O Aeroporto de Confins, administrado pela BH Airport, foi o segundo com maior crescimento do número de passageiros nos últimos quatro anos. Os dados, disponibilizados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e apurados pelo BHAZ, mostram um crescimento vertiginoso do terminal mineiro em relação aos principais aeroportos do Brasil. No entanto, de acordo com o CEO do BH Airport, Daniel Miranda, em entrevista exclusiva ao BHAZ, o terminal ainda dá prejuízo, apresentou dados negativos nos últimos anos, mas há uma expectativa de que a situação seja revertida já no ano que vem.
Confins cresceu 65%, entre 2022 e 2025, e só ficou atrás dos terminais do Rio de Janeiro (Galeão e Santos Dumont) que, juntos, apresentaram um crescimento de 82%. Veja a tabela completa no final desta reportagem.
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Para a BH Airport, esse crescimento é parte de uma estratégia de ampliar a conectividade do aeroporto com destinos domésticos. Confins está a um passo de ter voos programados para todas as capitais do Brasil. Com o último anúncio, feito na primeira quinzena de maio, Macapá se tornou a 26° capital a ter conexão direta com Belo Horizonte, faltando apenas Boa Vista para completar o quadro. A nova rota para a capital do Amapá entrará em operação em novembro de 2026.
A ampliação de rotas internacionais também têm atraído mais turistas para Minas Gerais. Nesse caso, o último destino anunciado foi Montevidéu, no Uruguai. A rota entre os países latinos entrou em operação em março. Além dela, Confins também conta com voos diretos para Orlando, Lisboa, Cidade do Panamá, Santiago e Buenos Aires.
Muito em breve, Miami pode ser o próximo destino que conectará Belo Horizonte e uma cidade americana. “Tem alguns destinos que a gente até chegou a veicular na mídia, como Lima, como Orlando -que a gente já tá operando, mas a gente tem o desejo, tem a ambição de trazer Miami, por exemplo. É uma rota que a gente persegue! Não tem nada concreto, mas são alvos que a gente tá trabalhando diariamente para trazer”, disse.
O CEO do BH Airport, Daniel Miranda, também credita o crescimento de Confins às políticas públicas e internas do aeroporto, de incentivo para atrair novas rotas. “A gente participa de vários eventos, tanto em âmbito nacional, quanto internacional, para que a gente possa promover Minas Gerais fora do Brasil ou dentro do Brasil, e potencializar toda essa estrutura, toda essa atratividade que nós temos no estado”, analisou Daniel.
Potencial
Embora apresente crescimento, Daniel Miranda chama a atenção para o potencial que Minas Gerais ainda tem a explorar e, com isso, aumentar ainda mais o número de visitantes. Em 2025, dos 9 milhões de turistas estrangeiros que visitaram o Brasil, apenas 50 mil visitaram Minas Gerais, ou seja, menos de 1%.
O gestor chamou a atenção para o chamado “turismo de negócio”, com viagens corporativas que podem promover o desenvolvimento econômico da região. “40% da nossa demanda, aproximadamente, hoje, é de turismo de negócios e isso tem sido um eixo muito importante, também, na atração de novas empresas na região”, disse o CEO.
Apesar da aposta e dos resultados nos últimos anos, o turismo, em Minas Gerais, ainda é um desafio. Dados do Núcleo Estudos Econômicos da Fecomércio MG mostram que, em 2025, o setor sofreu uma retração da atividade turística de 3%, na comparação com 2024. Enquanto isso, o Brasil registrou um crescimento médio de 5,5% no mesmo período.
Fernando Sette Júnior, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e professor do Centro Universitário UNA acredita que, para virar este jogo, é preciso planejamento estratégico. “Minas pode avançar, mas com uma identidade própria: patrimônio histórico, cidades coloniais, Inhotim, Serra do Cipó, Capitólio, Diamantina, Estrada Real, gastronomia, café, queijo, turismo religioso e eventos corporativos. O desafio é transformar esses ativos em pacotes, campanhas, calendário de eventos e parcerias com companhias, operadoras, hotéis e poder público”, concluiu.
Crescimento poderia ser maior
No entanto, o crescimento de Confins poderia ter sido ainda maior, não fosse a crise de componentes que o setor aéreo enfrenta, com atrasos na entrega de novas aeronaves, além do preço do combustível de aviação, segundo Daniel Miranda.
Para Fernando Sette Junior, os dados mostram não apenas a demanda reprimida pela pandemia, como um novo comportamento dos consumidores. “As pessoas passaram a valorizar mais experiências, viagens curtas, turismo interno e deslocamentos regionais. Além disso, companhias aéreas e aeroportos reorganizaram suas malhas, buscando rotas mais rentáveis, maior ocupação dos voos e melhor aproveitamento de hubs estratégicos.” disse.

Prejuízos
Em 2023, a confirmação de que as contas do Aeroporto de Confins iam mal colocaram em cheque a eficiência da operação do terminal. Na época, a informação divulgada era de que o BH Airport operava no vermelho, com déficit de R$ 18 milhões. Os números, na verdade, eram bem piores. O CEO do aeroporto, Daniel Miranda, explica que, naquele ano, o resultado ruim foi de R$ 120 milhões. Em 2025, o déficit foi menor, porém, ainda substancial: cerca de R$ 50 milhões. “A projeção para o ano que vem é chegar muito próximo de zero”, projeta o gestor. (veja mais no vídeo abaixo)
Daniel se tornou diretor-presidente do BH Airport no final de 2023, após atuar na diretoria de finanças do terminal. Como parte da estratégia para reverter os números ruins, passou a focar na ampliação das rotas, no desenvolvimento da equipe de trabalho e no crescimento do Hub Logístico, o terminal de cargas. De acordo com a administração do aeroporto, o hub movimentou cerca de 13 mil toneladas de carga e quase R$ 19 bilhões, em 2025, o que representou um recorde. Deste total, a mineração correspondeu a 41% do volume movimentado. O BH Airport funciona como uma integração entre modais, como aéreo, rodoviário internacional e marítimo, concentrando as operações como recebimento, deslacre, armazenamento e nacionalização de cargas.
A recuperação das contas de Confins possibilita novos investimentos no terminal. Segundo Daniel Miranda, “A gente saiu de uma margem ebitda (indicador que converte a receita da empresa em caixa operacional) de 20% para 63%, atualmente. Então, nós conseguimos alavancar o resultado significamente, o que é bom pro negócio, mas também é bom pro desenvolvimento econômico social, porque a gente consegue alavancar investimentos, consegue ter saúde financeira para projetar todo esse crescimento que a gente vem tendo atualmente”.
Operações de Confins foram vendidas
Em novembro de 2025, as operações aeroportuárias de Confins e Pampulha foram vendidas pela Motiva, antiga CCR, ao grupo mexicano Asur, também responsável pelo Aeroporto de Cancun e outros terminais. A operação envolveu, também, outros 15 aeroportos no Brasil e teve o valor total de R$ 11,5 bilhões, sendo R$ 6,5 bilhões em dívidas.
O aeroporto de Confins foi concedido à iniciativa privada em 2014. Na época, o contrato, de R$ 1,8 bilhão, previa uma concessão de 30 anos. Com isso, a expectativa é de que a Asur passe a comandar ativamente a administração de Confins e Pampulha a partir de meados de agosto de 2026 e cumpra o restante do contrato de concessão.









