As chuvas devem continuar em Minas Gerais até a próxima sexta-feira (27), sobretudo nas regiões da Zona da Mata e Vale do Rio Doce, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em razão do temporal que atingiu Juiz de Fora e Ubá nessa madrugada, ambas na Zona da Mata, foram registrados deslizamentos com casas soterradas, carros arrastados e alagamentos. Até o momento, ao menos 28 pessoas morreram e 41 seguem desaparecidas nas duas cidades.
Segundo o meteorologista do Inmet, Lizandro Gemiacki, Minas Gerais está, ao longo desta semana, sob a atuação de uma área de instabilidade associada a um cavado atmosférico.
“É uma região de baixa pressão que atua em diferentes pontos do Sudeste, favorecendo a ocorrência de chuva, tanto aquelas contínuas por algumas horas seguidas quanto pancadas mais intensas no fim da tarde e à noite. Além disso, podem vir acompanhadas de rajadas de vento e trovões”, explicou em entrevista ao BHAZ.
Embora ocorram chuvas em todo o estado, Lizandro ponderou que os maiores acumulados devem ocorrer, principalmente, na Zona da Mata e Vale do Rio Doce. “Estamos com aviso vermelho para essas regiões, pois podem ter acumulados acima de 100 mm em 24h. Então, até sexta, a perspectiva é de grandes volumes de precipitação”, disse o meteorologista.
Em relação ao fim de semana, segundo Lizandro, a previsão de chuva deverá ser avaliada. “A princípio, é que, até sexta-feira, seguimos com essa instabilidade na região Central do Brasil, o que favorece muitas nuvens de chuva”, finalizou.
‘Esperamos mais chuvas e eventos críticos’
Em coletiva nesta terça-feira (23), a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), afirmou que espera mais chuvas e, por isso, é ‘razoável imaginar que teremos novos eventos críticos’. Além de desabamentos e alagamentos, já foram registradas 21 mortes, enquanto 43 pessoas seguem desaparecidas. O município está em estado de calamidade pública.
Durante o temporal, o Rio Paraibuna e córregos transbordaram, alagando ruas. Foram registrados desabamentos de imóveis e deslizamentos de terra, com pessoas soterradas.
Ainda conforme Salomão, diante do estado crítico, a cidade contará com apoio das equipes de segurança e saúde, além de recursos do Governo Federal. Além disso, a Defesa Civil de Minas Gerais mantém diálogo com o Executivo municipal.
“Recebemos um telefonema do presidente em exercício, Geraldo Alckmin, colocando o Governo Federal do Brasil à nossa disposição. Em seguida, um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está embarcando para os Emirados Árabes Unidos, mas fez questão de dizer que está conosco”, reiterou.
A prefeita contou que o governo mandará reforços da Defesa Civil Nacional, ajuda humanitária, além da Força Nacional da Saúde. “Será um grupo de profissionais da saúde que irá apoiar com os atendimentos que forem necessários. Mandaram também um conjunto de psicólogos que irão fazer o acolhimento das famílias atingidas, seja pela perda de um familiar ou bens”, disse.
Outro auxílio foi decretar Juiz de Fora em estado de calamidade nacional. “Isso facilita que tenhamos acesso às condições legais que nos permitem responder algumas questões prontamente e fazer contratações emergenciais. Isso nos liberta de uma série de amarras legais que, na verdade, caracterizam a gestão pública, mas que dificultam muito”, explicou.
Chuvas na Zona da Mata
O forte temporal que atingiu cidades da Zona da Mata mineira soterrou casas, arrastou carros, provocou alagamentos e deixou um rastro de destruição. Em Ubá, um prédio chegou a desabar na região central do município. Segundo relatos enviados ao BHAZ, a situação é considerada caótica, com pedidos de botes para resgate de pessoas ilhadas e informações sobre desaparecidos.
Um dos casos registrados ocorreu em Juiz de Fora, onde uma mãe foi resgatada na manhã desta terça-feira (24) após um deslizamento atingir o bairro Paineiras. O salvamento aconteceu em meio às enchentes que atingem a cidade desde a noite de segunda-feira (23). No imóvel, estavam cinco pessoas: três adultos e duas crianças.
Outro caso foi registrado em Ubá, onde um asilo de idosos foi invadido por uma enxurrada durante a chuva histórica que atinge a região. Segundo as autoridades, trata-se do Lar João Freitas, localizado na área central da cidade. Imagens mostram idosos sendo amparados sobre as camas em meio à água que invadiu o local.
A Prefeitura de Juiz de Fora informou que este é o fevereiro mais chuvoso da história do município, com volume acumulado de 584 milímetros, mais que o dobro do esperado para o mês. Diante dos danos provocados pelas chuvas intensas, o Executivo decretou estado de calamidade pública e suspendeu as aulas nas creches e escolas municipais.










