Nesta semana, o BHAZ estreia novas colunas assinadas por colaboradores de diferentes áreas. Além dos textos já publicados periodicamente por um time de especialistas, novos parceiros passam a integrar o projeto, ampliando o leque de temas e oferecendo aos leitores perspectivas qualificadas sobre assuntos relevantes da atualidade. Uma das novas colunas é a das pesquisadoras da Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões (Rede Femjusp/UFMG), que será publicada às sextas-feiras, a cada quinze dias.
A ideia é que as pesquisadoras que integram a rede se revezem, sob a coordenação da professora Ludmila Ribeiro, do Departamento de Sociologia da UFMG, na escrita sobre assuntos ligados à segurança pública, ao sistema prisional e à violência de gênero. Uma pergunta guia cada texto: para quem é a segurança cotidiana?
Análise e discussão
Toda cidade carrega uma promessa: a de que suas ruas, instituições e políticas existem para proteger quem nela vive. Mas basta olhar com atenção (e com mais dados) para perceber que essa proteção não chega da mesma forma para todas as pessoas. Para algumas, ela chega tarde. Para outras, ela nem sequer chega.
É a partir dessa constatação que nasce esta coluna. Para quem é a segurança? É esse o espaço da Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões (Rede Femjusp) no BHAZ. É um lugar onde pesquisa e dia a dia se encontram, onde os números ganham rosto e voz e onde perguntas incômodas encontram respostas fundamentadas em evidências. Deixamos, também, outras perguntas em aberto.
“Nós, da Rede Femjusp, somos um grupo de acadêmicas com formações diversas (sociologia, direito, ciência política, administração pública, jornalismo, entre outras), vinculadas à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Estudamos o sistema prisional, o sistema socioeducativo, a violência, a justiça e a segurança pública a partir de um eixo comum: o gênero. Não porque gênero seja o único recorte que importa, mas porque ele revela o que outros escondem”, explica Ludmila Ribeiro.
Nesta coluna, as pesquisadoras irão escrever sobre o que acontece nas ruas, nas delegacias, nos tribunais, nas prisões e nas políticas públicas de Belo Horizonte, de Minas Gerais e do Brasil. O foco estará, sobretudo, nas mulheres que acionam o sistema de justiça e as que são por ele ignoradas. A intenção é se debruçar sobre as mulheres que estão presas e as que ficam do lado de fora esperando. “Lançamos luz para aquelas que não estão mais aqui para contar, vítimas do feminicídio que assola meninas e mulheres de todo o Brasil. E, ainda, procuramos desvendar os números que os relatórios oficiais apresenta, destacando especialmente, o que eles deixam de contar”, destaca Ludmila.
Assim, quinzenalmente, uma de nós trará uma reflexão sobre violência, justiça e gênero no cotidiano, sempre ancorada em nossa atividade de pesquisa, mas escrita para quem vive as cidades, não apenas para quem a estuda.
Rede Femjusp
A Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões (Rede Femjusp) nasceu em 2025 reunindo pesquisadoras de diferentes áreas que têm em comum uma pergunta: o que o gênero tem a nos dizer sobre a violência, a justiça, a punição e a segurança pública?
O grupo é formado por acadêmicas com formações diversas (sociologia, direito, ciência política, administração pública, jornalismo, entre outras), vinculadas à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) por meio de pesquisas de iniciação científica, mestrado, doutorado, pós-doutorado e projetos coletivos. Juntas, produzem conhecimento sobre prisões, socioeducação, justiça criminal, violência e segurança pública, sempre com o gênero como eixo de análise. Nesta coluna, a intenção das pesquisadores é trazer esse conhecimento para mais perto, escrevendo sobre o que acontece nas ruas, nas prisões, nos tribunais e nas políticas públicas, com olhos atentos às mulheres que vivem, trabalham e circulam pela cidade. A aposto do grupo é de que ciência bem feita e linguagem acessível não se excluem: pelo contrário, é quando elas se encontram que o debate público se torna mais útil.









