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Chico Maia

Gabriel Milito pode dar certo no Atlético, sim! Mas é ‘sistemático’! Tem que saber mexer com ele

24/03/2024 às 22h04 - Atualizado em 25/03/2024 às 08h01
Gabriel Milito, 43 anos. Foto: Divulgação: twitter/Argentinos Juniors

Não tenho dúvidas que, taticamente, Milito sabe o que faz. E está na hora de ganhar títulos, coisa que ainda não o fez. O Atlético dá uma oportunidade de ouro a ele: um dos melhores centros de treinamento da América latina e um grupo com ótimos jogadores, faltando lateral direito e um zagueiro.

Gabriel Milito não é um Dudamel, o venezuelano que foi um dos maiores erros da história do Galo. Nem é um Turco Mohhamed, o argentino/mexicano, muito bom de prosa, mas que não tinha competência para dirigir um grande clube brasileiro. Nem se trata de um Felipão, com data de validade vencida.

Foi o zagueiro vitorioso, primeiro no Independiente, da Argentina, e consagrado no Barcelona, mesmo como suplente dos titulares absolutos Piqué e Puyol, de 2009 a 2011. Neste período foi campeão espanhol, da Champions, Mundial de Clubes e essas Supercopas que inventaram nos últimos anos, que valem para os clubes ganharem dinheiro.

Seu treinador era o Pep Guardiola e ele deve ter aprendido muito com ele. Parou de jogar no Independiente, em 2012. Em 2014 iniciou sua carreira de técnico, no time B do Independiente. Pavio curto e de personalidade própria, deu uma banana para o presidente do clube argentino, Hugo Moyano, que ia promovê-lo ao time principal, mas queria que ele escalasse o centro avante Del Castillo, irmão de Sergio Agüero, de quem ele não gostava como jogador.

O ex-meio-campista, capitão e então presidente do Estudiantes, Sebastián Verón, era fã dele e o contratou para comandar seu time. Foram 31 jogos, 16 vitórias, nove empates e seis 6 derrotas. Mas, se o Estudiantes estava satisfeito com o trabalho dele, ele não estava satisfeito com a torcida e com os bastidores do clube. Chamou Verón e “chutou o balde”, entregando o cargo, mesmo com o presidente fazendo insistentes apelos pra que ele continuasse.

Passou quase dois anos no O’Higgins, do Chile e retornou à Argentina para fazer um bom trabalho no Argentinos Juniors, com 135 jogos, 58 vitórias, 33 empates e 44 derrotas. Em agosto do ano passado, o Cruzeiro tentou acertar com ele para o lugar do português Pepa, mas ele queria ficar um tempo parado e não quis nem ouvir propostas.

Jornalistas argentinos dizem que Milito tem disso: “sistemático”, não precisa mais trabalhar para ganhar a vida e tem estopim curto. Chuta o balde fácil, quando alguma coisa o incomoda. Com a torcida exigente que tem, o Atlético vai ter que saber mexer com ele.

Chico Maia

Chico Maia

Email: chicomaiabd@gmail.com

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