A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação do El Niño 2026, fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. O comunicado foi divulgado pela agência na última quinta-feira (11). As análises também apontam para um fortalecimento gradual do fenômeno ao longo do segundo semestre, com 63% de probabilidade de que ele evolua para um Super El Niño.
Conforme a nova Discussão Diagnóstica ENSO do Centro de Previsão Climática (CPC/NOAA), as condições oceânicas e atmosféricas já apresentam o acoplamento característico da fase quente do fenômeno.
“A confiança dos modelos é extremamente elevada: a probabilidade de permanência do El Niño permanece entre 97% e 99% em todos os trimestres entre junho de 2026 e o verão de 2027, tornando a ocorrência do fenômeno praticamente certa”, informou a agência.
Nos últimos meses, os meteorologistas já tinham indicado a possibilidade da formação do fenômeno, já que as águas do Pacífico apresentavam sinais de aquecimento. Porém, a atmosfera ainda não respondia plenamente a essas mudanças.
A NOAA explicou que os especialistas observaram o fortalecimento de anomalias de vento típicas do El Niño, índices de Oscilação Sul negativos e o deslocamento gradual da atividade convectiva para o Pacífico central e leste — sinais claros de que o sistema oceano-atmosfera passou a atuar de forma integrada. Além disso, todas as regiões monitoradas registraram temperaturas acima do limiar do fenômeno, com anomalias superiores a 2°C.
Super El Niño 2026: o que esperar
A agência climática apontou que o El Niño 2026 deve se fortalecer no segundo semestre, com pico previsto entre a primavera e o verão no Hemisfério Sul.
Segundo as projeções oficiais, há 63% de probabilidade de que o fenômeno atinja a categoria de Super El Niño, com índice ONI igual ou superior a +2,0°C entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Caso se confirme, o evento passará a integrar o grupo dos episódios mais intensos registrados desde 1950, ao lado dos históricos El Niños de 1982-83, 1997-98 e 2015-16.
El Niño 2026 em Minas Gerais
Em Minas Gerais, o fenômeno promete alterar o regime de chuvas e elevar as temperaturas. Por estar em uma área de transição climática, o estado apresenta baixa previsibilidade, mas especialistas alertam que a irregularidade deve marcar os próximos meses.
O climatologista Glauber Ferreira, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explicou ao BHAZ que o fenômeno influencia os padrões climáticos em diferentes partes do mundo e que, no Brasil, tem efeitos clássicos: redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste e aumento das precipitações no Sul do país.
Em Minas, o El Niño costuma aumentar as chuvas no Sudoeste, enquanto o Norte e o Nordeste do estado podem enfrentar estiagem e atraso no período chuvoso. O calor deve subir em quase todo o território, com exceção das cidades de maior altitude.
“As temperaturas também tendem a subir em grande parte do território, embora municípios localizados em altitudes mais elevadas sintam menos essa mudança. Além disso, o fenômeno pode atrasar o período chuvoso nas regiões Central, Norte e Nordeste. Porém, vale lembrar que os impactos não são homogêneos em todo o estado, já que Minas é bastante diversificada”, ponderou o especialista.
El Niño exige atenção dos órgãos públicos
Independentemente da intensidade do fenômeno, os impactos já são significativos. “Não se trata de fomentar alarmismo, mas para dizer que estão focando muito no grau do El Niño, quando, na verdade, estamos falando de um fenômeno natural que, mesmo com intensidade maior ou menor, exige atenção”, alertou Ferreira.
Especialistas garantem que o mundo não deve vivenciar uma catástrofe global como a de 1877-1878, quando o El Niño alterou padrões de chuva em todos os continentes, causando secas e inundações que mataram milhões de pessoas. O cenário atual é diferente graças aos avanços tecnológicos, que permitem antecipar o fenômeno com meses de antecedência e adotar medidas preventivas.
O climatologista do Inmet orienta que tanto a sociedade civil quanto os órgãos públicos podem adotar medidas de mitigação. “Em relação à elevação da temperatura e à redução da umidade, o recomendado é que as pessoas se hidratem, alimentem-se bem e evitem o sol nos horários de pico. Já os efeitos maiores, associados a enchentes, inundações ou secas, exigem um esforço conjunto dos governos, além da regulação entre a Defesa Civil e órgãos de monitoramento dos reservatórios para a revisão dos planos de contingência”, finalizou.
Governo federal mobiliza ministérios diante de Super El Niño
O governo federal colocou 20 ministérios em estado de prontidão para responder aos impactos do Super El Niño 2026. O alerta foi reforçado pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação.
“O Brasil está, sim, mais preparado. A vigilância está permanente, os órgãos mobilizados, os planos de contingência já estão em curso”, disse Góes.
Para coordenar a resposta, o governo montou uma sala de situação que acompanha em tempo real o desenvolvimento da crise climática, coordenada pela ministra Miriam Belchior. O espaço reúne permanentemente órgãos como o Cemaden, o Inmet, o Inpe e as defesas civis estaduais e municipais de todo o país.
O ministro reconheceu que a tecnologia tem limites diante da intensificação dos eventos extremos, citando as enchentes no Rio Grande do Sul, a estiagem na Região Norte e o tornado no Paraná como exemplos recentes. “Os modelos matemáticos, às vezes, não alcançam aquela previsão com uma determinada previsibilidade assertiva”, admitiu.
Em situações de calamidade, a Defesa Civil Nacional — sob responsabilidade do ministério de Góes — é a primeira a chegar às regiões afetadas, acionando todo o aparato federal, incluindo as Forças Armadas quando necessário.










