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Super El Niño pode se formar em 2026 e impactar o clima no Brasil, alerta agência dos EUA

12/06/2026 às 15h00
Super El Niño pode se formar em 2026, diz agência dos EUA
Informção foi confirmada pela NOAA nessa quinta-feira (11). (IMAGEM ILUSTRATIVA: Pixabay/Reprodução)

A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação do El Niño, fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. O comunicado foi divulgado pela agência nessa quinta-feira (11). As análises também apontam para um fortalecimento gradual do fenômeno ao longo do segundo semestre deste ano, com 63% de probabilidade de que ele evolua para um Super El Niño.

Conforme a nova Discussão Diagnóstica ENSO do Centro de Previsão Climática (CPC/NOAA), as condições oceânicas e atmosféricas já apresentam o acoplamento característico da fase quente do fenômeno.

“A confiança dos modelos é extremamente elevada: a probabilidade de permanência do El Niño permanece entre 97% e 99% em todos os trimestres entre junho de 2026 e o verão de 2027, tornando a ocorrência do fenômeno praticamente certa”, informou.

Nos últimos meses, os meteorogistas já tinham indicado a possibilidade da formação do fenônemo, já que as águas já apresentavam sinais de aquecimento. Porém, a atmofera ainda não respondia plenemanete a essas mudanças.

A NOAA explicou ainda que, os especialistas observaram o fortalecimento de anomalias de vento típicas do El Niño, índices de Oscilação Sul negativos e o deslocamento gradual da atividade convectiva para o Pacífico central e leste – sinais claros de que o sistema oceano-atmosfera passou a atuar de forma integrada.

Além disso, todas as regiões monitoradas do oceano registraram temperaturas acima do limiar de El Niño, com anomalias superiores a 2°C.

Super El Niño

A agência climática ainda apontou que o fenômeno deve se fortalecer no segundo semestre de 2026, com pico previsto entre a primavera e o verão no Hemisfério Sul.

Segundo as projeções oficiais, há 63% de probabilidade de que o fenômeno atinja a categoria de El Niño muito forte, com índice ONI igual ou superior a +2,0°C entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Caso a projeção se confirme, o evento passará a integrar o grupo dos episódios mais intensos registrados desde 1950, ao lado dos históricos El Niños de 1982-83, 1997-98 e 2015-16.

El Niño em Minas Gerais

Em Minas Gerais, o fenômeno promete alterar o regime de chuvas e elevar as temperaturas. Por estar em uma área de transição climática, Minas apresenta baixa previsibilidade, mas especialistas alertam que a irregularidade deve marcar os próximos meses.

O climatologista Glauber Ferreira, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explicou, em conversa com o BHAZ, que o fenômeno influencia os padrões climáticos em diferentes partes do mundo e que, pensando no Brasil, tem efeitos clássicos, como a redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste e o aumento das precipitações no Sul do país.

Segundo o especialista, em Minas, o El Niño costuma aumentar as chuvas no Sudoeste, enquanto o Norte e o Nordeste do estado podem enfrentar estiagem e atraso no período chuvoso. Embora o calor deva subir em quase todo o território, cidades de maior altitude podem sentir menos esse aumento térmico.

“As temperaturas também tendem a subir em grande parte do território, embora municípios localizados em altitudes mais elevadas sintam menos essa mudança. Além disso, o fenômeno pode atrasar o período chuvoso nas regiões Central, Norte e Nordeste. Porém, vale lembrar que os impactos não são homogêneos em todo o estado, já que Minas é bastante diversificada”, pondero

Fenômeno requer atenção dos órgãos públicos

Em conversa com o BHAZ, Glauber chama a atenção para o fato de que, independentemente da intensidade do fenômeno, ele já apresenta impactos significativos no país. “Não se trata de fomentar alarmismo, mas para dizer que estão focando muito no grau do El Niño, quando, na verdade, estamos falando de um fenômeno natural que, mesmo com intensidade maior ou menor, exige atenção”, completou.

Em maio, o portal MetSul divulgou que especialistas garantem que o mundo não irá vivenciar uma catástrofe global como ocorreu entre 1877 e 1878. Segundo o órgão, o evento climático, naquela época, alterou os padrões de chuva nos continentes, causando secas severas e inundações que resultaram na morte de milhões de pessoas.

Porém, em 2026, ainda conforme o MetSul, o cenário é diferente, sobretudo pelos avanços tecnológicos, que possibilitam antecipar a formação do fenômeno com meses de antecedência e permitem que medidas preventivas sejam tomadas por governos, pela comunidade internacional e por agricultores. Outro fator é que, nos últimos 150 anos, o comportamento da atmosfera global se transformou.

O climatologista do Inmet orientou que as medidas de mitigação dos efeitos podem ser adotadas pela sociedade civil e orgãos públicos. “Por exemplo, em relação a elevação da temperatura e da redução da umidade, o recomendado é que as pessoas se hidratem, alimentem bem e evitem o sol nos horários de pico. Agora, já sobre os efeitos maiores, associados a enchentes, inundações ou secas, exigem um esforço conjunto dos governos, além da regulação entre a Defesa Civil e órgãos de monitoramentos dos reservatórios para a revisão dos planos de contingência”, finalizou.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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