A mineira Gabi Guimarães, capitã da seleção brasileira de vôlei, se manifestou publicamente em apoio à jogadora Tifanny Abreu após a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) vetar a participação de mulheres trans em competições organizadas pela entidade. Em publicação nas redes sociais, Gabi afirmou estar revoltada e incomodada com a forma como o caso vem sendo tratado.
A jogadora iniciou o posicionamento com a frase “Quem vai estar na guerra ao seu lado? E isso importa? Mais do que a própria guerra”. Gabi afirmou que passou a refletir sobre as vezes em que deixou de falar ou se posicionar ao longo da carreira por medo, insegurança ou por considerar mais fácil permanecer em silêncio.
“Mas o mais fácil e cômodo normalmente não é o caminho mais correto. Então hoje quero falar publicamente sobre a minha revolta e o meu incômodo com a forma como o caso da Tiffany vem sendo tratado no nosso país”, escreveu.
Segundo Gabi, houve uma mudança de rumo na última semana, comunicada apenas às pessoas envolvidas. Ela questionou a decisão e afirmou que não houve uma explicação plausível, considerando que a regra internacional já existia anteriormente. A atleta também destacou a trajetória de Tifanny, que disputa a Superliga há nove anos e depende do esporte para viver.
“Em algum momento alguém pensou na pessoa da Tiffany, em como isso impactaria a vida dela? Já são nove anos disputando Superliga. Ou só vamos reforçar que as pessoas trans devem ficar à margem da sociedade mesmo?”, questionou.
Falta de posicionamento
No texto, Gabi também falou sobre a importância de se posicionar diante de situações que considera injustas. Ela afirmou que “não basta não ser racista, é preciso ser antirracista” e defendeu que é necessário enxergar além do superficial.
Para a atleta, Tifanny é um ser humano que merece respeito e foi desrespeitada com a decisão. Gabi também citou uma frase sobre estar ao lado de alguém em momentos de dificuldade para questionar quem permanece ao lado de pessoas que sofrem preconceito.
“É muito lindo ver no mês de junho todo mundo colocando arco-íris pra jogo e ganhando notoriedade com a causa. Mas o mês de junho passa e quem fica na guerra ao seu lado? Quem fica quando os homofóbicos destilam seu preconceito? Quem te dá a mão e te defende? Quase ninguém, né?”, escreveu.
Gabi também mencionou ataques sofridos recentemente pela seleção masculina e questionou a falta de manifestações em defesa dos atletas. “A gente só vai poder ter o direito de ser quem somos se formos campeões olímpicos? Em caso de derrota, volta todo mundo pro armário?”, afirmou.
Atleta diz que não vai se calar
Tifanny Abreu, jogadora do Osasco, também se manifestou sobre a decisão da CBV. A jogadora afirmou que o voleibol representa sua vida e seu trabalho e disse que a entidade está tirando dela “tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos”.
Segundo Tifanny, a decisão não afeta apenas a atleta, mas também seu clube, torcedores, patrocinadores, pessoas que se inspiram nela e o direito de pessoas trans.
A jogadora classificou a medida como “um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e pela inclusão” e afirmou que a situação remete à forma como atletas eram testadas nas décadas de 1960 e 1970.
“Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, a inclusão e a prática do esporte não tenha sido em vão”, declarou Tifanny.
Ex-atletas mineiras apoiam oposta do Osasco
A bicampeã olímpica Fabi Alvim também se manifestou sobre a mudança na política da CBV. A ex-líbero compartilhou nas redes sociais uma frase do poeta Manoel de Barros: “Mais fácil fazer da tolice um presente do que da sensatez”.
A também bicampeã olímpica Sheilla Castro, ex-oposta, publicou um texto nos stories e afirmou estar acompanhando o caso e o que tem ocorrido com Tifanny. A ex-jogadora destacou que a atleta construiu sua carreira no vôlei seguindo as regras e que a situação tem impacto direto na vida profissional e pessoal dela.
“No meio de tantas opiniões, discussões e julgamentos, acho importante não esquecer de quem está vivendo tudo isso. Porque tem horas em que, para além da discussão sobre regras e elegibilidade, precisamos olhar para a pessoa. Para a Tifanny. Para a atleta que construiu sua história dentro das quadras”, escreveu Sheilla.










