Belo Horizonte tem enfrentado temperaturas atípicas durante este inverno, como o registro de 34,7 ºC neste domingo (9), a segunda maior registrada neste ano e quase 10 ºC acima da média para o período, que é 26,3 ºC. Segundo Paula Souza, meteorologista do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), o calor extremo que afeta a capital mineira é decorrente do El Niño Oscilação Sul (ENOS) e a tendência é de que os termômetros continuem subindo, com atraso para a chegada das chuvas.
De acordo com a especialista, esse aquecimento acentuado está diretamente relacionado à fase quente do ENOS. Segundo ela, trata-se de um fenômeno natural de grande escala caracterizado pelo aumento anormal das temperaturas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial, gerando impactos em cascata no clima global. “Especificamente quando pensamos em Minas Gerais, está correlacionado à ocorrência de temperaturas mais quentes, a exemplo do que já foi observado no final de semana”, explicou.
El Niño mais forte da história
Conforme Paula, as projeções climáticas para os próximos meses são alarmantes. De acordo com ela, as regiões afetadas pelo El Niño têm 81% de chances de sofrer aumento na temperatura superior a 2 ºC no período de outubro a dezembro, “o que caracterizaria esse fenômeno como extremamente forte”, explicou.
Segundo a meteorologista, essa intensidade “colocaria o ele no histórico junto com mais outros cinco fenômenos que chegaram a essa escala extremamente forte, sendo que existe uma grande probabilidade também de que ele se torne, dentro dessa escala, o mais forte de todos”, alertou.
Além da intensidade, o fenômeno deve apresentar uma longa persistência, prolongando os impactos em Minas Gerais por pelo menos seis meses. “O fenômeno deve permanecer ativo até, pelo menos, o trimestre de fevereiro, março e abril de 2027”, contou Paula. Com isso, além do inverno, o El Niño também deve afetar a primavera e o verão. “Para Minas, nós temos esse prognóstico de que ele vai continuar influenciando nas temperaturas e que elas deverão permanecer mais altas”, completou.
Chuvas atrasadas e tempestades severas
Além do aumento nas temperaturas, as mudanças trazidas pelo aquecimento global e pelo El Niño vai alterar o comportamento das chuvas em Minas Gerais. Segundo Paula, a previsão para os próximos meses aponta para um atraso no início do período chuvoso e “também a tendência de que as precipitações ocorram mal distribuídas tanto no tempo quanto no espaço”, detalhou Paula. A especialista também alertou para a estiagem prolongada e temporais concentrados. “Esperamos aí muitos dias sem precipitação e, quando ocorrer, ocorrerão eventos em que a chuva vai alcançar grandes totais, mas num período curto de tempo”, finalizou..











