Eduardo Bolsonaro é criticado por associar falha na obra do metrô de SP a mulheres engenheiras

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Eduardo Bolsonaro questionou por que a empresa responsável pela obra prioriza a contratação de mulheres (Fabio Rodrigues Pozzembom/Agência Brasil)

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) fez uma postagem insinuando que a cratera aberta na obra do metrô de SP ocorreu por conta da contratação de mulheres por parte da empresa responsável pela construção. A concessionária divulgou ontem (4) uma nota considerando o conteúdo da publicação misógino e desrespeitoso, e disse que irá acionar medidas judiciais.

No vídeo compartilhado ontem pelo filho de Jair Bolsonaro (PL), aparecem funcionárias da Acciona, empresa responsável pela obra, falando sobre como a construção em questão beneficiaria SP. A fala das mulheres foi intercalada com imagens da obra cedendo e dos estragos causados.

Eduardo escreveu: “‘Procuro sempre contratar mulheres’, mas por qual motivo? Homem é pior engenheiro? Quando a meritocracia dá espaço para uma ideologia sem comprovação científica o resultado não costuma ser o melhor. Escolha sempre o melhor profissional, independente da sua cor, sexo, etnia e etc”.

Empresa considera postagem misógina

Em contrapartida, a concessionária emitiu uma nota repudiando o teor da mensagem no vídeo. “A Acciona, como uma empresa que tem o respeito à diversidade como um dos pilares de sua política de ESG, lamenta profundamente o teor dessa videomensagem que circula em redes sociais”.

“A empresa considera o conteúdo misógino e extremamente desrespeitoso com nossas colaboradoras. A Acciona tem programas especiais de estímulo à contratação de mulheres, inclusive na área de construção, e se orgulha dos seus profissionais. A empresa estuda as medidas judiciais cabíveis ao caso”.

‘Eu não sou inferior por ser homem’

Ao tomar conhecimento da resposta da empresa, o deputado disse que estava “aguardando para saber por qual motivo se priorizam mulheres na contratação de uma obra”. Ele acrescentou: “Troque homens/mulheres por negros/brancos e tem-se aí um vídeo racista da empresa”.

“Eu não sou inferior por ser homem. Parece que a empresa não tem argumentos e parte para o ataque”, apontou Eduardo Bolsonaro. “É por isso que muitos reclamam da polarização. É estratégia deles caluniar, xingar e assim não há debate e sim troca de acusações”, afirmou.

Ele ainda argumentou: “São os tempos de politicamente correto, que acabam privilegiando os ignorantes. Aguardo os argumentos da empresa ainda, não mero ataque”. Confira os tuítes do deputado federal:

Janaina Paschoal aconselha deputado apagar post

A deputada estadual de São Paulo, Janaina Paschoal (PSL) comentou na postagem de Eduardo Bolsonaro sobre a Acciona que o conteúdo era desnecessário. “Deputado, o Sr. é pai de menina. Está sendo injusto com as moças. Vamos aguardar apurar responsabilidades”.

“Quer criticar o Dória? É da Política e da Democracia, mas essa postagem é desnecessária. Lembra quando sua esposa foi desrespeitada e exposta no trabalho? Melhor apagar”, aconselhou Janaina. O filho de Bolsonaro respondeu:

“Deputada, se uma empresa dá preferência a brancos isso é racismo. Por que há uma preferência por mulheres para tocar uma obra? E se amanhã for dada preferência a homens noutro setor? O mundo tem que parar com lacração e retornar à meritocracia. Não descontextualize o que eu disse”.

Relembre o desmoronamento

Uma parte da obra do metrô de São Paulo (SP) cedeu nessa terça-feira (1°), abrindo uma cratera na Marginal Tietê. As autoridades da capital estão investigando a causa do desmoronamento. A STM (Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo) informou ao BHAZ que não houveram vítimas.

“Não há informações sobre vítimas. As causas do acidente serão apuradas, assim como a extensão dos danos à obra e às vias locais”, disse o órgão em nota. Além disso, o governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB) disse que determinou apuração imediata das causas do desmoronamento.

Edição: Roberth Costa
Andreza Mirandaandreza.miranda@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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