Atlético e mais 7 clubes são acionados no STJD por homofobia das torcidas

08/12/2021 às 11h06
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Torcida do Atlético na partida contra o Fluminense (Pedro Souza/Atlético)

O Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+ denunciou oito clubes brasileiros no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por atos de homofobia praticados pelas torcidas em jogos. Além do Atlético, os times de futebol Ceará, Corinthians, Fluminense, Internacional, Náutico, Paysandu e Remo também foram acionados por homofobia.

A articulação reúne os coletivos e torcidas LGBTQ+ de clubes de futebol brasileiros e pede a análise do tribunal para o enquadramento no artigo 243-G por ato discriminatório.

Dois jogos do Atlético

No caso do Atlético, a homofobia ocorreu durante cânticos proferidos por atleticanos em dois jogos de futebol, nos estádios Maracanã e Mineirão. Confira o detalhamento feito pelo Coletivo e também disponibilizado pelo STJD:

Jogo: Flamengo x Atlético/MG (30/10): Na partida, realizada no Maracanã, a torcida visitante entoou ao time mandante: “tomar no c* mengo, tu és time de otário c*, p* v* e ladrão”.

Jogo: Atlético/MG x Fluminense (28/11): Imagens da partida mostram os cantos homofóbicos do clube mineiro a partir dos 40 minutos do segundo tempo. O vídeo com os cânticos foi postado nas redes sociais de uma torcedora que estava acompanhando o jogo. O caso não foi relatado na súmula da partida e, segundo o coletivo de torcidas, o árbitro descumpriu a orientação 01/2019 do STJD.

Nota do Coletivo

Ao enviar as denúncias para a Procuradoria do STJD nesta semana, o Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+ postou uma nota oficial no Twitter.

“Reiteramos o nosso repúdio a esses e outros atos de preconceito praticados no futebol e esperamos que os clubes e federações tomem medidas mais enérgicas no intuito de combater tais práticas que fazem com o futebol continue sendo um ambiente violento para pessoas LGBTQIAP+”, diz a nota.

O Coletivo relembrou ainda a punição ao Flamengo no valor de R$ 50 mil, que ocorreu em novembro deste ano: “O STJD já mostrou em decisão anterior que a justiça desportiva não tolerará atos desse tipo, ao punir com veemência o Flamengo, configurando o primeiro clube punido na história pelo tribunal enquadrado na prática de homofobia pelo artigo 243-G do CBJD”.

Outros sete clubes

As Notícias de Infração também incluíram outros sete clubes, tanto da 1ª, quanto da 2ª divisão. Na partida contra o Inter, os torcedores do Fluminense entoaram gritos homofóbicos para o adversário. Já os fãs colorados proferiram gritos em jogos contra o Grêmio e Athletico-PR.

O caso do Ceará envolveu torcida, jogadores e diretoria, incluindo o presidente Robinson de Castro. O preconceito foi entoado nos duelos contra Corinthians, Sport e o rival Fortaleza. Já no jogo entre Corinthians e Grêmio, os torcedores do time paulista proferiram homofobia contra os jogadores do tricolor gaúcho.

Na Série B, duas partidas foram destacadas. Durante os tiros de meta, o jogo entre Náutico e Sampaio Corrêa registrou homofobia da torcida do Timbu contra o goleiro do Sampaio. Por fim, no duelo entre Remo e Paysandu, o preconceito veio de ambas as torcidas.

Possíveis penas

Segundo o artigo 243-G, as possíveis penas aos clubes englobam desde multa e suspensão até perda de pontos. Além disso, os torcedores e/ou torcedoras identificados podem ser proibidos de acessar o estádio onde proferiram a homofobia pelo prazo mínimo de 720 dias.

O STJD informou que “todas as Notícias de Infração foram encaminhadas para análise da Procuradoria, que definirá se há comprovação da infração e oferece denúncia em cada pedido, ou se arquiva”.

Casos não são isolados

Há pouco mais de 2 anos, um casal homossexual cruzeirense foi atacado e ameaçado após a divulgação de uma foto dos dois durante a partida entre Cruzeiro e Vasco. “A gente ficou tão apavorado que não conseguia conversar, falar nada. A gente tem medo de acontecer coisa pior, até onde isso pode chegar”, afirmou a vítima ao BHAZ na época.

Na época do ocorrido, a torcida do Cruzeiro entoou gritos homofóbicos durante o jogo contra o Grêmio e ignorou a possível punição que o time poderia sofrer. Porém, o momento não foi registrado na súmula – o que ainda é algo comum, inclusive nas partidas relatadas pelo Coletivo nesta semana.

Na mesma semana da homofobia proferida torcida do Cruzeiro em 2019, a Galoucura, principal torcida organizada do Atlético, afirmou ao BHAZ que iria continuar proferindo homofobia no futebol e se referiu ao ato como “coisa mínima”.

“Isso não ofende ninguém. A gente não está falando especificamente com o torcedor. Isso só está acabando com o futebol, cada vez mais. Se nós tivermos que ir lá, cantar e chamar eles de Maria, vamos chamar”, defendeu o presidente do agrupamento.

O que diz o STJD

A recomendação do STJD é que “os árbitros, auxiliares e delegados das partidas relatem na súmula e/ou documentos oficiais dos jogos a ocorrência de manifestações preconceituosas e de injúria em decorrência de opção sexual por torcedores ou partícipes das competições, devendo os oficiais das partidas serem orientados da presente recomendação, bem como, cumpram todas as determinações regulamentares aplicáveis em vigor”.

Editado por: Vitor Fernandes

Beatriz Kalil Othero

Jornalista formada pela UFMG, escreve para o BHAZ desde 2020, e atualmente, é redatora e fotógrafa do Portal. Participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2021 e 2022, e pela Rede de Rádios Universitárias do Brasil em 2020.
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