Covid vitimou mais de mil crianças no Brasil e prejudicou imunização contra demais doenças, mostra estudo

Durante a pandemia, 22,7% das crianças mais pobres não completaram o cartão de vacinas, enquanto entre as mais ricas, o índice é de 15%.
Durante a pandemia, 22,7% das crianças mais pobres não completaram o cartão de vacinas, enquanto entre as mais ricas, o índice é de 15% (Arquivo/Agência Brasil)

Uma pesquisa conduzida Universidade Federal de Pelotas em parceria com o Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) revela que, até setembro deste ano, 867 crianças de até 4 anos e 194 crianças de 5 a 9 anos morreram no Brasil por Covid-19. O estudo mostra ainda que também foram vítimas da doença 273 adolescentes de 10 a 14 anos e 808, de 15 a 19 anos.

De acordo com a pesquisa, as crianças também deixaram de ser vacinadas contra outras doenças nesse período. Durante a pandemia, 22,7% das crianças mais pobres não completaram o cartão de vacinas, enquanto entre as mais ricas, o índice é de 15%.

“O maior impacto é o fato de que as crianças que já estão fragilizadas pela subnutrição resultante do aumento na pobreza, ficam ainda mais suscetíveis a outras doenças infecciosas que podem ser prevenidas pela imunização”, diz o professor e coordenador do estudo, Cesar Victora. 

Para o pesquisador, tanto a Covid-19 quanto outras doenças infecciosas são mais preocupantes em crianças pequenas, pois elas “têm um sistema imunológico imaturo e morrem mais do que crianças maiores devido a pneumonia, diarreia e muitas outras infecções”, diz. 

Necessidade do combate à pobreza

Para o pesquisador, se faz necessária uma atenção especial à infância e o reforço de políticas públicas de combate à pobreza. “Investir na primeira infância e minimizar os efeitos da pandemia é essencial para garantir não apenas a saúde das próximas gerações, mas também o capital humano que permitirá o desenvolvimento de nosso país nas próximas décadas”.

Victora menciona, ainda, a importância do Programa Feliz, iniciativa do Governo Federal voltada para a infância. Por meio de visitas domiciliares às famílias participantes do Cadastro Único, as equipes do Criança Feliz acompanham e orientam o desenvolvimento delas.

“Programas potencialmente efetivos como o Criança Feliz precisam ser revitalizados, pois a pandemia afetou marcadamente a frequência das visitas domiciliares visando a estimular a interação entre crianças e seus familiares”, defende o professor. 

De acordo com o Ministério da Cidadania, em 2020, o programa bateu o recorde de 1,1 milhão de atendidos pelos 26 mil visitadores espalhados pelo país. Ao longo do ano, foram realizadas 40 milhões de visitas. Em agosto deste ano, o programa ultrapassou a marca de 50 milhões de visitas e está presente nos lares de mais de 1,2 milhão de brasileiros.

Com Agência Brasil

Edição: Giovanna Fávero
Larissa Reis
Larissa Reislarissa.reis@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Comentários