Um vídeo obtido pelo BHAZ mostra dois pacientes do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, supostamente consumindo cocaína dentro de uma enfermaria da unidade. As imagens foram feitas por outro paciente.
No vídeo, um dos homens permanece deitado em uma cama, enquanto o outro se aproxima e se abaixa diante dele. Em determinado momento, ele parece inalar uma substância. Os dois conversam normalmente durante a gravação.
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Veja o vídeo:
Em nota, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), responsável pela administração do João XXIII, afirmou que segue as normas que proíbem o porte e o eventual uso de substâncias ilícitas, como drogas, dentro das unidades e informou que o hospital vai apurar o caso.
Ainda segundo a Fhemig, a Polícia Militar esteve no local durante a madrugada. Os policiais fizeram uma abordagem, mas nenhuma substância ilícita foi encontrada. A fundação disse, também, que mantém atuação integrada com os órgãos de segurança para prevenir situações que possam comprometer pacientes, acompanhantes e funcionários.
Funcionária relata presença de drogas e suposta ligação com facção
Uma funcionária do hospital, que pediu para não ser identificada por medo de represálias, contou à reportagem do BHAZ que o episódio não seria isolado. Nas redes sociais, outras pessoas também relatam a mesma situação. Segundo ela, o consumo de drogas dentro da unidade é uma prática recorrente por parte de alguns pacientes. “Aqui é coisa normal, tanto no térreo, quanto nos andares. Muitos usuários!”, relatou.
A funcionária também afirmou que os pacientes fariam uma espécie de rede de comunicação para facilitar o acesso às drogas. “Eles fazem a ponte, um fala pro outro e assim vai”, disse.
Ainda de acordo com o relato, os dois homens que aparecem nas imagens teriam dito aos funcionários do hospital que fazem parte de uma facção criminosa. A informação, no entanto, não foi confirmada oficialmente pelas autoridades.
Informações obtidas pela reportagem dão conta de que um dos pacientes estava prestes a receber alta e retornaria posteriormente ao hospital para uma cirurgia eletiva. O outro tem um procedimento cirúrgico marcado para o próximo dia 15 e, por isso, permaneceria internado.
Um dos homens que aparece na imagem tem 43 anos. De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), ele teve uma passagem pelo sistema prisional entre 23 de junho de 2004 e 14 de dezembro de 2005, e esteve na Penitenciária Agostinho de Oliveira Junior, em Unaí, e na Casa do Albergado Presidente João Pessoa, em Belo Horizonte, antes de receber alvará de soltura concedido pela Justiça. O motivo da prisão, no entanto, não foi informado.
Denúncia de superlotação no João XXIII
Além do episódio envolvendo o possível uso de drogas, a funcionária descreveu à reportagem um cenário de superlotação e sobrecarga no Hospital João XXIII, considerado referência em atendimentos de trauma em Minas Gerais.
Segundo ela, a situação teria se agravado após o fechamento do Hospital Maria Amélia Lins, também administrado pela Fhemig. Pacientes chegam a permanecer por horas nos corredores à espera de procedimentos.
“Pacientes com fratura exposta esperando horas no corredor, porque não tem vaga no bloco cirúrgico devido às cirurgias eletivas que eram do Amélia Lins”, relatou.
A situação envolvendo o Hospital Maria Amélia Lins chegou à Justiça. Em julho deste ano, uma decisão determinou que o Estado de Minas Gerais e a Fhemig retomassem integralmente os serviços da unidade.
A determinação foi dada em uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que questionou o fechamento do hospital e os impactos provocados pela medida na rede pública de saúde.
Na decisão, o magistrado considerou que a desativação da unidade não poderia ser tratada apenas como uma escolha administrativa do governo. Segundo o entendimento apresentado na sentença, o direito constitucional à saúde e o princípio da legalidade impõem limites à atuação do poder público, principalmente quando há prejuízo à continuidade do atendimento à população.
O Ministério Público argumentou ainda que o fechamento do Maria Amélia Lins contribuiu para sobrecarregar o Hospital João XXIII, que não teria estrutura suficiente para absorver toda a demanda, especialmente nas áreas de ortopedia e trauma. O órgão também apontou falta de planejamento adequado e afirmou que a medida provocou superlotação, cancelamento de cirurgias e aumento do risco de complicações e sequelas para pacientes.
O BHAZ também questionou a Fhemig e a Secretaria de Estado de Saúde sobre a reativação integral dos serviços do Maria Amélia Lins e a superlotação do Hospital João XXIII, e aguarda retorno.









