Covid: Queiroga relaciona aumento de casos a festas de fim de ano e cita possível aprovação de autotestes

Ministro da saúde afirma que festas de final de ano aumentaram casos de covid-19
Ministro comentou aumento de casos e ameaça da ômicron (Valter Campanato/Agência Brasil)

O ministro da Saúde Marcelo Queiroga, afirmou, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (12), que o aumento dos casos de Covid-19 está diretamente relacionado às festas de fim de ano, conforme várias autoridades de saúde já vinham alertando. O ministro ressaltou que essas confraternizações “não foram estimuladas pelo governo federal”.

Queiroga disse também que, anda nesta semana, o governo apresentará um posicionamento sobre uma “eventual política para aprovação dos autotestes”, o que amplia a capacidade de testagem da população. Ainda segundo o ministro, que se reuniu com o líder da Economia, Paulo Guedes, ontem (11), não faltará suporte para estados e municípios que venham a precisar de auxílio no sistema de saúde.

“Ele [Guedes] deixou claro que saúde e economia têm de andar de braços dados”, pontuou o ministro da Saúde, que também garantiu a ajuda do governo a locais que precisem de mais leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Impacto das festas de fim de ano

Marcelo Queiroga confirmou que o número de pacientes atendidos nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) aumentou e atribuiu o cenário ao avanço da variante ômicron. “Isso é fruto das festas de fim de ano, que não foram estimuladas pelo governo federal”, pontuou. Ele também lembrou que o país conta com 58 mil UBSs e 53 mil equipes de saúde da família.

Além disso, ainda segundo o ministro, é prevista uma ampliação orçamentária, de R$ 17 bilhões para R$ 25 bilhões, dando ao país condições de enfrentar a pandemia. Queiroga lembrou que o vírus sofre mutações, o que dificulta o combate à pandemia no mundo todo, e afirmou que a principal forma de combate é a vacinação: “Sabemos que os indivíduos que não têm o esquema vacinal completo têm mais chances de desenvolver formas graves da doença.”

Entretanto, o ministro argumentou que, para o processo de enfrentamento a pandemia ser eficaz, é necessária a colaboração de estados e municípios. Essa cooperação deve ocorrer principalmente com relação ao avanço nas aplicações da segunda dose e da dose de reforço.

Queiroga chamou atenção para os índices de vacinação de alguns estados, principalmente da região Norte. “Há estados lá com baixo nível de aplicação de segunda dose e da dose de reforço. É preciso ampliar no Pará, Maranhão, Amapá, em Roraima e no Tocantins e em Manaus. No Pará assistimos ao aumento no número de hospitalizações e óbito”, disse.

“O número de óbitos ainda está em um patamar aceitável, se é que se pode aceitar óbito. Estamos ampliando os testes. Em janeiro, vamos distribuir 28 milhões de testes rápidos, sendo 13 milhões até o dia 15. Em fevereiro, temos perspectiva concreta de 7,8 milhões de testes”, finalizou.

Autotestes no Brasil

Queiroga citou também a consulta da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ao ministério sobre uma “eventual política para aprovação dos autotestes”. O objetivo é o aumento da capacidade de testagem. “O autoteste é uma iniciativa que pode se somar ao esforço do poder público de maneira geral. Nesta semana, com certeza, teremos uma resposta [sobre essa questão]”, afirmou.

Além disso, na avaliação do ministro, o conhecimento sobre a pandemia e a expertise adquirida durante os períodos de pico da crise ajudarão a evitar problemas como os ocorridos anteriormente, de falta de fornecimento de oxigênio nos hospitais. “Temos agora uma estrutura maior e melhor capacidade de distribuição. Se houver pressão sobre o sistema de saúde na região Norte, o preparo hoje é maior”, disse Queiroga.

Edição: Giovanna Fávero
Giulia Di Napoligiulia.di.napoli@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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