Sete. Após a breve sociedade com Raul Penna Firme, Signorelli permaneceu no mesmo endereço até 1940. Em 1930, participou do grupo de intelectuais que fundou a Escola de Arquitetura de Belo Horizonte (EABH), atual Escola de Arquitetura da UFMG, da qual foi diretor entre 1930 e 1937.

Além do protagonismo exercido no âmbito acadêmico, Signorelli legou à cidade uma expressiva produção arquitetônica, marcada pela autoria de mais de 170 projetos públicos e privados para diversos fins, nos quais transitou com rara habilidade pelos estilos eclético, art déco, protomoderno e moderno. A vasta produção de Luiz Signorelli inclui obras icônicas de Belo Horizonte, algumas delas já apresentadas em artigos desta coluna, como o Palacete Falci, a Casa Rosada, o Hotel Sul-Americano, o Museu Inimá de Paula, o Edifício Capixaba e o Teatro Francisco Nunes. O arquiteto também atuou no interior de Minas Gerais, onde desenvolveu importantes trabalhos, como a Agência do Banco do Brasil em Três Corações (1928) e o Grande Hotel de Araxá (1938).
Signorelli foi responsável por convidar o arquiteto italiano Raffaello Berti a se transferir para Belo Horizonte. Assim, em 1929, Berti deixou o Rio de Janeiro para tornar-se sócio de Signorelli em um profícuo escritório de arquitetura, do qual resultaram obras notáveis como a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (1935), o Palácio Arquiepiscopal (1935) e a sede social do Minas Tênis Clube (1937). Ambos também integraram o corpo docente fundador da Escola de Arquitetura de Belo Horizonte, em 1930.
Em 1964, aos 68 anos, Luiz Signorelli faleceu em Belo Horizonte. Em sua homenagem, o município atribuiu seu nome a uma rua no Bairro Cruzeiro, nas proximidades da Universidade FUMEC, perpetuando a memória de um dos mais notáveis arquitetos da história da capital mineira.
Seis obras de Signorelli que integram o patrimônio cultural de BH

















