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Lagoa do Nado: frequentadores aproveitam reabertura do parque, mas cobram recuperação completa

03/12/2024 às 12h32 - Atualizado em 03/12/2024 às 12h53
Cerca de 20% do espaço público reabre para visitação a partir desta terça-feira (Thiago Cândido/BHAZ)

Alívio foi o sentimento descrito pelo casal Maicon Isqueiro e Rafaela Oliveira logo na entrada do Parque Fazenda Lagoa do Nado, na região da Pampulha, em BH, na manhã desta terça-feira (3). Depois de 20 dias fechado, devido ao rompimento da barragem do local, em 13 de novembro, o equipamento público tem portas reabertas e volta a oferecer atividades culturais e espaço de lazer aos moradores da capital. No misto de emoções dos visitantes, aparece também a sensação de incompletude, já que boa parte do parque segue interditada para obras de recuperação.

Petequeiros e frequentadores da Lagoa do Nado há mais de 15 anos, Maicon e Rafaela já podem voltar a utilizar as quadras do parque. O espaço poliesportivo é uma dentre as áreas reabertas nesta terça. Além dele, estão liberados para uso coletivo o playground, a academia a céu aberto, a biblioteca, a lanchonete, a pista de skate, a tenda do bosque, a praça do sol e o Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional. Somados, os espaços equivalem a cerca de 20% dos 311 mil metros quadrados do parque. Os 80% restantes ainda cumprem cronograma de recuperação da Secretaria de Obras e Infraestrutura da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), sem previsão de reabertura divulgada.

“Pisar aqui de novo ameniza um pouco do sentimento que ficou depois da notícia [do rompimento da barragem do parque]”, disse Maicon ao BHAZ. “A Lagoa é o lugar que a gente tem pra relaxar, distrair, praticar o esporte que a gente gosta… ver ela reaberta traz, de certa forma, um sentimento de alívio”. Para Rafaela, a alegria de revisitar o local coexiste com o sentimento de que “ainda falta uma parte”. “O que a gente espera é que agora seja feito um estudo, a recuperação dos espaços que ainda estão fechados e que não ocorra nada disso novamente”, complementa.

Quadras do Parque Lagoa do Nado (Thiago Cândido/BHAZ)

Trabalho contínuo

O contentamento em ver o parque reaberto é compartilhado não só entre frequentadores e moradores da região, mas também por quem trabalha para manter o aparelho público funcionando. Diretor de Parques da Fundação de Parques e Zoobotânica da Prefeitura de Belo Horizonte, Clair José Benfica destacou o esforço realizado por equipes da Lagoa do Nado e da PBH nos últimos dias para possibilitar a visitação do público novamente. “Eu praticamente dormi aqui desde o dia 13, mas o retorno disso tá no rosto das pessoas, em ver as pessoas podendo utilizar esse espaço que é muito bom”, disse.

Morador da região da Lagoa do Nado entre as décadas de 1960 e 1980, Clair assume o carinho especial para com o aparelho, pois participou do movimento que ajudou a fundá-lo. “Minha familía foi uma das primeiras a morar na região. Eu cresci aqui. Por volta de 1981, saiu um decreto para construir um conjunto habitacional nesse espaço, então a turma que brincava por aqui se organizou pra defender o bem. E conseguimos. Em 84 a Prefeitura comprou a área, e em 94, inaugurou o parque”, relembrou.

Assim como Maicon e Rafaela, o diretor espera ver as áreas restantes reabertas o quanto antes, na medida do possível do cronograma de restauração. “A Secretaria de Obras é que coordena todas as tratativas de recuperação, elaboração de projetos e execução das ações. Dentro das possibilidades, tudo o que a gente puder fazer e o uso público for mostrando possibilidade, a gente vai fazendo a fim de conseguir a reabertura completa”, afirmou Clair.

Durante a fala, o diretor não escondeu a ansiedade de ver, especialmente, o espelho d’água da barragem reconstituído. Das partes ainda interditadas no parque, ela foi a citada por todos os entrevistados pela reportagem. “A lagoa tem um simbolismo muito forte. Sentar ali e observar o espelho d’água reflete uma harmonia entre o espaço e o ser humano. Guimarães Rosa já falava isso”, riu. “Espero que possamos ter esse momento em breve”.

Trecho interditado da barragem do Parque Lagoa do Nado (Thiago Cândido/BHAZ)

Preocupação na reabertura

Durante a visita ao parque na manhã desta terça-feira (3), frequentadores também cobraram atenção redobrada para com o bem público. Ao BHAZ, Joab Salomão, que também é morador da região, relatou o sentimento de tristeza frente ao “descaso que parque às vezes sofre”. “Há vários pontos malcuidados por aqui. Por exemplo, as pistas de caminhada, que não são ajustadas, e alguns eucaliptos, que apresentam risco de queda”, denunciou.

Entre os pontos citados, Joab resgatou a informação de que a PBH sabia, há pelo menos cinco anos, das necessidades de adequações na barragem da Lagoa do Nado. “Não vou falar que eu me sinto inseguro, senão eu não estaria aqui, mas não é um lugar de total segurança. O rompimento tem que servir de alerta pra evitar que novos acidentes aconteçam”, destacou.

Playground do Parque Lagoa do Nado (Thiago Cândido/BHAZ)

A direção do Parque Lagoa do Nado atenta para as placas indicativas sobre as áreas ainda fechadas à visitação. O equipamento público fica aberto de terça-feira a domingo, das 6h40 às 21h, com entrada permitida até as 20h30, somente na Portaria 2 (rua Hermenegildo de Barros, 904, bairro Itapoã). A entrada é gratuita, e o parque não possui estacionamento interno. Outras informações estão disponíveis no portal da PBH.

Parque Lagoa do Nado

A lagoa rompida fica dentro do Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado, no bairro Itapoã, na região da Pampulha. Ele tem uma área de aproximadamente 311 mil metros quadrados e foi implantado em 1994, segundo dados da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica de BH.

O local conta com uma infraestrutura composta por biblioteca, sala multimeios, teatro de bolso, teatro de arena, quadras poliesportivas, pista se skate, campo de futebol, pista para caminhadas e viveiro de mudas. Diversas atividades culturais são realizadas no parque.  

A vegetação do parque é composta por espécies do Cerrado e por uma Mata Ciliar que circunda a lagoa. Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais identificaram no local cerca de 130 espécies de árvores, sendo 75% nativas, com destaque para o ipê, aroeira branca, urucum, jatobá, barbatimão, quaresmeira e goiaba brava.

A fauna conta com aves como pica-pau, biguá, coruja, frango d’água, anu, alma de gato, trinca ferro e mamíferos, como mico-estrela, gambá, esquilo-caxinguelê, tatu, morcego, além de lagartos, cágados, anfíbios e peixes. 

Fotos do Parque Lagoa do Nado

Thiago Cândido

Jornalista pela UFMG. Repórter no BHAZ desde 2023. Participou de reportagem vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo 2024.
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Email: [email protected]

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