O Governo de Minas anunciou que o antigo Hospital Colônia de Barbacena, símbolo de graves violações de direitos humanos ao longo do século XX, será fechado definitivamente. A informação foi divulgada nessa segunda-feira (27) durante visita do governador Mateus Simões (PSD) ao município, que recebe temporariamente o título de capital do estado até quinta-feira (30).
O fechamento do Hospital Colônia ocorre de forma simbólica, com a transferência dos últimos 14 pacientes que foram internados naquela época e que residem até hoje no local. “Nós vamos passar um cadeado nessa fase da história de Barbacena”, destacou o governador.
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De acordo com o Governo de Minas, esses pacientes “não têm mais vínculo familiar, não falam e vivem em condições bem específicas de saúde”, informou. Com o fechamento do espaço, eles serão transferidos para uma nova unidade de saúde, sob responsabilidade da prefeitura.
“As últimas 14 pessoas que não têm famílias e que continuam internadas vão ser transferidas para outras instituições, com uma lógica muito diferente da lógica atual, uma lógica que continua sendo muito humanizada, como já é hoje, mas fora da estrutura para que a gente possa encerrar este capítulo”, completou Mateus Simões.
Centro Psiquiátrico e Museu da Loucura seguem em funcionamento
Atualmente, no local funciona o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), referência no atendimento psiquiátrico da macrorregião Centro-Sul de Minas Gerais. Em conversa com o BHAZ, a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) esclareceu que o atendimento ao público continua normalmente.
Além do Centro Hospitalar, o local abriga, desde 1996, o Museu da Loucura, que resgata a memória do antigo manicômio e exibe equipamentos, acervos e documentos da época. A Fhemig também informou que o espaço segue em funcionamento para evidenciar uma parte da história que nunca mais pode se repetir.
Hospital Colônia de Barbacena
Inaugurado em 1903 com o nome “Assistência aos Alienados de Minas Gerais”, o espaço foi o primeiro hospital psiquiátrico público de Minas Gerais. Mais tarde, o local ficou conhecido como “Hospital Colônia” e possuía, inicialmente 200 leitos, chegando a 3.500 pacientes nos anos 1970.
De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, entre 1930 e 1980, mais de 60 mil pessoas morreram de frio, diarreia, fome, tortura e eletrochoque no antigo manicômio, sendo conhecido como o “holocausto brasileiro”. Nesse período, centenas de corpos foram vendidos para instituições de ensino médico, incluindo a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Na da década de 1980, a unidade implementou o atendimento humanizado, com o objetivo de reintegrar os pacientes ao convívio social. Em 2001, a criação da Lei 10.216 garantiu a proteção de pessoas portadoras de transtornos mentais, direcionando o modelo assistencial em saúde mental.
Veja imagens do Hospital Colônia de Barbacena:



















