A Delegacia Especializada de Violência Sexual da Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar uma denúncia de estupro em um carro da Uber no Dia das Mães. Uma mulher, de 55 anos, identificada nesta reportagem apenas pelas iniciais A.P., vive um pesadelo desde o último domingo (10). Moradora do bairro Cardoso, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, ela denuncia ter sido estuprada durante uma viagem solicitada pelo aplicativo. Ao BHAZ, a empresa disse que desativou a conta do motorista assim que tomou conhecimento do caso e que “considera inaceitável qualquer tipo de má conduta sexual”.
Mãe de duas mulheres, ela conta que havia participado de uma confraternização na casa da mãe, no bairro Nova Suíssa, região Oeste de BH. Por volta das 0h15, uma das filhas solicitou pra ela um motorista pelo aplicativo da Uber.
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Ela conta que ingeriu bebida alcoólica na casa da mãe, mas se lembra do diálogo com o motorista ao entrar no carro. A corrida teve início 0h19 e, pouco depois, acabou dormindo.
“Ele [o motorista] virou pro lado certo da minha casa e essa foi a minha última lembrança, não lembro de mais nada, me deu um ‘apagão’. Não sei se teve droga, eu não posso te falar”, diz sobre a possibilidade de o motorista aplicado alguma substância. “Não sei se foi devido à ingestão de álcool, o cansaço, o dia estressante que eu tive, eu sei que eu dormi… e me senti segura. Não achei que ia acontecer nada comigo”, conta a vítima em entrevista exclusiva ao BHAZ.
A.P. se lembra de sentir alguém tocando em suas partes íntimas, mas o crime só foi percebido na manhã do Dia das Mães.
A corrida encerrou vinte minutos depois, às 0h39, no entanto a família suspeita que o motorista tenha rodado com a vítima pelo bairro depois de encerrar a corrida pelo aplicativo.
A família teve acessos a imagens da câmera de segurança de um supermercado mostram o carro passando pelo local às 0h58. Em outras registros que o BHAZ teve acesso, o carro aparece circulando pelas ruas do bairro. “Ele fechou a corrida e ficou com ela 19 minutos”, acredita o marido.
Deixada em casa, a vítima só acordou na manhã seguinte e, ao tomar banho, sentiu dores nas partes íntimas e percebeu hematomas nos braços. Imediatamente, a família decidiu registrar um boletim de ocorrência. A.P. foi levada pela Polícia Militar ao Hospital Júlia Kubitschek para a realização de exames e administração de remédios contra doenças sexualmente transmissíveis.
Além do boletim de ocorrência, a vítima procurou a Delegacia de Plantão Especializada em Atendimento à Mulher, Criança, Adolescente e Vítimas de Intolerâncias (Depam) e aguarda a conclusão das investigações.
Ao BHAZ, a PC afirma que já instaurou inquérito para apurar os fatos. “A investigação encontra-se em andamento na Delegacia Especializada de Combate à Violência Sexual em Belo Horizonte, onde estão sendo realizadas as diligências para identificar o suspeito e comprovar a autoria do crime”, diz a nota.
A Uber afirma que “lamenta o caso e considera inaceitável qualquer tipo de má conduta sexual”. A empresa disse que desativou a conta do motorista assim que tomou conhecimento do caso (leia íntegra abaixo).
Nota da Uber
A Uber lamenta o caso e considera inaceitável qualquer tipo de má conduta sexual. A plataforma defende que as mulheres têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem e têm o direito de fazer isso em um ambiente seguro. A empresa acredita na importância de combater, coibir e denunciar casos dessa natureza e encoraja que as mulheres denunciem qualquer incidente tanto pelo aplicativo quanto às autoridades competentes. O motorista teve a conta desativada assim que a empresa tomou conhecimento do episódio.
A plataforma informa, ainda, que está tentando contato telefônico com a vítima afim de oferecer apoio. De qualquer forma, todas as viagens na plataforma são cobertas por um seguro e, em parceria com o MeToo Brasil, a Uber conta com um canal de suporte psicológico para amparo inicial neste momento delicado. Ambos já foram disponibilizados para a usuária. A empresa também se coloca à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, nos termos da lei.









