Um motorista de Contagem, na Grande BH, terá que ser indenizado por uma empresa de aplicativo de transporte. A determinação é do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que, em decisão tomada pela 12ª Câmara Cível, reconheceu que ele teve o CPF utilizado indevidamente por outra pessoa para a criação de uma conta falsa na plataforma.
A decisão do TJ reconsiderou a sentença da Comarca de Contagem que havia determinado a exclusão do cadastro indevido, mas negou a compensação financeira por entender que o caso não passava de mero aborrecimento.
De acordo com informações divulgadas pelo TJMG, o autor da ação relatou que decidiu se cadastrar como motorista parceiro no aplicativo para complementar a renda. Ao tentar realizar o procedimento, foi surpreendido com a informação de que já existia um registro ativo vinculado ao mesmo CPF, que teria sido feito por uma pessoa de outro estado. Com isso, o autor registrou boletim de ocorrência para não ser responsabilizado por atos de terceiros usando seus documentos e decidiu acionar a Justiça contra a empresa.
Ainda segundo o órgão, o motorista sustentou que foi vítima de fraude e falsidade ideológica, o que demonstrou uma falha grave na segurança da empresa, que não assegurou mecanismos eficazes de verificação de identidade para proteger os dados pessoais dos cidadãos.
O que diz a empresa
Na decisão divulgada, a empresa alegou, durante o processo, que o cadastro falso foi cometido por terceiro mal-intencionado, o que configuraria exclusão de sua responsabilidade. Alegou que não é responsável por atos dos condutores, mas atua como plataforma de intermediação digital.
Também informou que o sistema de segurança já havia identificado e bloqueado a conta por fraude antes da reclamação do autor e que também fora vítima, já que o golpista conseguiu burlar seu sistema de validação facial.
Em 1ª Instância, foi determinada apenas a exclusão dos dados do motorista que constavam na conta fraudulenta, permitindo que ele iniciasse novo processo de cadastro. O condutor recorreu da decisão, pleiteando os danos morais.
Decisão
O relator do caso, desembargador José Américo Martins da Costa, destacou que a utilização não autorizada de dados pessoais para fins econômicos não é um mero transtorno.
Conforme o magistrado, houve violação aos direitos da personalidade, afetando a identidade, a privacidade e a honra do motorista:
“O apelante, que buscava uma fonte de renda extra, viu-se associado a uma conta e a uma atividade exercida por um desconhecido em outro estado. A preocupação com as possíveis consequências dessa fraude é absolutamente legítima e concreta. Ele ficou exposto ao risco de ser responsabilizado por eventuais ilícitos civis, administrativos ou até criminais.”
Com base em casos semelhantes, a indenização por danos morais foi fixada em R$ 5 mil.
As desembargadoras Maria Lúcia Cabral Caruso e Régia Ferreira de Lima acompanharam o voto do relator.
Com informações do TJMG









