Cinco dias antes de matar e roubar os idosos Cláudio Atala e Maria Clotilde Atala, em 29 de junho, a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, teria dopado e roubado R$ 30 mil de outro casal em BH. Segundo investigações, a mulher teria utilizado o método conhecido como “Boa Noite Cinderela” para fazer outras vítimas na capital mineira.
De acordo com o delegado Gustavo Barletta, responsável pelas investigações, o roubo teria ocorrido na quarta-feira (24) que antecedeu a morte dos idosos. Segundo o policial, a vítima relatou ter se sentido subitamente sonolenta após Paola visitar a residência dela para realizar um serviço de faxina. “Inclusive ela diz que naquele dia saiu de casa para ir ao mercado, mas dormiu por mais de uma hora no estacionamento”
Em depoimento, a vítima disse que não associou imediatamente o desaparecimento do dinheiro e dos bens à diarista. Ela relatou que a ficha só caiu após a divulgação das imagens de Paola após a divulgação do crime contra os idosos. Conforme o delegado, as vítimas descreveram os itens subtraídos, permitindo que os investigadores localizassem e recuperassem grande parte do material na casa da suspeita, em Ribeirão das Neves.
O caso dos R$ 30 mil não foi isolado. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), pelo menos outras quatro vítimas foram identificadas. Entre elas, há uma senhora de 85 anos, em Contagem, na Grande BH, e o primo de Maria Clotilde, que percebeu a falta de R$ 800. Na ocasião, ela tentou convencer que ele havia perdido a carteira em um local público, demonstrando, segundo o delegado, grande poder de dissimulação.
Dívidas com ‘Jogo do Tigrinho’
As investigações apontam que os crimes de Paola podem ter sido alimentados por uma pressão financeira extrema. Informações obtidas pela PCMG indicam que a mulher acumulava uma dívida de aproximadamente R$ 40 mil em plataformas de jogos de azar online, como o ‘Jogo do Tigrinho’.
Embora ela alegue ter sofrido um “surto” comandado por vozes que pediam sangue durante os assassinatos, o delegado Barletta descarta essa versão, classificando como uma estratégia de autodefesa fantasiosa. Para a polícia, Paola é uma “criminosa voltada à prática de crimes contra o patrimônio” que usava a confiança de seus empregadores para dopá-los e enriquecer de forma ilícita.
Paola Stefany foi indiciada por duplo latrocínio na última segunda-feira (13), com pena que pode chegar a 60 anos de prisão, além de ser investigada pelos outros roubos e furtos cometidos sob o efeito de sedativos.












