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Homem confessa durante júri que matou mulher e ocultou corpo em cisterna em BH

30/06/2026 às 15h41
(Divulgação/TJMG; Reprodução/Redes Sociais)

Gilmar Pereira Calmos confessou, durante Tribunal do Júri nesta terça-feira (30), que matou e ocultou em uma cisterna o corpo de Magna Laurinda Ferreira Pimentel, de 50 anos. O crime ocorreu em agosto de 2024 no bairro Candelária, na região de Venda Nova, depois que a mulher descobriu um possível golpe contra o pai dela, um idoso acamado.

Durante o interrogatório, Gilmar optou por responder apenas aos questionamentos da defesa e dos jurados, confessando a autoria do homicídio e da ocultação. No entanto, a versão dos fatos apresentada por ele diverge da tese de premeditação apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

O homem afirmou que matou Magna tomado pela “emoção” e por “medo”. Segundo o réu, ele estava trabalhando em uma reforma nos fundos do lote e não percebeu a chegada de Magna. Ao ir tomar café, ele teria presenciado a vítima ameaçando a mãe dele, Marluce Pereira dos Santos. Gilmar relatou que tentou intervir, mas foi agredido com uma xícara de café quente.

Posteriormente, ele contou que Magna se desequilibrou e caiu perto de um balde, com uma chave de fenda dentro. Gilmar alegou que ela teria usado o instrumento para agredi-lo e, com medo de morrer, pegou uma faca e deu quatro golpes no peito e pescoço da vítima. Ele ainda disse que não agiu por raiva e admitiu ter escondido o corpo na cisterna por nervosismo e medo de ser afastado da família.

Gilmar ainda argumentou que desconhecia a existência de empréstimos ou dívidas envolvendo a mãe e irmãs, e que, se soubesse, teria se oferecido para pagar. Ele também negou que o crime tenha sido planejado e sustentou que elas não tiveram participação no assassinato.

O réu declarou ainda que tinha a intenção de se entregar à Polícia Militar, mas acabou sendo abordado por agentes da Polícia Civil antes disso. Gilmar disse que tem ciência dos crimes e decidiu confessar por saber que precisa pagar pelos atos.

Além dele, o MPMG também denunciou Marluce, apontada como mentora, e Paloma Pereira de Jesus e Paola Pereira de Jesus, acusadas de atrair a vítima.

Denúncia

Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Gilmar é um dos quatro denunciados pelo homicídio. Ele responde por homicídio qualificado, por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, e por ocultação de cadáver. Preso, ele será o primeiro réu a ser julgado no caso.

De acordo com a denúncia, o crime teria sido motivado pela descoberta de um empréstimo de alto valor contratado, sem autorização, na conta do pai de Magna, Valter Holegário Pimentel. O Ministério Público sustenta que o dinheiro foi desviado em benefício de Marluce Pereira dos Santos, companheira de Valter, e dos três filhos dela: Gilmar, Paloma e Paola.

Ainda conforme a acusação, após descobrir a movimentação financeira, Magna exigiu que o dinheiro fosse devolvido e avisou que procuraria a polícia caso isso não acontecesse. A partir daí, segundo o MPMG, os denunciados passaram a planejar o assassinato da vítima.

As investigações apontam que Magna foi convencida a ir até a casa do pai sob a promessa de que receberia o dinheiro de volta. No imóvel, conforme a denúncia, ela foi atacada por Gilmar Pereira Calmos com diversos golpes de instrumentos contundentes, não resistindo aos ferimentos.

Após o homicídio, de acordo com o Ministério Público, os envolvidos colocaram o corpo da vítima em uma cisterna no quintal da residência e fecharam a estrutura com cimento para ocultar o cadáver.

Além de Gilmar, também foram denunciadas Marluce Pereira dos Santos, Paloma Pereira de Jesus e Paola Pereira de Jesus. Segundo o Ministério Público, Marluce teria planejado o crime, enquanto Paloma e Paola teriam atraído a vítima ao local sob o pretexto de devolver o dinheiro.

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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